Tragédia na BR-251: acidentes no feriado dobram mortes e expõem perigos
Colisão em Salinas resulta na morte de seis pessoas da mesma família e expõe trechos críticos em Francisco Sá, Grão Mogol e Salinas (MG), na Região Norte
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Só no feriado prolongado de Tiradentes, dois desastres foram registrados na BR-251, no Norte de Minas. Com isso, mais que dobrou o número de mortes na rodovia, passando de sete, entre janeiro e fevereiro, para 15, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A reportagem do Estado de Minas reuniu as ocorrências da PRF de 2025 e de 2026 (janeiro e fevereiro) e mostra como o risco é crescente nos trechos mais mortais da BR-251.
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Na madrugada desta terça-feira de feriado do Dia de Tiradentes (21/04), seis pessoas de uma mesma família morreram quando o veículo Fiat Palio com placa de São Paulo, que seguia para a Bahia, bateu de frente em uma carreta, em Salinas, no km 164, entre o trevo de Curral de Dentro e o distrito de Planalto.
Morreram o pai que conduzia o veículo, de 50 anos, a mãe, de 40, os filhos de 3, 10 e 15, e a avó materna, de 60.
No sábado (18/04), duas pessoas morreram e outras oito ficaram feridas no município de Grão Mogol, quando uma carreta bitrem tombou, atingindo um caminhão e um carro da saúde do município de São João do Paraíso, que era usado no transporte de pacientes para tratamento em Montes Claros.
Acidentes por cidades em 2026:
- O maior registro de acidentes até fevereiro de 2026 foi no município de Francisco Sá, com 16 ocorrências, cinco mortes e 58 pessoas feridas.
- Em seguida, aparece Grão Mogol, com 14 sinistros, uma morte e 27 feridos.
- Salinas aparece em terceiro, com cinco ocorrências que levaram a uma morte e a nove pessoas com ferimentos.
No ano passado, foram 18 pessoas mortas em 54 sinistros ocorridos em Grão Mogol, 14 óbitos em 57 sinistros em Francisco Sá e sete mortes em Salinas, resultadas de 32 sinistros.
Acidentes por rodovias em 2025:
Em 2025, a Rodovia BR-251 foi a quinta com mais mortes, somando 51 óbitos em 271 sinistros e 374 feridos. Antes dela estão:
- BR-381, com 158 vítimas em 2.845 sinistros;
- BR-040, com 153 mortes e 1.972 acidentes;
- BR-116, com 124 óbitos e 1.412 sinistros;
- BR-262, com 101 vidas perdidas e 1.095 ocorrências
O que causa acidentes?
A reportagem do Estado de Minas também analisou as ocorrências de 2025 e de 2026 (janeiro e fevereiro) nos trechos mais mortais da BR-251 para relacionar os fatores envolvidos na maioria dos desastres.
O trecho de Salinas, onde ocorreu o sinistro deste feriado de Tiradentes, é o terceiro mais crítico. Apresenta alto risco devido à combinação de pista simples e topografia acidentada (declives e curvas).
O comportamento humano é o principal catalisador, com destaque para a reação tardia, o descumprimento da distância de segurança e a fadiga (dormir ao volante), que transformam erros em sinistros graves.
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As fatalidades e ferimentos graves estão concentrados em colisões frontais e transversais, quase sempre resultantes de invasões de contramão e ultrapassagens indevidas em áreas de visibilidade limitada.
Os pontos críticos entre o km 295 e o km 325 mostram uma recorrência de saídas de pista e tombamentos em curvas, evidenciando falhas na percepção de velocidade e traçado.
Adicionalmente, há um volume atípico de incêndios por falhas mecânicas no setor inicial (km 259-273), sugerindo que o esforço motor exigido pelo relevo local expõe a precariedade da manutenção da frota.
Como prevenir acidentes?
Para mitigar os sinistros nesse trecho, a recomendação é o respeito à sinalização de proibição de ultrapassagem e a manutenção de distância segura, especialmente em declives.
Condutores devem realizar paradas estratégicas para descanso e vistorias preventivas no sistema de arrefecimento e freios antes de trafegar pelo trecho. Recomenda-se ainda atenção redobrada ao entrar na via em interseções e rotatórias, onde a percepção de fluxo tem se mostrado falha.
Quais os perigos dos dois trechos mais críticos da BR-251?
