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Estado de Minas PORTAS FECHADAS

Donos de bares em BH reclamam de fechamento 'repentino' do comércio

Estabelecimentos tiveram que fechar as portas às 14h. Comerciantes reclamam do curto prazo depois de anúncio do Kalil e pedem ajuda de custo


06/03/2021 16:57 - atualizado 06/03/2021 19:11

Estado de Minas flagrou bar aberto no Centro da capital após às 14h(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A. Press)
Estado de Minas flagrou bar aberto no Centro da capital após às 14h (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A. Press)


anúncio de proibição de funcionamento do comércio não essencial em Belo Horizonte não agradou os comerciantes. Alguns bares desafiaram a fiscalização e, por outro lado, donos de bares que fecharam as portas do estabelecimento reclamaram do prazo curto entre o anúncio – que foi feito no fim da tarde de ontem (05/03) – e a determinação de fechamento, que começou a valer às 14h deste sábado (06/03).

"Agora é pra quebrar mesmo", desabafa José Maria Evangelista, dono do Bar Coqueiros, na Avenida Amazonas, no Centro da capital. Ele e os colegas comerciantes afirmam que o anúncio poderia ter sido na quarta-feira, quando o secretário de Saúde, Jackson Machado, declarou que a cidade continuaria aberta.

José Maria Evangelista, dono do Bar Coqueiros, na Avenida Amazonas, no Centro de BH e o garçom Wellington Gomes Torres(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A. Press)
José Maria Evangelista, dono do Bar Coqueiros, na Avenida Amazonas, no Centro de BH e o garçom Wellington Gomes Torres (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A. Press)


"Depois daquilo nós compramos e enchemos o estoque. Agora eu não sei quem vai pagar a conta. Está desesperador. Meu aluguel é R$ 12 mil, tenho 13 funcionários, comprei 15 barris de chope, que vence em 10 dias. A minha pergunta ao prefeito é: quem vai pagar essa conta?", indaga o empresário.

O funcionário do bar, Wellington Gomes Torres, teme em perder o emprego com a crise causada pela pandemia do novo coronavírus. "A gente não pode trabalhar... vamos virar bandidos?", reclama. "As cidades em volta estão abertas. As pessoas vão pra lá, se contaminam e trazem o vírus pra cá", disse o garçom.
No mesmo quarteirão onde é sempre movimentado, com mesas de clientes pelo passeio, outro bar fechava as portas depois das 14h. “Estamos sem chão”, lamenta o dono do Palmeiras Bier, Eliezer Evangelista. Com os olhos marejados, ele se diz consciente da pandemia. “A gente até entende a situação que está difícil com a COVID-19, mas eu não concordo com o modo que o prefeito agiu. A gente fez todo o estoque e ele fez a notícia de surpresa em menos de 24 horas”, reclamou.

Dono do bar Palmeiras Bier, Eliezer Evangelista, ficou triste com o novo fechamento(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A. Press)
Dono do bar Palmeiras Bier, Eliezer Evangelista, ficou triste com o novo fechamento (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A. Press)


Outras despesas que Eliezer cita são os oito funcionários e aluguel do estabelecimento. “Já que está fechando, por que não dá ajuda de custo pra gente? É simplesmente fechar e a gente que se vira? Isso é receita pra quebrar. A gente está desesperado. Numa situação muito complicada”, disse.

Pedido de perdão

Em coletiva de imprensa na sexta-feira, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) pediu desculpas e explicou que, até quarta-feira (03/03), estava sob controle. Na sexta, os números subiram e a cidade precisou fechar “para não perder o controle da situação”.

“Não estamos vendo outro caminho. É o prefeito que fecha. Peço desculpa ao comércio, ao trabalhador”, disse Kalil.

Ajuda aos empresários

Questionada sobre os pedidos dos comerciantes ouvidos pela reportagem, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que prorrogou o pagamento das parcelas de abril a dezembro do IPTU/2020 e das taxas imobiliárias (TCRU e TFAT) cobradas com este imposto, bem como das taxas mobiliárias (TFLF, TFS e TFEP) que tinham vencimento em 10 e 20 de maio de 2020, para as empresas que tiveram suspensos os seus Alvarás de Localização e Funcionamento (ALFs) ou autorizações de funcionamento pelo Decreto 17.328, de 2020.

As datas dos vencimentos dos tributos foram prorrogadas para 30 de dezembro de 2021. Os tributos poderão ser pagos em até seis vezes, até o fim de maio de 2022.

Com as medidas de amparo, a prefeitura vai prorrogar o pagamento de R$ 157 milhões, que é o saldo devedor em aberto das empresas beneficiadas pelo novo decreto.

Fiscalização

A reportagem do Estado de Minas visitou as ruas do Centro e Região Centro-Sul da capital. A maioria dos comércios não essenciais respeitaram a determinação e fecharam após as 14h. Bares abertos por volta das 16h foram vistos no Mercado Novo, onde pessoas ainda bebiam em mesas no passeio da Rua Tupis.


Até às 15h, pelo menos 20 bares foram abordados por ação da fiscalização da prefeitura e obedeceram o fechamento, segundo Genilson Zeferino, secretário municipal de Segurança e Prevenção. O balanço das ações será divulgado na próxima segunda-feira (08/03).

Aglomeração

Mais cedo, a cidade registrou filas em estabelecimentos, pontos e ônibus lotados, restaurantes e lanchonetes com gente comendo até em pé. As aglomerações que contribuíram para índices crecentes de contaminação pela COVID-19 em BH perduraram nas últimas horas deste sábado (06/03) antes de mais um fechamento restritivo de atividades, que ocorreu as 14h.

População dividida

O fechamento dessas atividades não essenciais, como academias e salões de beleza, além da limitação para o funcionamento de bares, restaurantes e lanchonetes sem servir refeições dentro dos estabelecimentos dividiu a população.

Entre as justificativas de quem apoia as medidas de maior controle e restrição de atividades, o grande medo de o sistema hospitalar não ser suficiente para receber todos os doentes, a presença do vírus cada vez mais intensa entre pessoas próximas e a persepção de que ocorreu um relaxamento das medidas de distanciamento e comportamento preventivo contr a doença.

Já aqueles que se manifestaram contra a suspensão da flexibilização, os motivos são a perda de empregos e a continuidade de aglomerações em ônibus, bancos e outros estabelecimentos permanecerem enquanto outras atividades serão forçadas a fechar, mesmo se tomarem todas as medidas preventivas.

(Com informações de Mateus Parreiras)

O que é o coronavírus

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Vídeo: Por que você não deve espalhar tudo que recebe no Whatsapp



Como a COVID-19 é transmitida?


A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Vídeo: Pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus?



Como se prevenir?


A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.
Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê



Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus.

 

Vídeo explica porque você deve aprender a tossir

Mitos e verdades sobre o vírus


Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Coronavírus e atividades ao ar livre: vídeo mostra o que diz a ciência

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