Debate ao governo de Minas tem ataques entre candidatos e poucas propostas
No confronto promovido pela TV Globo, Cleitinho reagiu a questionamentos de Mateus Simões, que ainda teve enfrentamentos com Patrus. Kalil, Gabriel e Roscoe também trocaram farpas
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Andrei Megre e Vinícius Prates
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Muitos ataques, poucos debates de projetos e apresentação de algumas propostas marcaram o último confronto entre os candidatos ao governo de Minas, promovido pela TV Globo na noite dessa terça-feira (29/9). No único encontro com os seis principais concorrentes, Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Mateus Simões (PSD) protagonizaram as trocas mais contundentes, enquanto Patrus Ananias (PT) foi cobrado pela ausência nos debates anteriores e pela gestão do ex-governador Fernando Pimentel (PT). Segurança pública, reajuste dos servidores e situação fiscal do Estado estiveram entre os principais temas discutidos.
Além de Cleitinho, Simões e Patrus, participaram Alexandre Kalil (PDT), Flávio Roscoe (PL) e Gabriel Azevedo (MDB). O embate entre Cleitinho e Simões ganhou força logo no início, quando o governador cobrou o senador pela ausência de emendas parlamentares destinadas à segurança pública.
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Cleitinho respondeu atribuindo ao Executivo estadual a responsabilidade pela segurança e atacou a relação do governador com as categorias. “Sobre segurança pública, a competência é sua. Ninguém da segurança pública vai votar em você”, rebateu. Em outro momento, acusou Simões de persegui-lo: “Está tão viciado em mim que eu acho que acorda pensando em mim e dorme pensando em mim”.
A segurança também pautou o confronto entre Gabriel e Kalil. Questionado sobre bloqueadores de celulares em presídios, o pedetista defendeu priorizar a recomposição das forças policiais. “O que eu sei é que cuidar de presídio é a última coisa que nós vamos fazer para combater o efeito de facção. Nós temos que recompor a polícia”, afirmou.
Patrus, por sua vez, participou pela primeira vez de um debate nesta campanha e foi alvo de diferentes adversários. Gabriel acusou o petista de evitar os encontros anteriores por causa da rejeição ao PT. Já Roscoe direcionou as críticas à situação fiscal deixada pelo governo Fernando Pimentel e questionou como Patrus financiaria suas propostas.
O petista defendeu a renegociação da dívida mineira com a União, a revisão de incentivos fiscais e prometeu transparência nas contas. “Primeiro compromisso nosso: vamos abrir as contas públicas, vamos mostrar para o povo de Minas o que o Estado recebe, o que o Estado deve”, prometeu.
Apesar dos ataques, propostas apareceram ao longo do encontro. Cleitinho prometeu criar uma Cidade Administrativa no Vale do Jequitinhonha, regionalizar o atendimento de saúde, fortalecer Santas Casas e hospitais filantrópicos e facilitar a atividade de empreendedores. No entanto, a proposta do republicano de reduzir o IPVA também entrou no debate. Roscoe afirmou ser favorável à redução de impostos, mas cobrou que Cleitinho indique como compensaria a perda de arrecadação exigida pela legislação fiscal. “Para reduzir um tributo você tem que apontar a origem do recurso e você não fez até agora”, ressaltou.
Kalil também criticou promessas de redução de receitas combinadas a compromissos de aumento de despesas, como reajustes de servidores e investimentos em segurança. Para o pedetista, o próximo governo terá de priorizar a situação financeira estadual. “Se não arrumar a dívida, nós não vamos fazer nada. É tudo mentira”, disparou.
Patrus e Cleitinho também se enfrentaram. O senador lembrou uma declaração do petista em sabatina do Estado de Minas, na qual Patrus afirmou que uma eventual gestão do republicano seria um “desastre”. “O senhor está me julgando sem eu ter virado governador”, disse Cleitinho. Patrus evitou responder diretamente e afirmou que deve ser avaliado pela própria trajetória: “Eu respondo por mim, pela minha história, pelos meus compromissos”.
Kalil e Simões também trocaram ataques ao discutir as regiões Metropolitana e Central. O pedetista acusou o governo de abandonar a Grande BH, enquanto Simões classificou Kalil como o “pior prefeito da história da capital”. Kalil rebateu lembrando que foi reeleito com 63% dos votos: “Quem responde se o governo é bom é o povo e você está tomando uma resposta do seu governo”.
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Já no último bloco, Simões acusou o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), aliado de Cleitinho, de lhe oferecer R$ 10 milhões em propina para facilitar um contrato. “Em todo o meu tempo de vida pública, uma única pessoa me ofereceu propina”, afirmou. Cleitinho disse não responder pelos atos de aliados e defendeu a investigação de eventuais irregularidades. ”Eles têm a vida deles e as questões deles. Eu não tenho nada a ver com isso”, rebateu.