ELEIÇÕES 2026

Em meio à crise, Flávio Bolsonaro rebola em evento do PL

Pré-candidato à Presidência, senador apostou em dança como tentativa de criar descontração no momento que enfrenta embates internos e busca adiar tarifas

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Em meio a uma pré-campanha à Presidência da República em crise, o senador Flávio Bolsonaro (PL) apostou em uma dança com direito a rebolada e a mão em um dos joelhos ao som do “funk do 01” em um evento do Partido Liberal (PL), no Rio de Janeiro, na manhã desta sexta-feira (3/7).

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O movimento se faz como tentativa de criar descontração em meio a uma corrida presidencial com embate com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, envio de pedido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicanos), para que adie a aplicação de tarifas contra os produtos brasileiros até o final das eleições. O senador tem ainda a segunda maior rejeição entre os pré-candidatos.

A dança ocorreu durante sua entrada no palco do 3º Seminário Nacional de Comunicação do PL, que também contou com a presença do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, do senador e coordenador da pré-campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), de outras lideranças da legenda e influenciadores da direita.

Durante a apresentação, o senador pediu que as pessoas presentes abrissem uma live em suas redes sociais para enviar uma mensagem de que “cada um que o assistisse pela tela recebesse seu abraço e do (ex-) presidente (Jair) Bolsonaro”. Ele ainda afirmou que o grupo está a “poucos passos de mudar e resgatar o Brasil” e que “será o fim do ciclo do PT”.

A corrida ao Palácio do Planalto, porém, está com as bases estremecidas. Semanas após a divulgação, pelo The Intercept Brasil, de que o senador cobrou R$ 134 milhões do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o financiamento do filme biográfico de Jair Bolsonaro (PL), "Dark Horse", e a ampla divulgação da relação entre as fraudes milionárias investigadas do banco com a aposta publicitária bolsonarista, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro acusou Flávio de tê-la humilhado e maltratado durante uma conversa telefônica. 

Em vídeo publicado nas redes sociais, Michelle relatou um rompimento político e pessoal com o enteado após divergências sobre a articulação do PL no Ceará. Ela afirma que não fala com Flávio desde o fim de 2025 e nega ter condicionado apoio à candidatura do senador a um pedido público de desculpas.

Pressionado a se defender, após dizer que “ninguém o aborreceria”, uma vez que o vídeo foi postado em dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo, o senador negou as acusações e afirmou que “nunca humilhou uma mulher na vida”. Com o rompimento, Michelle anunciou sua saída da presidência do PL Mulher.

Dias depois, o empresário e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo afirmou que “mulheres votam estatisticamente mal, em especial as solteiras, já que, na visão dele, as casadas tendem a acompanhar os votos dos maridos. Também questionado, Flávio alegou que repudia as falas do apoiador e afirmou que ele não faz parte de sua campanha. 

Proximidade com os EUA

Também está em jogo na sua estratégia de pré-campanha uma proximidade com o governo de Donald Trump. Após visitar os dirigentes norte-americanos na Casa Branca, a gestão anunciou classificação das facções criminosas do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas, a pedido do senador. 

A definição, porém, não travou o interesse estadunidense de aplicar uma taxa de 25% nos produtos brasileiros, o que é alvo de um pedido de Flávio pelo adiamento, uma vez que, também para ele, beneficia a pré-campanha de Lula. Em carta, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, agradeceu o apoio de Flávio, mas afirmou que o país irá manter o tarifaço contra os produtos do Brasil.

Flávio participará, na próxima semana, de audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para discutir as tarifas propostas pelo governo Donald Trump sobre produtos brasileiros. O senador está confirmado para falar em 7 de julho.

Rejeição

Na última quarta-feira (1º), pesquisa Atlas/Bloomberg divulgou que Flávio tem o segundo maior índice de rejeição, chegando a 53% a porcentagem de pessoas entrevistadas que disseram que não votariam “de jeito nenhum” nele. Ele ficou atrás apenas do ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB), que alcançou 54% de rejeição. Em terceiro lugar, esteve Lula, com 48,6%.

O mesmo levantamento mostra a liderança do petista na corrida presidencial, tanto no cenário de primeiro turno quanto em todos os cenários de segundo turno. No principal recorte do primeiro turno, Lula registra 46,3% das intenções de voto, abrindo vantagem de 9,7 pontos percentuais sobre Flávio, que soma 36,6%. Já em um segundo turno com embate entre os dois, o atual presidente lidera com 48,8% das sinalizações, ao passo que o senador pontuou 42,3% delas.

Descontração como estratégia

Não é a primeira vez que Flávio adota essa postura mais “amigável” e “descontraída”, apesar de manter postura séria na maior parte das agendas. Em março, o pré-candidato fez sua entrada em participações de pré-candidaturas em capitais do Nordeste com danças de funk com pulos e giros. 

Nas ocasiões, Flávio também dançou ao som do “funk do 01”. A música, chamada “Zero um, novo capitão”, criada a partir do uso de inteligência artificial, conta com trechos que afirmam que “o legado está vivo” e que é para “esquecer o passado” e “focar no que vem”.

Durante agenda em Natal, por exemplo, a aposta veio com uma atitude descontraída, uso de óculos modelo juliete e uma camisa amarela com a frase "Nordeste é solução" – na contramão de uma alegação usada pela direita de que o Nordeste seria o problema, uma vez que a região tem um histórico de maior apoiar candidaturas de esquerda.

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Na época, a estratégia dividiu a opinião de apoiadores e críticos. “Que lindo que essa dancinha viralizou, o importante é o que a pessoa representa!” e “Ninguém segura!”, disseram seguidores do “filho 01”. “Na boa, não tá legal não. Gente presa, morrendo… Não é hora de dancinha. O negócio tá sério”, escreveu um usuário do Instagram. “Faltou só o nariz de palhaço!”, respondeu outro.

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