FIM DO MANDATO

Zema intensifica repasse de projetos em andamento para Mateus Simões

Durante inauguração do Hospital Regional de Divinópolis, governador sinaliza dobradinha entre Mateus Simões e clã Azevedo para o governo de Minas

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Prestes a deixar o mandato para desincompatibilização, conforme prevê a lei eleitoral, o governador Romeu Zema (Novo) disse que a prioridade para o restante do período em que estará à frente do governo é "passar para o vice-governador todos os projetos em andamento". Zema participou, nesta terça-feira (10/2), da cerimônia de conclusão das obras do Hospital Regional de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas.

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Ao lado do vice-governador, Mateus Simões, ele intensificou nos últimos meses visitas às cidades mineiras para entrega de obras e projetos.

"A minha prioridade é passar para o vice-governador todos esses projetos que estão em andamento. Muitos ele já está bem a par. Ele tem sido meu braço direito, uma peça fundamental. Somos um governo organizado e minha prioridade neste momento é estarmos fazendo as entregas", afirmou o governador.

Citando outros hospitais regionais, como os de Sete Lagoas, Governador Valadares, Conselheiro Lafaiete e Teófilo Otoni, Zema disse que Simões ainda continuará as entregas após sua saída do governo.

Afagos

Com a presença de lideranças políticas de várias cidades e de secretários municipais, a cerimônia marcou também a entrega simbólica de uma chave do prédio para o reitor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Marcelo Pereira de Andrade. A unidade, que atenderá 54 municípios, será gerida pelo Ministério da Educação por meio da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares  (Ebserh) e funcionará como hospital universitário.

Ao lado do reitor estavam o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), e o irmão dele, o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL). A chave simbólica foi entregue pelo vice-governador. A solenidade foi marcada por afagos trocados entre os irmãos e o vice-governador.

Nas últimas semanas, a possibilidade de Azevedo compor chapa para o governo de Minas tem surgido como alternativa para alinhamento da direita mineira.

Questionado durante coletiva, Simões respondeu em tom descontraído: "Essa eu também quero saber". Já na cerimônia, Azevedo não economizou elogios ao vice.

"Ninguém vai lembrar de vice. Eu tenho certeza que vocês vão lembrar, para o resto da vida, do Mateus Simões, assim como vocês vão lembrar da Janete, que é a minha vice. Porque quando é um governo eficiente, ninguém vai ficar do seu lado sem trabalhar. Vai ter que trabalhar. E o que mais teve durante esses dois mandatos do Zema foi o Mateus e o Zema trabalharem por toda Minas Gerais", afirmou.

Uma possível composição entre Simões e Azevedo passa pelo senador Cleitinho (Republicanos), até até aqui lidera as pesquisas. As articulações envolvem também o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. O estado é estratégico, por ser o segundo maior colégio eleitoral do país, e a legenda tem condicionado apoio ao vice-governador ao recuo de Zema.

Na coletiva, no entanto, o governador voltou a afirmar que manterá a candidatura até o final. Disse ainda que sabe montar time para ganhar. "Seguirei com a minha pré-candidatura e candidatura. O que sei fazer na vida é montar bons times para ganhar o jogo. Foi assim no setor privado — a empresa está lá funcionando com mais de 5 mil funcionários — e tem sido aqui no governo de Minas", afirmou.

Em crítica ao governo federal, disse que o Brasil "está a caminho de uma crise fenomenal".

"Aqui, em Minas, mostramos que é possível tirar o Titanic do fundo do mar. Consertamos aquilo que foi estragado no governo. E o Brasil está caminhando para uma crise fenomenal. É só conversar com um economista. Às vezes, nós que somos um pouco distantes da área não percebemos como essa bomba-relógio está armada e logo ela vai explodir", disse, afirmando que vai "elevar o debate".

"Porque temos propostas bem diferentes daquelas que a maioria da classe política sequer discute", enfatizou.

Hospital Regional

Quase 15 anos após o lançamento da pedra fundamental, o hospital regional deve começar a funcionar até o final deste semestre, conforme projeção do reitor da UFSJ. Inicialmente, a unidade abrirá as portas para casos clínicos. A Ebserh iniciou a compra dos equipamentos e, paralelamente, deverá começar o processo de contratações.

Projetado para atender casos de média e alta complexidade, o hospital contará com 202 leitos no total, sendo 30 de UTI adulto, 10 de UTI pediátrica, 10 de UTI neonatal, além de maternidade com quartos PPP (pré-parto, parto e pós-parto). Terá também pronto atendimento, bloco cirúrgico com oito salas, ambulatório e setor de diagnóstico e terapia, com exames como tomografia, ressonância magnética, mamografia, ultrassonografia e raio x.

A unidade oferecerá ainda atendimentos em obstetrícia clínica e cirúrgica, centro de parto normal tipo II, gestação de alto risco tipo II e especialidades como cirurgia geral e pediátrica, ortopedia, cardiologia, neurologia, urologia, clínica médica, pediatria, oftalmologia e serviços de saúde mental. Tudo deve estar em operação em até dois anos.

Paralisada desde 2016, a obra foi retomada em 2023 e concluída em dezembro de 2025. Para viabilizar a entrega da unidade, o governo de Minas investiu cerca de R$ 134 milhões, sendo aproximadamente R$ 49 milhões na execução das obras e outros R$ 85 milhões destinados à aquisição de equipamentos, de mobiliário hospitalar e às adequações necessárias ao funcionamento do hospital.

Os recursos são provenientes do Acordo Judicial de Brumadinho, firmado entre o governo de Minas, o Ministério Público de Minas Gerais, o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública de Minas Gerais e a Vale, que visa à reparação de danos coletivos e no fortalecimento de políticas públicas estruturantes.

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*Amanda Quintiliano especial para o EM

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