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Estado de Minas RETORNO HÍBRIDO

Volta presencial das aulas em Mariana começa em setembro, diz prefeito

Retorno imediato da voltas às aulas divide opiniões de pais, mas quem bateu o martelo foi o prefeito que afirma seguir as deliberações do comitê de saúde


23/07/2021 13:00 - atualizado 23/07/2021 13:10

Além do prefeito, estiveram presentes para falar da projeção das atividades presenciais escolares, a secretária de educação, Carlene Almeida e o secretário de saúde, Danilo Brito(foto: Reprodução/Facebook)
Além do prefeito, estiveram presentes para falar da projeção das atividades presenciais escolares, a secretária de educação, Carlene Almeida e o secretário de saúde, Danilo Brito (foto: Reprodução/Facebook)
“O retorno presencial de forma escalonada das aulas vai começar em setembro”, anunciou o prefeito interino de Mariana, na Região Central de Minas Gerais, Juliano Duarte (Cidadania), em uma live nessa quinta-feira (22/07). Além do prefeito, estiveram presentes para falar do planejamento das atividades presenciais escolares a secretária de Educação, Carlene Almeida, e o secretário de Saúde, Danilo Brito.

De acordo com o prefeito interino, o comitê da saúde do município deliberou contra a volta imediata das aulas presenciais, isso porque todos os dados epidemiológicos foram discutidos no comitê com os profissionais da saúde.

“Nós escolhemos a data de setembro porque a previsão do Governo de Minas é que em setembro todas as pessoas acima de 18 anos estarão vacinadas, então teremos um grande avanço da imunização da população que nos dará mais segurança de fazer com responsabilidade esse retorno”.

A secretária de educação Carlene Almeida reconhece que muito pais estão ansiosos para a definição das datas de retorno e afirma que as decisões tomadas foram baseadas nas resoluções apresentadas pelo estado. “Sabemos o quanto esse período afetou o emocional dos alunos, pais e professores mas devemos voltar de forma presencial com responsabilidade.”

Na live, a secretária de Educação disse que com a volta escalonada de forma híbrida, ou seja, parte dos alunos de forma presencial e outra parte de forma online, será analisada a cada 15 dias e a liberação de novas faixas etárias será feita após essas análises.

“Acredito que na segunda quinzena de setembro iremos começar a volta de forma escalonada com a educação infantil e as creches e em outubro o primeiro, segundo e terceiro ano que é fase da alfabetização e na segunda quinzena de outubro o quarto e quito ano”.

Vacinas

De acordo com o secretário de saúde Danilo Brito, o esquema vacinal do grupo do professores estará completo em setembro com a segunda dose de parte dele em 29 de agosto e outra em 27 de setembro.

O secretário e afirma que além dos professores, o esquema vacinal de toda a população deve estar completo e pede para que as pessoas fiquem atentas ao calendário de vacinação na cidade.

O secretário destacou que as crianças que retornarão de forma presencial serão monitoradas e se apareceram sintomas de COVID-19, a família também será monitorada e com isso, foi criada uma rede de apoio entre as secretarias de educação e saúde para que a comunicação de sintomas e casos sejam diárias.

Brito também fala que a decisão do retorno gradativo se deu por causas dos indicativos no município, mas ressalta que seguirá as orientações das notas técnicas do estado que deixaram bem clara a importância da segunda dose para completar o esquema vacinal.

“A população fica muito vulnerável inclusive de novas variantes, a nota técnica deixa claro que não é possível a antecipação da segunda dose dos professores, mas se a população acompanhar corretamente o calendário poderemos planejar o retorno”.
 
De acordo com Plano Minas Consciente, Mariana está na onda vermelha na microrregião, e na onda amarela na macrorregião central. No boletim epidemiológico dessa quinta-feira (23/7), foram registrados 49 novos casos de COVID-19 e 12 pacientes se encontram internados. O calendário de vacinação no município vai imunizar com a primeira dose a partir da próxima semana pessoas de 41, 40, 39 e 38 anos.

Os dados mais atuais do vacinômetro, de 14 de julho, a Secretaria de Estado de Saúde enviou ao município 37.357 doses e 33.258 foram aplicadas. Na cidade apenas 9.104 doses foram aplicadas na segunda dose ou dose única e 24.154 já tomaram a primeira dose do imunizante. A cidade tem 61 mil habitantes.
Opiniões diferentes

De acordo com a prefeitura, Mariana têm 31 escolas públicas de ensino fundamental, 11 escolas estaduais e 20 escolas particulares e 80% das pessoas matriculadas no município estão na rede pública.

Com duas crianças em casa, Poliane Lube, de 33 anos, divide o tempo com os cuidados com os filhos e as atividades de forma online de Valentina, de sete anos. A moradora de Mariana conta que mesmo com as dificuldades da falta de tempo e a necessidade da filha de interagir com crianças da mesma idade, ela prefere que a pequena continue com as aulas remotas.

