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Estado de Minas TRIPLAMENTE QUALIFICADO

Justiça condena a 26 anos de prisão jovem que matou ex em BH

Os dois tinham 20 anos à época do crime; criminoso também tentou matar a mãe da vítima


26/07/2021 20:39 - atualizado 26/07/2021 21:36

Talisson Alves Martin da Silva foi condenado por assassinar Ester Ferreira Gomes (foto: Marcelo Gomes de Almeida/TJMG e Reprodução/sagradofeminista/Instagram)
Talisson Alves Martin da Silva foi condenado por assassinar Ester Ferreira Gomes (foto: Marcelo Gomes de Almeida/TJMG e Reprodução/sagradofeminista/Instagram)

 

A Justiça condenou o jovem Talisson Alves Martin da Silva a 26 anos e três meses de prisão por feminicídio contra sua ex-namorada, cometido em 17 de março do ano passado. Ester Ferreira Gomes levou três tiros no Bairro Alto Vera Cruz, Região Leste de BH, no momento em que se dirigia ao trabalho.


A condenação foi por homicídio com três qualificadoras:

 

 

  • motivo torpe (por não aceitar o fim do relacionamento) 
  • uso de recurso que dificultou a defesa da vítima (Ester se dirigia ao trabalho e não esperava encontrar com Talisson) 
  • feminicídio

 

 

Parte da sentença também diz respeito à tentativa de homicídio de Talisson, que tinha 20 anos à época do crime, contra a mãe de Ester, Fernanda Fernandes Gomes. Ele chegou a puxar o gatilho, mas a arma falhou, segundo a Justiça.

O julgamento começou no início da manhã desta segunda (26/7). Talisson confessou o crime, mas negou que premeditou o feminicídio. Disse que andava armado porque estava sendo ameaçado e que atirou após uma discussão com a ex. O réu pediu desculpas à família da vítima afirmando que nada justificava o que ele fez.

 

Momento em que juíza anuncia condenação de Talisson Alves Martin da Silva(foto: Marcelo Gomes de Almeida/TJMG)
Momento em que juíza anuncia condenação de Talisson Alves Martin da Silva (foto: Marcelo Gomes de Almeida/TJMG)
 


A decisão foi do Conselho de Sentença do 3º Tribunal do Júri de Belo Horizonte.

'Muito alegre'


Conhecida pela alegria, Ester começou a se relacionar com Talisson ainda adolescente. Quando ela tinha 15 anos, o pai de Talisson Alves Martin da Silva foi até a casa dela pedir permissão para os dois jovens namorarem, já que ambos tinham menos de 18 anos. Fernanda logo desaprovou.

 

"Mas por amor a ela, por ser uma boa filha, esforçada, trabalhadora, eu disse ao pai que concordava, mas sabia que se fosse escondido, seria pior", disse ao Estado de Minas em entrevista no último dia 13.

Ester sempre foi muito sorridente e a mãe conta que a filha acolhia os problemas do namorado. "Ele tinha muitos problemas com a família, problemas financeiros, parou de estudar. Minha filha comprou o primeiro celular dele", contou a mãe.

Durante os cinco anos de relacionamento, Ester escondia as violências que passava. "Hoje eu entendo que ela tinha vergonha, tinha medo. Ela era uma jovem muito alegre, sempre conversava com as amigas sobre relacionamentos abusivos, então ninguém imaginava que ela vivia essa situação", relatou.

 

Ester terminou o relacionamento após sofrer violências física e psicológica(foto: Arquivo pessoal)
Ester terminou o relacionamento após sofrer violências física e psicológica (foto: Arquivo pessoal)


A mãe conta que Ester chegou a maquiar um dos braços para esconder o hematoma.

No fim de 2019, Ester rompeu o relacionamento. Ela, destroçada diante das violências, buscou forças para realizar o sonho de colocar silicone nos seios.

A mãe relata que a jovem disse: ''assim que eu colocar silicone, eu vou terminar o meu namoro. Ele desacredita da minha capacidade, dos meus sonhos. Não acredita que vou fazer faculdade, que sou capaz''. 

 

Término e feminicídio

Fernanda conta que a filha deu a notícia do término do namoro aliviada. Ela chegou em casa, rasgou as fotos, deletou os registros dos telefones e disse determinada à mãe que iria estudar e tirar carteira de moto para ir ao trabalho e a faculdade.

 

Mas não passou muito tempo para Talisson procurar por Ester. A jovem se manteve firme na decisão e o ex-namorado começou a ameaçá-la.


Ele a perseguia por meio do telefone, mas também intimidava a vítima ao rondar a casa dela.

No dia 17 de março de 2020, o ex-companheiro abordou Ester, também com 20 anos à época. A mãe interveio ao reforçar que os dois não tinham mais um relacionamento, que era para o rapaz deixá-la em paz.

 

Mas, na sequência, o homem sacou uma arma e deu um tiro na cabeça de Ester. A mãe ainda tentou entrar na frente dos disparos, mas não conseguiu evitar a tragédia.

 

Ester deixou três irmãos: Júnior, de 26, Matheus, de 23, e Marco, de 19. 

 

O que é feminicídio?

Feminicídio é o nome dado ao assassinato de mulheres por causa do gênero. Ou seja, elas são mortas por serem do sexo feminino. O Brasil é um dos países em que mais se matam mulheres, segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

A tipificação do crime de feminicídio é recente no Brasil. A Lei do Feminicídio (Lei 13.104) entrou em vigor em 9 de março de 2015.

Entretanto, o feminicídio é o nível mais alto da violência doméstica. É um crime de ódio, o desfecho trágico de um relacionamento abusivo.

O que diz a Lei do Feminicídio?

Art. 121, parágrafo 2º, inciso VI
"Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve:
I - violência doméstica e familiar;
II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher."

Qual a pena por feminicídio?

Segundo a 13.104, de 2015, "a pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado durante a gestação ou nos 3 (três) meses posteriores ao parto; contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos ou com deficiência; na presença de descendente ou de ascendente da vítima."

Como denunciar violência contra mulheres?

  • Ligue 180 para ajudar vítimas de abusos.
  • Em casos de emergência, ligue 190.

Leia mais:

 


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