BALANÇO

Virada Cultural de BH ficou menor em 2024, mas não perdeu o pique

Com edição mais modesta, evento lotou o Parque Municipal com Lenine, atraiu multidão com Lagum e resgatou o brilho da Praça Raul Soares

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Duzentas e trinta atrações, alcançando a marca de mil artistas, passaram por 15 espaços de Belo Horizonte na Virada Cultural. Foram mais de 24 horas de apresentações, das 18h de sábado (24/8) às 19h de domingo (25/8), com direito às tradicionais gaymada, corrida de rolimã e festas. Tais números são superlativos em qualquer situação. Mas esta edição comprovou um movimento iniciado nos últimos anos. A Virada está ficando menor, tanto em número de atrações quanto de público.

Menor não quer dizer pior, diga-se. Apenas outro formato, com palcos menores e artistas com menos apelo popular. No entanto, o conceito da edição de estreia (2013) continua o mesmo: ocupação da área central de BH com acesso gratuito e a maior diversidade possível de atrações.




“Revisitar esse repertório é motivo de muito orgulho para nós. Trinta anos depois, a criança continua jovem”, afirmou Lenine no Parque Municipal, lotado, durante o show de encerramento da Virada, no início da noite de domingo (25/8).


A “criança”, no caso, é “Olho de peixe” (1993), disco do cantor e compositor pernambucano com o percussionista carioca Marcos Suzano. Este segundo trabalho da carreira de Lenine o projetou nacionalmente.

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No palco, a dupla foi acompanhada do flautista Carlos Malta (que participou das gravações do álbum) e de quatro percussionistas, Gabriel Policarpo, Nega Deza, Raquuel Coutinho e Jovi Joviniano.

Multidão lota o Parque Municipal de BH para ver Lenine cantar

Multidão que lotou o Parque Municipal de BH para ver Lenine comprova o acerto da promoção de eventos artísticos gratuitos na cidade

Túlio Santos/EM/D.A Press


O show começou com “Acredite ou não” (Lenine e Bráulio Tavares), primeira faixa do disco. “Olho de peixe” foi executado na íntegra e na ordem, com suas 11 faixas. BH foi o segundo local em que ele e Suzano revisitam o disco (a estreia ocorreu em janeiro, no Rio).


Encerrado o repertório do álbum, a apresentação seguiu com canções de “O dia em que faremos contato” (1997), disco mais conhecido do compositor. “Esta maratona merece vida longa”, acrescentou Lenine, que deixou o palco Fecomércio às 18h55, depois do sucesso “A ponte”.

Filas pra ver Lagum

Com a reforma da Praça da Estação, até então o palco principal da Virada, a vizinha Rui Barbosa foi convocada. A área da Estação é muito maior, assim como o campo de visão. No show do Lagum, o mais cheio da noite de sábado (24/8), houve filas e dificuldade para atingir o local, com apenas um acesso.


Foi também o show mais longo da noite (100 minutos), com grande interação com o público. Em “Eu não valho nada”, a surpresa: MC Vitin da Igrejinha subiu ao palco com “Baile do morro”, sucesso no TikTok.

Lagum se apresenta no palco durante a Virada Cultural de BH

Lagum fez o show mais concorrido do sábado (24/8) da Virada Cultural de BH

Túlio Santos/EM/D.A Press


Os antecessores do Lagum, Mangaia, Douglas Din e Laura Sette, todos na praia do hip-hop, se apresentaram para público pequeno. A popularidade da banda pop mineira é inconteste. Mas a impressão que se teve, no caminhar pela região, era de que as pessoas esperaram a noite cair para ir à Virada.

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Em um passado nada distante, o início do evento já levava muita gente para as ruas. Porém, o movimento cresceu com o decorrer da noite de sábado, não só na Rui Barbosa, como nas praças Sete (com forró de um lado e música eletrônica do outro, em festas que vararam a madrugada), Raul Soares e Parque Municipal.

Indígenas no palco


O parque recebeu atrações em diferentes locais. Não só shows, mas oficinas, piqueniques, aulas de dança – no domingo, o público da Virada se misturou aos frequentadores do parque e da Feira Hippie. O principal espaço foi o Fecomércio, que encheu no sábado com o show “Pindorama vive”, da cantora sergipana Héloa ao lado do grupo indígena Sabuká Kariri-Xocó.


No domingo (25/8), um bom número de cantores e compositores de BH passou pelo local, como a banda Graveola. Foi uma apresentação intimista, de trio – Joana Bentes, José Luis Braga e Thiago Correa, só voz, violões e baixo. Em dado momento, Júlia Branco se juntou a eles para cantar “Horizonte”.


Com a temperatura na casa dos 30°C à tarde, quem conseguiu assistiu aos shows nas áreas de sombra do Parque Municipal. Com Belo Horizonte enfrentando longo período de estiagem e baixa umidade do ar, só mesmo com muita água e cerveja para aguentar a maratona diurna da Virada.

Praça do Samba

Novidade nesta edição, Praça do Samba “rebatizou” a Raul Soares. Foi um dos acertos não só pelo tom dos shows, mas por resgatar um espaço essencial da capital mineira, escanteado durante muitos anos. A revitalização não é só da praça da década de 1930, mas de todo o seu entorno (Edifício JK, bares e restaurantes, com destaque para a Galeria São Vicente, reocupada nos dois últimos anos).

Adriana Araújo faz show junto do público na Praça Raul Soares, em BH

Na Praça Raul Soares, Adriana Araújo desceu do palco e caiu no samba junto do público

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press


Funcionou para os shows, com o palco baixo que recebeu dezenas de cantores e instrumentistas de samba, pagode e choro. Na noite de sábado (24/8), o movimento foi tranquilo – o espaço se dividiu entre o palco e performances em outras áreas da praça. Uma das melhores foi a da fanfarra Belina Orkestar, coletivo que toca música dos Bálcãs.


Só que a Raul Soares tem vegetação baixa, com raras árvores de porte. No domingo (25/8), as poucas áreas de sombra foram tomadas pelo público nos intervalos. Na hora das apresentações mais disputadas, a temperatura subiu. Mas diante do criador de hits Toninho Geraes e da musa Adriana Araújo, os fãs nem se importaram.

É como diz o sucesso de Toninho: “Quem tem a alma boêmia/ Não consegue segurar.”

*Colaboraram Cecília Amaral e Túlio Santos

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