“Enquanto todos não estiverem vacinados não me sinto segura de levá-la para o ensino presencial. Ela sente falta porque sempre viveu na escola, mas com a COVID-19 ainda não controlada prefiro manter em casa e a gente está conseguindo adaptar ao mundo de hoje”.

Poliane conta que mesmo sem cormobidades, mãe e filha já tiveram a doença em dezembro de 2020 e ambas sofrem até hoje dores de cabeça e nas pernas. “As pessoas pensam que criança não pega e não transmite COVID-19, não tenho segurança mesmo com os protocolos apresentados para o retorno presencial.

A marianense conta que a filha no início da pandemia estudava em uma escola privada e que com o decorrer da pandemia foi transferida para uma escola pública e contratou uma professora para dar o reforço escolar, mas mesmo assim sente que o rendimento dentro de casa não é o mesmo que na escola.

“Ela regrediu um pouco, de não conseguir ficar focada. Dentro de casa tudo distrai, mas eu tenho muito medo que ela volte. A prefeitura fez uma enquete nas escolas e a minha resposta foi ‘não’ porque a saúde vem em primeiro lugar e ainda tenho dúvidas sobre o retorno”.

A mãe da pequena Valentina reforça que a criança mantém contato com os avós  e que mesmo vacinados com as duas doses não há o impedimento de contrair a doença e acredita que no grupo familiar, a menor é a mais propícia em transmitir o vírus.

“Criança é muito curiosa e gosta de interagir, acredito que será difícil apenas um responsável controlar a meninada dentro de sala e além disso, muitas máscaras para as crianças não atendem os protocolos de segurança e com isso, penso que deveria ter distribuição delas nas escolas”.

Também preocupada com o desenvolvimento escolar da filha, Bibiana Almeida, de 42 anos, afirma que a pequena, de seis anos, matriculada em uma escola particular, tem encontrado dificuldades em se concentrar nas aulas remotas.

Ao observar que outros pais também passam pela mesma preocupação sobre o rendimento dos filhos, Bibiana criou um movimento chamado “Volta às aulas Mariana” que questiona o retorno presencial das aulas atrelado a uma única volta entre as escolas públicas e privadas.

“Essa gestão está atrelando uma única volta, tudo junto, particular e pública. Porém, se essa ideia continuar, não voltaremos neste ano.  Não concordo porque as escolas privadas estão saindo na frente. É uma pena, né!".

Buzinaço

Com isso, nessa quinta-feira (22/7) Bibiana organizou um buzinaço e cerca de 40 carros fizeram um minuto de barulho em frente à prefeitura de Mariana pedindo o retorno imediato de forma híbrida das aulas.

“O buzinação nasceu de um grupo de pais preocupados com a Educação de Mariana. Das discussões no whatsapp, resolvemos agir nas ruas. Defendemos uma volta às aulas de forma gradual e segura no modelo híbrido de ensino, contemplando o on line (que é nossa realidade) e o presencial”.

Bibiana conta que  na manifestação foi lida uma nota de repúdio foi escrita pelos dirigentes das escolas particulares de Mariana que solicitam explicações sanitárias quanto à abertura do turismo, eventos e bares na cidade.

“Enquanto que a Educação é preterida e posta em último lugar, sem a menor chance de funcionar em um modelo híbrido de ensino. Além disso, uma petição pública pelo retorno imediato às aulas em Mariana divulgada pelos médicos da cidade, questiona a liberação das atividades coletivas em nosso município”.

De acordo com a prefeitura o retorno de forma híbrida no município acontecerá a partir de setembro e os pais que estiverem seguros de enviar os filhos às escolas poderão fazer e os que não se sentirem seguros serão atendidos de forma online.

Na live, o prefeito esclarece que a retomada das atividades nos bares da cidade também aconteceu de forma gradual e seguem protocolos de segurança diferentes dos elaborados para as escolas por ser realidades e públicos diferentes.

Em outubro de 2020 foi criada uma comissão de retorno às aulas composta por representantes do Conselho Municipal de Educação, da Secretaria Municipal de Educação, pedagogos e diretores das Escolas Municipais, Câmara Municipal de Mariana, Escolas Particulares, pais e responsáveis, do Comitê Gestor do Plano de Prevenção e Contingenciamento em Saúde do COVID-19 de Mariana, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Cidadania, Procuradoria Geral do Município e da Superintendência Regional de Ensino – Ouro Preto.

Das comissões saíram dois documentos: o primeiro deles foi um protocolo de segurança publicado no Diário Oficial do Município (DOM)  nessa semana e outro do protocolo que foi elaborado  são orientações complementares para o retorno das atividades presenciais nas unidades de ensino publicado nesta sexta-feira (23/7) no DOM.

“Além da publicação, todas as escolas públicas e privadas vão receber os protocolos criados por essa comissão e deverão seguir as orientações deles para que assim fiquem autorizadas para retornarem em setembro” finaliza o prefeito.

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