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Estado de Minas COVID-19

Vacinados nos Estados Unidos temem pelos parentes no Brasil

Valadarenses que moram em cidades norte-americanas festejam o fato de já terem sido imunizados, mas destacam preocupação com familiares no Brasil


20/04/2021 06:00 - atualizado 20/04/2021 08:40

Flávia Rosado, que vive em Ashland, Massachusetts, tomou a Moderna entre janeiro e fevereiro: ''Garantidos os direitos básicos do ser humano''(foto: Arquivo pessoal)
Flávia Rosado, que vive em Ashland, Massachusetts, tomou a Moderna entre janeiro e fevereiro: ''Garantidos os direitos básicos do ser humano'' (foto: Arquivo pessoal)

Enquanto milhões de brasileiros com idade inferior a 60 anos, e que não se enquadram nos grupos prioritários, sonham tomar a vacina contra a COVID-19, milhares de mineiros de Governador Valadares que moram nos Estados Unidos, na faixa etária dos 30 anos, já receberam os imunizantes da Pfizer e da Moderna. Ao mesmo tempo em que revelam preocupação com parentes no Brasil, eles exaltam a felicidade por ter sido vacinados.

“Estou muito feliz de estar aqui nesse país e ter garantidos para mim e para a minha família alguns dos direitos básicos do ser humano”, comentou Flávia Rosado, de 35 anos, valadarense que há 10 mora em Ashland, Massachusetts, nos Estados Unidos.

Ela tomou a primeira dose da vacina contra a COVID-19, da Moderna, em janeiro. A segunda foi aplicada em fevereiro. Sentiu alguns efeitos colaterais, como inchaço no braço em que recebeu a aplicação inicialmente e, na sequente, muita dor no corpo. “Mas foi coisa rápida. No outro dia eu estava bem. Eu tomaria essa vacina quantas vezes fossem necessárias”, disse.

Antes, Flávia havia contraído a COVID-19, no fim de 2020, mas teve sintomas muito brandos, segundo ela. Situação oposta viveu Fabiane Bodine, de 40, outra mineira de Governador Valadares, moradora de Lakeland, Flórida.

Fabiane Bodine, de Lakeland, na Flórida, exalta velocidade da vacinação e a prioridade por trabalhar como professora (foto: Arquivo pessoal)
Fabiane Bodine, de Lakeland, na Flórida, exalta velocidade da vacinação e a prioridade por trabalhar como professora (foto: Arquivo pessoal)
Ela também teve a doença, em novembro de 2020. Sentiu muita dor de cabeça e mal-estar generalizado, ficou de quarentena com sua família (marido e dois filhos) e relata que, depois de curada do coronavírus, continuou com sintomas de gripe e muito cansaço até janeiro deste ano. Para piorar, teve um contágio em dose dupla: COVID-19 e Influenza A.
 
Fabiane tomou a vacina da Moderna em março, e teve essa prioridade por ser professora. Dias depois, já não se sentia assim tão privilegiada por causa da velocidade do programa de vacinação norte-americano. “Aqui no meu estado, logo depois que eu me vacinei, a vacina contra a COVID-19 foi liberada para pessoas com idade acima de 18 anos”, disse.


Protocolo 


Nos Estados Unidos, diferentemente do que ocorre no Brasil, a pessoa toma a vacina contra o coronavírus e fica esperando de 15 a 30 minutos, sentada no local de vacinação, observada pelos profissionais de saúde. Se não acusar efeito colateral imediato, é liberada. Mas, em casa, são comuns relatos de febre, calafrios, dor no corpo. Foi o caso de Fabiane. Seu marido ficou febril. Mas nada que a impediu de trabalhar e seguir a vida.

Em Governador Valadares, a médica coordenadora de imunização da Secretaria Municipal de Saúde, Márcia Cordeiro, disse que quem toma a vacina CoronaVac ou AstraZeneca é liberado imediatamente.

“Orientamos a pessoa que, caso tenha algum sintoma, que volte à sala de vacina para fazer a notificação e procurar atendimento médico. Recebemos algumas poucas queixas, como febre, dor no corpo, dor de cabeça, diarreia, mas tudo muito leve”, descreve a médica.

Vacinada lá e com os pais na fila aqui

Com sintomas ou sem sintomas, a verdade é que os mineiros de Governador Valadares que moram nessa cidade do Vale do Rio Doce invejam os amigos e parentes que se deslocaram para cidades norte-americanas.

Fabiana Neves, de 35, disse que suas primas que vivem em Marlborough, cidade do estado de Massachusetts, bem mais novas que ela, já tomaram a segunda dose e estão tranquilas. “E eu aqui em Valadares sem saber quando vou me vacinar”, compara, sem tom otimista. “Quem sabe no fim do ano?”

