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Estado de Minas PANDEMIA

Prefeito de Divinópolis manda cortar dinheiro de leitos para COVID

Governo empurra para o Estado a responsabilidade e diz que vagas atendem todos os municípios da regional


27/05/2021 21:09 - atualizado 27/05/2021 21:18

O hospital de campanha funciona na Unidade de Pronto Atendimento (foto: Divulgação/Prefeitura de Divinópolis)
O hospital de campanha funciona na Unidade de Pronto Atendimento (foto: Divulgação/Prefeitura de Divinópolis)
O prefeito de Divinópolis, Região Centro-Oeste de Minas Gerais, Gleidson Azevedo (PSC) mandou cortar 12 leitos de suporte ventilatório pulmonar do hospital de campanha. O ofício foi encaminhado ao Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (IBDS) - responsável pela gestão da unidade – determinando a redução a partir de 1° de junho, na data do aniversário da cidade.

No ofício, também assinado pelo secretário municipal de Saúde, Alan Rodrigo da Silva, ele cita a “limitação financeira do município” para arcar com os leitos. O hospital de campanha que funciona junto com a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) conta hoje com 32 vagas de enfermaria com suporte ventilatório pulmonar.

Doze desses leitos foram abertos durante o período da onda roxa por determinação do município. O custeio deles saía dos cofres municipais. Em um vídeo feito no dia 02 de maio, Azevedo chegou a falar em gasto próximo de R$500 mil/mês. 
 
"Serão R$2 milhões para a gente manter esses leitos que estão no hospital de campanha da UPA, para não correr o risco de fechar o comércio e, principalmente, não perder vidas", declarou.

No documento enviado ao IBDS 17 dias depois, o prefeito alega que não consegue arcar sozinho com os leitos e que eles são utilizados por toda a macrorregião Oeste. “O município de Divinópolis solicita a readequação do número de leitos do Hospital de Campanha (...) de forma a caber aproximadamente do valor financeiro de custeio financiado pelos entes estadual e federal”, consta no ofício.
 
Cópia do ofício encaminhado ao IBDS (foto: Reprodução)
Cópia do ofício encaminhado ao IBDS (foto: Reprodução)

Contradições

Logo que o assunto começou a repercutir nas redes sociais, a vice-prefeita e secretária de Governo, Janete Aparecida (PSC), tentou minimizar o impacto. Pedindo à população que ajudasse a compartilhar o vídeo, voltou atrás no pedido de corte e afirmou que o município estava apenas retirando a parte financeira dele, mas que os leitos continuariam com o custeio do Estado. 

“Os leitos vão continuar, quem vai pagar é o estado e o resto é conversa fiada”, disparou.

Antes, Janete mencionou que o hospital de campanha é porta de entrada para os 53 municípios da regional de saúde.  “Por isso, quem tem obrigação de custear o hospital são dois entes, governo federal e estadual”, afirmou. Ela ainda voltou a dizer que os leitos extras foram criados a partir de determinação do prefeito durante a onda roxa.

“Durante o tempo que foi possível, o município de Divinópolis custeou 12 leitos a mais de enfermaria. Porém, não é correto a gente manter esses leitos por conta da nossa cidade, porque a obrigação, como eu já disse, é do governo federal, estadual”, argumentou.
 
A vice-prefeita Janete Aparecida fez um vídeo dizendo que o município irá retirar apenas o dinheiro.(foto: Reprodução Instragam)
A vice-prefeita Janete Aparecida fez um vídeo dizendo que o município irá retirar apenas o dinheiro. (foto: Reprodução Instragam)

Embora a vice-prefeita tenha empurrado para o estado a responsabilidade do custeio, a secretaria de Estado de Saúde (SES) não reconhece os 12 leitos extras. 

Em nota, a pasta confirmou a existência de apenas 20 leitos de suporte ventilatório pulmonar. Há ainda outros oito clínicos pediátricos e 12 clínicos adultos, além de 30 de terapia intensiva.

A SES informou que os leitos de suporte ventilatório foram abertos pelo hospital em abril de 2020 e custeado por ela nessa mesma competência desde a disponibilização. Em maio deste ano, foi habilitado pelo Ministério da Saúde com repasse mensal de R$ 287.232,00.

Quanto aos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), eles têm sido custeados integralmente pela SES durante toda a pandemia. Os valores e formas de custeio variaram conforme o regramento vigente na ocasião. 

Atualmente, o estado paga o custeio de todos os leitos de UTI do hospital de campanha por disponibilidade. Estes 30 leitos de UTI são contratualizados com o estado ao valor de R$ 1,6 mil por cada disponibilização, totalizando R$ 1.440.000,00.

Por fim, aos leitos clínicos, a SES repassa o valor das internações clínicas COVID-19 para o munícipio desde março de 2021. Porém, o pagamento é feito de acordo com número de internações de todo o município informadas no sistema de informação. 

As competências de abril e maio ainda não foram publicadas, mas serão ressarcidas pela SES. O valor da Autorização de Internação Hospitalar (AIH) é de R$1,5 mil, o que corresponde a um período de cinco dias.

Nova posição

Ao ser questionada sobre a posição do estado, a assessoria de comunicação da prefetura, disse que, na verdade, “esses leitos vão ser custeados com verba do estado que já está em conta” e que esse dinheiro não é exclusivo para pagamento desses leitos. “Mas é destinada para gastos com COVID. O município decidiu usar essa verba para custear esses leitos”.

*Amanda Quintiliano especial para o EM
 


Vacinas contra COVID-19 usadas no Brasil

  • Oxford/Astrazeneca

Produzida pelo grupo britânico AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, a vacina recebeu registro definitivo para uso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No país ela é produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

  • CoronaVac/Butantan

Em 17 de janeiro, a vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan no Brasil, recebeu a liberação de uso emergencial pela Anvisa.

  • Janssen

A Anvisa aprovou por unanimidade o uso emergencial no Brasil da vacina da Janssen, subsidiária da Johnson & Johnson, contra a COVID-19. Trata-se do único no mercado que garante a proteção em uma só dose, o que pode acelerar a imunização. A Santa Casa de Belo Horizonte participou dos testes na fase 3 da vacina da Janssen.

  • Pfizer

A vacina da Pfizer foi rejeitada pelo Ministério da Saúde em 2020 e ironizada pelo presidente Jair Bolsonaro, mas foi a primeira a receber autorização para uso amplo pela Anvisa, em 23/02.

Minas Gerais tem 10 vacinas em pesquisa nas universidades

Como funciona o 'passaporte de vacinação'?

Os chamados passaportes de vacinação contra COVID-19 já estão em funcionamento em algumas regiões do mundo e em estudo em vários países. Sistema de controel tem como objetivo garantir trânsito de pessoas imunizadas e fomentar turismo e economia. Especialistas dizem que os passaportes de vacinação impõem desafios éticos e científicos.


Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus.

 

 

Entenda as regras de proteção contra as novas cepas

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Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.


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