O trecho mais violento da BR-251 corta o município de Francisco Sá, onde foram registradas 19 mortes e 129 feridos em 73 sinistros, sendo o segmento mais violento entre o km 470 e o km 475. A geometria da via é o fator ambiental determinante para a alta severidade dos sinistros.
Uma combinação de pista simples, curvas acentuadas e declives pronunciados cria um cenário onde as causas são velocidade incompatível do veículo e situações de pista escorregadia resultam em perdas de controle. A alta incidência de óbitos e feridos graves está diretamente ligada à falha de frenagem e ao excesso de confiança em trechos de serra.
Os tipos de acidentes mais recorrentes são as saídas de pista e o tombamento (intimamente relacionado a veículos de transporte de carga), concentrados nos pontos de declividade acentuada onde a inércia dos veículos de carga sobrecarrega os sistemas de segurança.
Colisões frontais e laterais no sentido oposto também são críticas, frequentemente disparadas por tentativas de ultrapassagem indevida ou perda de aderência em dias de chuva.
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O km 474 se destaca como o ponto de maior letalidade, com sete mortes em sete sinistros e 55 feridos. As falhas mecânicas e a alta velocidade resultam em múltiplos feridos por evento.
O comportamento dos condutores revela uma negligência quanto à distância de segurança e ao estado de manutenção dos veículos, evidenciado por sinistros causados por "problemas com o freio" e "pneus desgastados".
Fatores humanos, como condutor dormindo e ingestão de álcool, aparecem em trechos mais retilíneos (km 491-506), mas é a imperícia no controle da velocidade em descidas que define o perfil de risco deste segmento.
O segundo município crítico é Grão Mogol, com 19 mortos e 116 feridos em 68 sinistros. O trecho rural de pista simples apresentou fatores críticos como a velocidade incompatível e a pista escorregadia.
Fatores comportamentais como fadiga (condutor dormindo) e a ausência de reação indicam um perfil de tráfego de longa distância negligente às variações geométricas da via, resultando em altos índices de feridos.
As saídas de pista e os tombamentos predominam em segmentos sinuosos e declives (especialmente nos kms 427, 428 e 441), sendo potencializados por condições de chuva.
As colisões frontais e laterais em curvas se destacam pela extrema letalidade, frequentemente resultantes de invasão de pista ou reações tardias em períodos noturnos e de visibilidade reduzida.
Os pontos críticos entre os kms 420 e 450 concentram a maior carga de vítimas, com destaque trágico para o km 441, que registrou nove mortes sob chuva.
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Já nos trechos de reta, há uma recorrência atípica de incêndios por falhas mecânicas e colisões traseiras, sugerindo déficit de manutenção veicular e desrespeito sistemático à distância de segurança.
Trechos mais críticos da BR-251
- Serra de Francisco Sá: trecho entre o km 470 e o km 475 é o mais letal devido à geometria sinuosa e fluxo de carretas;
- Km 441 em Grão Mogol: ponto de alta periculosidade com histórico de nove mortes registradas sob condições de chuva;
- Trevo de Salinas: região do km 164 apresenta riscos em ultrapassagens indevidas e colisões frontais;
- Curva da Morte (km 474): local marcado por falhas mecânicas e excesso de velocidade em descidas acentuadas;
- Trecho Montes Claros-Janaúba: área de tráfego intenso aguarda obras de duplicação para reduzir colisões transversais;
- Km 295 em Salinas: ponto crítico para interdições prolongadas causadas por choques entre veículos pesados;
- Km 259 ao km 273: setor inicial com volume atípico de incêndios decorrentes de falhas mecânicas no motor;
- Grão Mogol (km 420-450): área rural de pista simples propensa a tombamentos em dias chuvosos.
Cuidados para enfrentar a rodovia
- Manutenção periódica: revise os sistemas de freio e arrefecimento, especialmente antes de enfrentar trechos de serra;
- Verificação de pneus: evite trafegar com pneus desgastados, pois a rodovia possui trechos com baixa aderência em dias de chuva;
- Respeito à distância: mantenha distância de segurança dos veículos de carga para garantir tempo de reação em frenagens bruscas;
- Pausas para descanso: programe paradas a cada duas horas para evitar a fadiga, principal causa de acidentes em retas;
- Velocidade reduzida: respeite os limites indicados, especialmente nos declives pronunciados onde o controle do veículo é dificultado.