BH: armas desviadas de delegacia voltaram a ser usadas em crimes; diz PCMG
Informação consta em parte do processo criminal contra servidora afastada e investigada por desviar mais de 200 armas
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Um inquérito policial concluído pela Corregedoria-Geral de Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), apontou que armas de fogo desviadas da 1ª Delegacia do Barreiro, em Belo Horizonte, voltaram a circular e foram apreendidas em diversas ocorrências pelo estado. O documento faz parte da investigação contra a servidora Vanessa de Lima Figueiredo, de 44 anos, acusada de desviar cerca de 200 armas de fogo, documentos e dinheiro da delegacia em BH. O caso aconteceu em 2019. O relatório da Corregedoria indica o reaparecimento, anos depois, de armas que foram apreendidas e deveriam estar sob custódia da polícia.
Procurada pelo Estado de Minas, a Polícia Civil informou que o inquérito foi encaminhado à Justiça. "A Polícia Civil tem adotado, desde 2020, todas as providências para adequação de suas rotinas operacionais aos novos parâmetros legais trazidos pela Lei nº 13.964/2019, incluindo a ampliação das Centrais de Cadeia de Custódia em Minas Gerais", disse em nota.
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Ainda segundo a corporação, a norma trouxe a necessidade de reunir toda a documentação e história dos vestígios criminais, garantindo o devido acondicionamento dos materiais em conformidade com a nova lei, até a sua destinação final. "No interior do estado, pelo menos 60 cidades polos possuem estruturas de custódia, que já cumprem esse papel em todas as regiões de Minas Gerais, atuando na salvaguarda de vestígios criminais, incluindo armas", destacou. Na capital mineira, a polícia afirmou que segue trabalhando na implantação da Central de Custódia.
Relembre o caso
A descoberta do desvio das armas veio à tona a partir da apreensão de uma arma, que deveria estar na delegacia em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Um inventário a partir dessa apreensão foi instaurado e descobriu-se que não só essa arma estava desaparecida, mas também outras 199. Além disso, o dinheiro que deveria estar guardado na mesma sala havia desaparecido.
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Envelopes com dinheiro apreendido estavam violados e vazios dentro de um armário, ao qual nenhum outro policial da delegacia tinha acesso ou conhecimento. Anexo ao processo, estão imagens que mostram a servidora entrando e saindo da delegacia, em vários dias, sempre carregando sacolas e bolsas bastante volumosas. O Ministério Público aponta que os registros desse entra e sai coincidem com a movimentação de veículos em frente à unidade policial. Numa das imagens, Vanessa faz a transposição do porta-malas de um carro para outro. Essas imagens mostram também que ela teve ajuda de um homem.
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Testemunhas arroladas dão conta que a acusada assumiu sozinha o protocolo e o controle da sala de materiais desde 2019. Ela tornou-se a única responsável pela guarda e recebimento dos objetos no sistema eletrônico. Em dezembro de 2025, a mulher teve a denúncia feita pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) acolhida pelo juiz Alexandre Magno de Resende Oliveira, da 2ª Vara Criminal da Comarca de BH, e se tornou ré.