Cleitinho quer Bolsonaro em casa e impeachment de Moraes: "Não tenho medo"
Senador compara situação do ex-presidente à prisão de Lula na sede da PF e cobra mobilização do Congresso contra o ministro do STF
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O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) criticou, na manhã desta sexta-feira (16/1), a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para a chamada Papudinha, ala especial do Complexo Penitenciário da Papuda.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que a medida representa “perseguição política” e fez um apelo para que deputados e senadores atuem contra o magistrado. Na publicação, Cleitinho também disse que o ex-presidente "tem que estar em casa, livre".
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Na gravação, Cleitinho comparou a situação de Bolsonaro com a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ficou preso na sede da Polícia Federal durante o cumprimento de pena no âmbito da Operação Lava-Jato. “Engraçado que um descondenado, condenado em três instâncias por corrupção, ficou na Superintendência da Polícia Federal. Lembrando que o Bolsonaro não fez nada. Isso só mostra que isso é uma perseguição política”, disse o senador, ao se referir a Lula.
O parlamentar também mencionou o ministro Dias Toffoli e afirmou que a transferência serviria para “desviar o foco” de notícias envolvendo Moraes e Toffoli em apurações relacionadas ao Banco Master. “Só mostra que virou um caso pessoal do ministro Alexandre Moraes com o ex-presidente Bolsonaro”, afirmou.
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Cleitinho direcionou parte do discurso a parlamentares que tiveram apoio de Bolsonaro nas eleições. Segundo ele, não cabe mais apelos à população ou expectativas de interferência externa - como bolsonaristas acreditavam que Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, pudesse intervir na situação do ex-presidente.
“Quem tem que tomar vergonha na cara e intervir são os nossos senadores, nós que temos a prerrogativa”, declarou. O senador defendeu, ainda, o fim do recesso parlamentar para votação de matérias de interesse do grupo bolsonarista e mencionou a derrubada do veto presidencial à redução de penas como um “primeiro passo”.
O senador mineiro também voltou a defender a abertura de um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes.
Transferência e estrutura da Papudinha
A transferência de Bolsonaro foi determinada por Alexandre de Moraes para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, uma ala especial do Complexo da Papuda administrada pela PM. O local costuma abrigar autoridades condenadas, sobretudo policiais e militares. Atualmente, Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, também cumpre pena no complexo.
Segundo informações do sistema penitenciário do DF, a mudança oferece condições mais confortáveis ao ex-presidente em relação à sala onde ele estava detido na PF. A cela destinada a Bolsonaro tem 65 metros quadrados, sendo 55 metros cobertos, e capacidade para quatro pessoas, embora ele permaneça sozinho. O espaço tem quarto, sala, banheiro, cozinha, lavanderia e área externa.
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Bolsonaro também passa a ter direito a cinco refeições diárias, café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia, além de maior flexibilidade para visitas, que podem durar até duas horas às quartas e quintas-feiras. O regime interno permite o uso de roupas coloridas e a entrada de alimentos e itens que não são autorizados nas alas comuns da Papuda. A estrutura foi inspecionada pelo gabinete de Alexandre de Moraes em novembro, pouco antes da efetivação da prisão do ex-presidente.