Patrícia Miranda de Souza-Roland, de 35, mais uma imigrante valadarense jovem e imunizada contra a COVID-19, moradora do Condado de Burlington, New Jersey, está segura por ter se vacinado, mas se preocupa com os pais, que moram em Governador Valadares. Eles não foram imunizados ainda, por não se enquadrar na faixa etária acima de 65 anos, conforme a programação municipal. Em tempos de pandemia, em que prevalece o clima de tensão e tristeza, Patrícia receita paciência ao tratar do assunto que incomoda os valadarenses, como a vacinação lenta, em contraponto com a velocidade em que ocorrem as mortes.

“Aguentem firme! A hora de vocês se vacinarem vai chegar. Enquanto essa hora não chega, não se aglomerem e tomem todos os cuidados”, disse, lembrando que agora a maioria dos americanos está ansiosa para sair de casa, se divertir, abraçar os amigos. “Mas lembrem-se de que, mesmo depois da vacina, ninguém pode se descuidar”, recomenda.

Vacinação para todos acima de 18


O governo dos Estados Unidos anunciou que o país conseguiu vacinar metade de sua população adulta com pelo menos uma dose do imunizante contra o coronavírus e começou ontem a aplicar os fármacos em todas as pessoas com mais de 18 anos, enquanto o vírus faz estragos em outros países, como Índia e Peru.

As notícias positivas dos Estados Unidos, o país mais afetado do mundo pela pandemia, são divulgadas em um momento de flexibilização das restrições em várias nações europeias e do início de um corredor de viagens, uma "bolha", sem a necessidade de quarentena, entre Austrália e Nova Zelândia.

Ao mesmo tempo, nações como a Índia, que registrou mais de 273.810 casos nas últimas 24 horas, estão sofrendo nova onda de contágios e seu sistema de saúde está à beira do colapso.

Na América Latina, a pandemia também avança com força. O Peru registrou no domingo, pela primeira vez, mais de 400 mortes diárias por COVID-19, em uma fase de aumento de contágios provocado pela variante brasileira do vírus.

O governo anunciou o retorno, a partir de 25 de abril, de quarentena dominical obrigatória em Lima e em 41 das 196 províncias peruanas, principalmente da zona andina e da costa, consideradas em "risco extremo".

Na Europa, para frear a propagação das variantes do vírus, a França anunciou que vai multar em 1.500 euros (US$ 1.800) os viajantes procedentes do Brasil, Argentina, Chile e África do Sul que violarem a quarentena obrigatória de 10 dias após a chegada ao território francês.

Esse tipo de confinamento foi adotado para brasileiros e cidadãos desses outros países também na França (que na última semana suspendeu voos com o Brasil) e a Espanha.

Flexibilização 

Ao mesmo tempo, vários países europeus se preparam para flexibilizar as restrições locais. Isso acontecerá durante esta semana em Portugal, Suíça, Bélgica, Eslovênia, Eslováquia, Mônaco e Dinamarca, entre outros.

Do outro lado do planeta, Austrália e Nova Zelândia vislumbraram a normalidade ontem, quando inauguraram um aguardado corredor de viagens sem quarentena.

Membros de famílias se reuniram, sem conter as lágrimas, no aeroporto de Sydney, enquanto várias pessoas se preparavam para os primeiros voos em mais de um ano, desde que a Nova Zelândia fechou as fronteiras.

O que é um lockdown?

Saiba como funciona essa medida extrema, as diferenças entre quarentena, distanciamento social e lockdown, e porque as medidas de restrição de circulação de pessoas adotadas no Brasil não podem ser chamadas de lockdown.


Vacinas contra COVID-19 usadas no Brasil

  • Oxford/Astrazeneca

Produzida pelo grupo britânico AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, a vacina recebeu registro definitivo para uso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No país ela é produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

  • CoronaVac/Butantan

Em 17 de janeiro, a vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan no Brasil, recebeu a liberação de uso emergencial pela Anvisa.

  • Janssen

A Anvisa aprovou por unanimidade o uso emergencial no Brasil da vacina da Janssen, subsidiária da Johnson & Johnson, contra a COVID-19. Trata-se do único no mercado que garante a proteção em uma só dose, o que pode acelerar a imunização. A Santa Casa de Belo Horizonte participou dos testes na fase 3 da vacina da Janssen.

  • Pfizer

A vacina da Pfizer foi rejeitada pelo Ministério da Saúde em 2020 e ironizada pelo presidente Jair Bolsonaro, mas foi a primeira a receber autorização para uso amplo pela Anvisa, em 23/02.

Minas Gerais tem 10 vacinas em pesquisa nas universidades

Como funciona o 'passaporte de vacinação'?

Os chamados passaportes de vacinação contra COVID-19 já estão em funcionamento em algumas regiões do mundo e em estudo em vários países. Sistema de controel tem como objetivo garantir trânsito de pessoas imunizadas e fomentar turismo e economia. Especialistas dizem que os passaportes de vacinação impõem desafios éticos e científicos.


Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus.

 

 

Entenda as regras de proteção contra as novas cepas



 

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.


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