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Estado de Minas IMUNIZAÇÃO

COVID-19: Pesquisador da UFMG discorda de eficácia da vacina russa

Coordenador dos testes da vacina chinesa desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan, Mauro Teixeira diz que é impossível que a vacina russa tenha concluído a fase 3 de testes


13/08/2020 19:49 - atualizado 13/08/2020 21:09

Vacina chinesa tem sido testada pela UFMG há vários dias em BH(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Vacina chinesa tem sido testada pela UFMG há vários dias em BH (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

Em live na noite desta quinta-feira na TV UFMG, o professor do Departamento de Biologia e Imunologia, Mauro Teixeira, apresentou dados acerca das pesquisas feitas em Minas Gerais no desenvolvimento da vacina contra o coronavírus. O pesquisador se anima com a possibilidade de ter a imunização já em 2021 e criticou a eficácia da vacina russa anunciada nesta semana pelo presidente Vladimir Putin.
 
"O presidente russo afirma que a vacina é eficaz por dois anos. Não dá para discutir a vacina russa. Não faço julgamento precipitado, pode ser que ela seja ótima. Se elas começarama a fase 1 em julho, não deu tempo de concluir a fase 3. O presidente garante que a vacina é eficaz por dois anos. Mas a doença existe há seis. É preciso tomar cuidado", afirmou o estudioso.

Mauro diz que o processo até a imunização chegar ao mercado é muito complexo: "É impossível saber quando teremos uma vacina. A epidemia do Ebola nos ensinou muito. A troca de informações do vírus foi mais rápido. Houve uma velocidade maior, já que as agências regulatórias funcionaram mais rápido para aprovar os testes. Vamos ter a vacina o mais rápido possível dependendo da fase 3. Nesse primeiro momento, vamos saber se a vacina é eficaz e segura. Esse conhecimento de durabilidade vai vir com o tempo".

A UFMG tem participado da testagem da imunização da vacina chinesa desenvolvida pelo laboratório Sinovac Biotech, com a participação de mais de 800 voluntários, todos profissionais de saúde. Atualmente, há pesquisas experimentais desenvolvidas pela universidade no Hospital Risoleta Neves, no Hemoninas, no Hospital das Clínicas (SP) e no Hospital Eduardo de Menezes.

Quem também participou da conversa foi o professor Ricardo Gazzinelli, do Departamento de Bioquímica e Imunologia da UFMG e pesquisador do CT Vacinas. Ele fala sobre o processo e diz que não pode haver precipitação nas três fases: "Há uma ansiedade enorme. E ela começa na empresa que quer fazer o teste clínico da vacina e obviamente chega à sociedade. A COVID-19 é uma doença muito séria. Pulamos algumas etapas, mas de maneira geral a maioria das vacinas que chegam ao teste 3 seguiram à risca as normas de segurança. A vacina russa talvez tenha pulado etapas, mas há dificuldade de informação. O que decide se a vacina funcionará ou não é a fase 3. Grande parte delas morrem no teste de eficácia na fase 3. Se tudo funcionar, talvez tenhamos no ano que vem a vacina"

Mauro Texeira entende que é necessário que o projeto seja feito de forma intensa para que a doença seja amenizada: "Acho fundamental o Brasil fazer as vacinas. Pode ser que no ano que vem já tenhamos várias vacinas, mas vamos apredendo ao fazer uma, duas ou três. A gente tem que aprender a desenvolver. E buscar mudar a realidade jurídica das universidades, para que a gente seja mais ágil e não tão lento nas pesquisas".


O que é o coronavírus

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Vídeo: Por que você não deve espalhar tudo que recebe no Whatsapp


Como a COVID-19 é transmitida? 

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Vídeo: Pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus?

Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.
  

Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê


Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus. 

Vídeo explica por que você deve 'aprender a tossir'


Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Coronavírus e atividades ao ar livre: vídeo mostra o que diz a ciência

Para saber mais sobre o coronavírus, leia também:


 



Atualmente, são seis candidatas as vacinas que estão na fase 3, última etapa antes da liberação e comercialização. Outros 165 projetos no mundo em fases inferiores são desenvolvidos, com esperança de evolução. O Brasil contempla três projetos: o da Fiocruz (virus influenza atenuado não replicante), o do Instituto do Coração (partículas do tipo viral) e o da chinesa Sinovac/Instituto Butantan (produzida por meio do vírus inativado).

Não à cloroquina 

O pesquisador criticou o uso da cloroquina no tratamento da doença, algo que tem sido defendido pelo presidente Jair Bolsonaro desde que o Brasil entrou na pandemia: "Temos até medo de citar a cloroquina. Há poucas evidências de que ela seja útil no tratamento de coronavírus. O seu papel não é definido e deve ser muito estudado".




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