Bruno Luis Barros e Sofia Maia

A dois dias do segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) adotaram um tom mais voltado à apresentação de propostas no último debate presidencial, realizado ontem à noite pela TV Globo. Apesar da postura mais moderada de ambos, diferente do confronto anterior, na Band, domingo, as provocações e acusações mútuas também marcaram o encontro, concentradas no último bloco.

Enquanto Flávio procurou falar diretamente com o eleitor, repetindo o pronome “você” para aproximar suas críticas e planos do cotidiano da população, Lula recorreu a números e resultados que atribui às gestões petistas para defender seu governo. A comparação com o governo de Jair Bolsonaro foi recorrente nas falas.

O debate, mediado pelo jornalista César Tralli, reuniu temas como custo de vida, endividamento, impostos, salário mínimo, programas sociais, segurança pública e desigualdades regionais. Na reta final da campanha, os dois candidatos buscaram apresentar caminhos para o país e, ao mesmo tempo, questionar as propostas e o histórico do adversário.

A economia esteve entre os principais pontos de confronto. Flávio perguntou por que Lula teria endividado os brasileiros e associou os gastos públicos do governo à alta dos preços, aos juros e à perda do poder de compra. O senador também criticou a carga tributária e afirmou que os consumidores enfrentam dificuldades para encher o carrinho de supermercado. Ao se dirigir diretamente ao público, prometeu reorganizar as contas públicas e recuperar a capacidade de consumo das famílias.

Lula, por sua vez, defendeu a política de valorização do salário mínimo acima da inflação e afirmou que, sem os reajustes concedidos ao longo dos governos petistas, o piso nacional seria de R$ 900. O presidente também associou a defesa de políticas sociais à redução das desigualdades e argumentou que o acesso à universidade e à educação pública amplia as oportunidades para os mais pobres.

Os programas sociais e as condições de vida da população também serviram de contraponto entre os candidatos. Lula afirmou que Flávio não sabe o que é passar fome e criticou o que considera falta de preocupação do adversário com os brasileiros de menor renda. O senador, em resposta, sustentou que o aumento dos preços compromete o orçamento das famílias e que o governo atual não consegue transformar os reajustes salariais em ganhos efetivos para a população.

As diferenças apareceram ainda na discussão sobre o transporte público. Lula perguntou se Flávio apoiava a tarifa zero nos fins de semana, medida que, segundo o presidente, permitiria aos trabalhadores circular e visitar familiares mesmo sem dinheiro para pagar as passagens. Flávio declarou ser favorável à proposta, mas voltou a questionar a política econômica federal.

Divergências e acusações

A segurança pública também esteve entre os assuntos explorados pelos dois. Lula questionou o adversário sobre a defesa de um policial que matou uma menina com um fuzil, levando o debate para a atuação das forças de segurança e os limites do uso da força. O tema se conecta à preocupação com a violência, presente na campanha de Flávio, que tem defendido medidas para ampliar a segurança nas ruas.

As divergências regionais deram espaço a outra frente de confronto. Lula acusou Flávio de não gostar do Nordeste e de desconhecer a realidade brasileira. O senador rebateu a crítica, afirmando que também tem raízes nordestinas. A discussão evidenciou o peso das diferenças sociais e regionais na disputa presidencial.

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Lula afirmou que Flávio consegue decorar informações, mas não aprender, e disse que não aceitaria ser chamado de “nove dedos” por alguém que classificou como miliciano. Flávio, por sua vez, acusou o presidente de recorrer ao Google para responder às perguntas e afirmou que suas ideias estão ultrapassadas.

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