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Estado de Minas

Mineira de 103 anos vence COVID-19 e dengue: 'Não estou pronta para morrer'

Lição de amor pela vida, aposentada enfrentou também o luto pela perda de um filho, vítima do novo coronavírus


24/07/2020 04:00 - atualizado 24/07/2020 13:00

Recuperada, bisavó mineira de 103 anos retomou a leitura, sua atividade favorita. (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Recuperada, bisavó mineira de 103 anos retomou a leitura, sua atividade favorita. (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Aos 103 anos, Dona Clotildes Ferreira Jorge desafiou a morte – e ganhou a briga. A aproximadamente duas semanas, ela recebeu dois diagnósticos simultâneos: um de dengue, outro de COVID-19, combinação perigosa até mesmo para os jovens. A mineira, no entanto, não só venceu os dois vírus, como o fez longe dos hospitais, e sem a ajuda respiradores.

Quem conta a história é uma das das filhas da aposentada, a médica Sandhi Maria Barreto, de 64 anos, além da neta Carolina Barreto Lemos, advogada de 36. Dona Clotildes, cuja audição já está severamente comprometida, não pôde falar com a reportagem. Recebeu a equipe apenas para uma sessão de fotos. A família avaliou que a entrevista, neste momento, exigiria muito da senhora, que apresenta bom quadro de saúde, mas ainda está convalescendo.

Sandhi conta que chegou a pensar que perderia a mãe, que mora no Bairro Havaí, Região Oeste de Belo Horizonte. "Confesso que fiquei com medo, pois ela é do grupo de altíssimo risco. Para completar, junto com as doenças, ela teve que enfrentar um outro baque: meu irmão, a quem ela era muito ligada, morreu de COVID-19. Eles moravam juntos. Ou seja, minha mãe enfrentou dois vírus e um luto”, relata a médica.

Cercada pela família, que evitou os hospitais, Dona Clotildes, de 103 anos, recebeu em casa todo o tratamento para a infecção.(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Cercada pela família, que evitou os hospitais, Dona Clotildes, de 103 anos, recebeu em casa todo o tratamento para a infecção. (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Romualdo Jorge Barreto morreu com 67 anos, cinco dias após contrair o novo coronavírus. Portador da Síndrome de Down, ele chegou a ficar 24 horas internado na UTI, mas não resistiu. Segundo Sandhi, é provável que a idosa e o irmão tenham sido infectados por suas cuidadoras."No caso da minha avó, chegamos a descartar essa possibilidade pois, primeiro, ela fez os testes de dengue. Foram três e todos deram positivo. Os sintomas iniciais, a princípio, também indicavam que era só isso. Ocorre que as cuidadoras pegaram COVID-19 e nos comunicaram, daí tivemos que fazer um novo exame, que acusou o coronavírus. Nessa hora, a gente começou a se preparar para o pior”, lembra a neta Carolina.

Diante do quadro, a família de dona Clotildes optou por tratá-la em casa, evitando ao máximo os hospitais, onde a centenária teria que ficar sozinha, já que os pacientes de COVID-19 não podem ser acompanhados. A rotina de cuidados contou com aparato de assistência domiciliar e monitoramento médico constante. A idosa levou cerca de 15 dias para se recuperar. “Ela nos surpreendeu! Esses dias, inclusive disse que não está pronta para morrer, que ainda quer muito viver", comemora Carolina.

Professora aposentada, Clotildes já voltou a se dedicar à leitura, seu hobby favorito. "No momento, ela está lendo a biografia de Juscelino Kubitschek. Mamãe é fã dele!", conta Sandhi. Mãe de 7, avó de 16, e bisavó de 9, mal sabe a centenária do peso de sua própria biografia, bem-resumida pela neta Carolina em um post do Facebook: "Quando tudo isso passar, os noticiários e médicos contarão a incrível história de uma velhinha de 103 anos que venceu a COVID-19 mesmo tendo um quadro concomitante de dengue. Essa é a história da vovó: a vida segue e o sorriso no rosto é testemunho da sua força vital". 

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O que é o coronavírus

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Vídeo: Por que você não deve espalhar tudo que recebe no Whatsapp



Como a COVID-19 é transmitida?


A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Vídeo: Pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus?



Como se prevenir?


A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.
Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê



Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus.

 

Vídeo explica porque você deve aprender a tossir



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Mitos e verdades sobre o vírus


Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Coronavírus e atividades ao ar livre: vídeo mostra o que diz a ciência

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