Uma mulher que vive no estado americano de Utah, autora de um livro infantil sobre o luto pela morte do marido, foi condenada pelo assassinato do homem nesta segunda-feira (16/3).

Após uma deliberação de cerca de três horas, o júri, em um tribunal em Park City, nos Estados Unidos afirmou que Kouri Richins matou o marido em março de 2022, envenenando-o com uma bebida misturada com fentanil.

Durante o julgamento, o tribunal ouviu como Richins, de 35 anos, havia acumulado milhões de dólares em dívidas, feito seguros de vida em nome do marido e mantido um caso extraconjugal.

A promotoria apresentou mais de 40 testemunhas, incluindo a mulher que disse ter vendido as drogas usadas para matar Eric Richins.

A equipe de defesa optou por não apresentar nenhuma testemunha e encerrou a apresentação de provas sem que Kouri depusesse em sua própria defesa.

Ela também foi considerada culpada de fraudar o seguro de vida após a morte do marido em sua casa nos arredores da cidade turística de Park City.

Durante o julgamento, os promotores afirmaram que ela acreditava que herdaria a fortuna do marido, avaliada em mais de US$ 4 milhões, ou R$ 21,3 milhões, após sua morte.

Eles também disseram que a criminosa planejava um futuro com outro homem com quem mantinha um caso.

Causa da morte

As autoridades disseram que ela envenenou um sanduíche do marido em um incidente anterior, quase levando à sua morte, e depois aumentou a dose até que ele morresse. Isso também a levou a ser culpada de tentativa de homicídio.

Richins se declarou inocente de todas as acusações. A mais grave, homicídio qualificado, prevê pena de 25 anos.

"Ela queria deixar Eric Richins, mas não queria deixar o dinheiro dele", disse o promotor do condado de Summit, Brad Bloodworth.

Richins foi presa em março de 2023, dois meses depois de publicar o livro infantil Are You With Me? ("Você está comigo?", em tradução literal), que, segundo ela, foi criado para ajudar pessoas — incluindo seus três filhos — a lidar com a morte de um ente querido.

"Escrevemos este livro e esperamos sinceramente que ele traga algum conforto não só para a nossa família, obviamente, mas também para outras famílias que estejam passando pela mesma situação", disse ela à rádio KPCW em uma entrevista antes de sua prisão.

Ela dedicou o livro ao marido, chamando-o de "meu marido incrível e um pai maravilhoso".

De acordo com documentos judiciais, entre dezembro de 2021 e fevereiro de 2022, Kouri enviou uma mensagem de texto a uma pessoa que já havia sido presa por acusações de tráfico de drogas, pedindo analgésicos vendidos apenas sob prescrição médica.

Ela recebeu pílulas de hidrocodona, antes de solicitar algo mais forte, pedindo especificamente fentanil.

Três dias depois de ela supostamente ter obtido as drogas, ela e o marido jantaram no Dia dos Namorados, data após a qual ele adoeceu.

"Eric acreditava que havia sido envenenado", diziam os documentos do tribunal. "Eric disse a um amigo que achava que sua esposa estava tentando envenená-lo."

Duas semanas depois, Richins adquiriu mais fentanil.

Os promotores afirmaram que, em 4 de março de 2022, ela ligou para a polícia no meio da noite dizendo que havia encontrado o marido inconsciente.

Ela contou às autoridades que havia servido ao marido uma bebida com vodca na cama e depois ido dormir com um de seus filhos pequenos, que estava tendo um pesadelo. Mais tarde, ela voltou ao quarto do marido e o encontrou "frio ao toque".

Um legista constatou posteriormente que o homem havia morrido de overdose de fentanil.

O julgamento

No primeiro dia do julgamento, o promotor disse ao júri que Kouri Richins tinha uma dívida de US$ 4,5 milhões e estava sendo processada por um credor.

Uma das testemunhas ouvidas durante o julgamento, Carmen Lauber, faxineira que trabalhava para a família Richins, confessou ter vendido comprimidos ilícitos para a Kouri em quatro ocasiões no início de 2022.

A defesa da mulher argumentou que Eric Richins sofria da doença de Lyme, era viciado em analgésicos e que sua morte foi causada por uma overdose.

Seus advogados também alegaram que não existem provas suficientes para condená-la, já que não foram encontradas drogas no quarto onde Eric morreu, os utensílios usados para fazer o drinque de vodca nunca foram testados e a certidão de óbito listava a causa da morte como "desconhecida".

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A sentença será anunciada no dia 13 de maio.

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