O tabuleiro político nos estados passou por uma reconfiguração relevante após o prazo de desincompatibilização, encerrado no último sábado (4/4). Ao todo, 11 governadores deixaram seus cargos para disputar as eleições de outubro, em um movimento que atende à legislação eleitoral e antecipa as articulações para 2026.

Na contramão da maioria, os governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) decidiram mirar mais alto. Ambos deixaram os respectivos cargos de olho em uma eventual candidatura à Presidência da República.

Caiado e Zema, ambos com dois mandatos, se posicionam publicamente como pré-candidatos ao Palácio do Planalto. Apesar de ser citado em articulações da direita como possível vice em uma chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Zema rejeita a hipótese e insiste em manter a candidatura própria.

O ex-governador mineiro tem reiterado que levará o projeto presidencial “até o fim”, embora admita apoiar outro nome do campo oposicionista em um eventual segundo turno contra o PT.

Já Caiado vai disputar a Presidência pela segunda vez. A primeira foi em 1989, a eleição direta após a redemocratização do país, também pelo PSD. Naquela eleição, Caiado ficou na 10ª colocação, com 488.893 votos (0,72%).

O movimento dos dois contrasta com a estratégia predominante entre os demais governadores, que optaram por uma rota considerada mais segura: o Senado. Nove ex-governadores deixaram seus postos com o objetivo de disputar uma vaga na Casa legislativa.

Os nove governadores que optaram por renunciar para tentar uma vaga na Casa legislativa são:

  • Acre: Gladson Cameli (PP)
  • Amazonas: Wilson Lima (União)
  • Distrito Federal: Ibaneis Rocha (MDB)
  • Espírito Santo: Renato Casagrande (PSB)
  • Mato Grosso: Mauro Mendes (União)
  • Pará: Helder Barbalho (MDB)
  • Paraíba: João Azevêdo (PSB)
  • Rio de Janeiro: Cláudio Castro (PL)
  • Roraima: Antonio Denarium (Republicanos)

No Rio de Janeiro, o ex-governador Cláudio Castro (PL) também deixou o cargo com a mesma finalidade, mas enfrenta um obstáculo jurídico. Ele foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à inelegibilidade até 2030, o que pode inviabilizar sua candidatura.

 

Governadores que ficaram no cargo atual

Além dos que deixaram os cargos, outro grupo decidiu seguir caminho oposto. Ao menos sete governadores em fim de segundo mandato optaram por permanecer nos cargos até o fim, abrindo mão de disputar as eleições deste ano para conduzir a própria sucessão estadual.

  • Alagoas: Paulo Dantas (MDB)
  • Maranhão: CBrandão (sem partido)
  • Paraná: Ratinho Junior (PSD)
  • Rio Grande do Norte: Fátima Bezerra (PT)
  • Rio Grande do Sul: Eduardo Leite (PSD)
  • Rondônia: Marcos Rocha (PSD)
  • Tocantins: Wanderlei Barbosa (Republicanos)

O número chama atenção por ser o maior das últimas eleições. Em 2022, cinco dos 27 governadores ficaram fora da disputa, enquanto, em 2018, foram apenas quatro. O cenário atual reúne casos de articulações frustradas para a Presidência e rompimentos políticos.

Ratinho Junior (PSD) e Eduardo Leite (PSD), por exemplo, chegaram a ser cotados para a disputa ao Planalto. Ratinho recuou por decisão própria, enquanto Leite foi preterido dentro do partido e, fora da corrida presidencial, optou por não disputar o Senado.

Há ainda governadores que podem tentar a reeleição e, por isso, não precisam se desincompatibilizar. É o caso de gestores como Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Raquel Lyra (PSD), além de outros nomes que devem buscar um novo mandato à frente dos estados.

Aptos à reeleição:

  • Amapá: Clécio Luís (União)
  • Bahia: Jerônimo Rodrigues (PT)
  • Ceará: Elmano de Freitas (PT)
  • Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel (PP)
  • Pernambuco: Raquel Lyra (PSD)
  • Piauí: Rafael Fonteles (PT)
  • Santa Catarina: Jorginho Mello (PL)
  • São Paulo: Tarcísio de Freitas (Republicanos)
  • Sergipe: Fábio Mitidieri (PSD)

A exigência de desincompatibilização é prevista na legislação eleitoral para ocupantes de cargos no Executivo que desejam concorrer a outros postos. O prazo marca uma das primeiras etapas formais do calendário eleitoral.

Agora, o processo avança para a fase de consolidação das candidaturas. As convenções partidárias, responsáveis por oficializar nomes e alianças, estão previstas para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto. Já o prazo final para registro das candidaturas termina em 15 de agosto.

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O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. Caso nenhum candidato à Presidência ou aos governos estaduais alcance a maioria absoluta dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.

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