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Estado de Minas

Vacina contra COVID-19: UFMG abre inscrições para testes; veja como participar

Grupo de Minas terá 800 voluntários, que devem ser profissionais de saúde; experimentos terão início em 20 de julho


postado em 13/07/2020 14:24 / atualizado em 13/07/2020 16:29

(foto: US Departament of Defense/Divulgação)
(foto: US Departament of Defense/Divulgação)
Estão abertas as inscrições para participar dos testes da fase 3 CoronaVac, vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac Biotech.



A informação foi divulgada nesta segunda-feira (13) durante a coletiva n° 90, concedida pelo governador de São Paulo, João Dória (PSDB), que contou com a presença de Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan. Segundo o dirigente do órgão, que coordena os estudos sobre o fármaco no Brasil, os experimentos serão iniciados em 20 de julho, com 9 mil profissionais de saúde do Distrito Federal e seis estados- São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais. Minas vai selecionar 800 pessoas. 

"Eu, particularmente, sou muito esperançoso de que teremos essa vacina muito rapidamente, até o final deste ano", comentou Covas. "A China, neste momento, é o país que tem o maior número de vacinas para o coronavírus em estudos clínicos de fase dois ou três. São cinco vacinas. O Reino Unido tem duas vacinas. Os EUA tem duas vacinas. Isso é para dar uma importância de nossa parceria com a China", acrescentou. 



Inscrições

A participação é aberta a médicos, enfermeiros e paramédicos que atuam diretamente no cuidado de pacientes infectados pelo vírus. Os interessados devem, em primeiro lugar, responder a um questionário on-line no site do governo de São Paulo. O formulário verifica se o candidato atende aos seguintes requisitos: 

  • ter mais de 18 anos
  • não ter sido contaminado pelo novo coronavírus
  • não  participar de outros experimentos
  • ausência de gravidez
  • não ter intenção de engravidar nos próximos meses
  • não apresentar doenças crônicas
  • não fazer uso de medicamentos contínuos
  • ter registro ativo no conselho profissional de seu ofício

Ao fim das perguntas, os voluntários de Minas são orientados a procurar o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos da Universidade Federal de Minas Gerais Instituto de Ciências Biológicas (CPDF/UFMG). O telefone da unidade é o (31) 3409-3073.

O Estado de Minas entrou em contato com a Universidade questionando como funcionará o cadastro, mas o pesquisador responsável pelos testes, Mauro Martins Teixeira, não atendeu a imprensa até a publicação desta matéria. 

Produção e segurança

acordo firmado entre o Butantan e o laboratório de Pequim prevê que o fornecimento das doses necessárias para a realização dos testes clínicos ficará a cargo dos chineses. Comprovada a eficácia do produto, o instituto paulista iniciará a imediata produção do imunizante. Inicialmente, serão 100 milhões de doses, dentre as quais 60 milhões ficarão no Brasil. As demais serão enviadas à Sinovac Biotech. 

De acordo com o Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, a tecnologia usada no desenvolvimento  da CoronaVac envolve o vírus purificado e inativado, mesmo princípio de vacinas já disponíveis no mercado contra a gripe comum; poliomielite; difteria e tétano; hepatite A e B; meningocócicas e pneumocócicas conjugadas, entre outras enfermidades.

Um artigo publicado em maio na Revista Science aponta que a substância é promissora quanto à eficácia e à segurança. Os estudos pré-clínicos das fases 1 e 2, que utilizaram ratos, primatas não-humanos, e camundongos como cobaias, mostraram que a vacina induziu a produção de anticorpos neutralizantes específicos para SARS-CoV-2. 

O trabalho descreve que os anticorpos gerados pelo imunizante neutralizaram 10 estirpes representativas de SARS-CoV-2 (vírus da pandemima), “o que sugere a possibilidade de que ela possa neutralizar outras estirpes do novo coronavírus”. Além das espécies citadas, as fases 1 e 2 envolveram também testes com mil voluntários chineses. 

O Instituto Butantan, que é um dos maiores centros de pesquisa e produção de imunobiológicos do mundo, mantém outras parcerias com a UFMG. Uma delas testa a eficácia de uma vacina tetravalente contra a dengue. 


Outros projetos

Existem, atualmente, 21 projetos na fase de testes em humanos com resultados promissores na batalha contra o novo coronavírus. Dois deles na fase mais avançada, a fase 3 - ambos com experimentos clínicos no Brasil. O do CoronaVac é um deles. 

O outro é fruto de uma parceria entre a Universidade de Oxford e o laboratório AstraZeneca. Conhecida como ChAdOx1 nCoV-19, a substância começou a ser aplicada em 20 de junho em dois mil voluntários em São Paulo e mil no Rio de Janeiro, ação coordenada pela Rede D'Or. A univesidade britânica pretende recrutar mais de 10 mil voluntários em todo o mundo. Caso a eficácia da droga seja comprovada, a produção pode chegar a 100 milhões de doses. A previsão é de que o primeiro lote de 30,4 milhões comece a ser produzido em dezembro deste ano pela Bio-Manguinhos, laboratório da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). O governo brasileiro fez investimentos de US$ 127 milhões na empreitada. 

Em níveis menos adiantados de de experimentação, destacam-se as seguintes iniciativas:

Vacina russa
A Universidade Sechenov, instalada em Moscou, informou, nesta segunda-feira (13) que concluiu parte dos testes clínicos de eficácia de um produto. Pesquisas realizadas com 38 voluntários realizados em junho teriam indicado boa tolerância e efetividade do imunizante. A distribuição em massa está prevista para o período de 12 e 24 de agosto. O governo russo considera essa etapa equivalente à fase 3, que compreende experimentos num grupo maior de humanos. Entretanto, os testes bioquímicos com a droga, normalmente realizados nas fases 1 e 2 para verificar a segurança, ainda não foram concluídos. As últimas análises, segundo o Alexander Gintsburg, diretor do Centro Nacional de Pesquisa para Epidemiologia e Microbiologia Gamalei, serão finalizadas até semtembro. Otimista, o dirigente da instituição aposta no início da produção em larga escala por laboratórios privados ainda em setembro, o que deixaria a Rússia à frente da corrida global.

Pfizer e BioNTech
No dia 1° de julho, a farmacêutica Pfizer e a empresa alemã de biotecnologia BioNTech anunciaram uma vacina experimental que, segundo pesquisadores, estimulou de forma satisfatória a resposta imune de pacientes saudáveis ao Sars-Cov-2. Segundos os laboratórios, a proxima etapa dos estudo começa em 30 de julho. Se for bem-sucedida, 1,2 bilhão de doses serão produzidas até dezembro de 2021.

***

O que é o coronavírus

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Vídeo: Por que você não deve espalhar tudo que recebe no Whatsapp



Como a COVID-19 é transmitida?


A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Vídeo: Pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus?



Como se prevenir?


A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.
Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê



Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus.

 

Vídeo explica porque você deve aprender a tossir



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Mitos e verdades sobre o vírus


Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Coronavírus e atividades ao ar livre: vídeo mostra o que diz a ciência

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