A janela partidária movimentou o tabuleiro político mineiro e reorganizou o cenário para as eleições deste ano, com mudanças do Senado à Câmara Municipal de Belo Horizonte. Levantamento feito pela reportagem do Estado de Minas, com base em informações de parlamentares, assessorias e dirigentes partidários, mostra 33 mudanças nas bancadas durante o período, iniciado em 5 de março e encerrado na sexta-feira (3/4), quando parlamentares puderam trocar de legenda sem risco de perda de mandato.

No Senado, as mudanças se concentraram na reta final do prazo de filiação para as eleições. Rodrigo Pacheco deixou o PSD e se filiou ao PSB na última semana, mas ainda não confirmou se disputará o governo de Minas. Ele é apontado como o principal nome da centro-esquerda ao Palácio Tiradentes e conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a disputa.

Já o senador Carlos Viana deixou o Podemos e se filiou ao PSD, pelo qual deve disputar a reeleição na chapa do governador Mateus Simões, que tentará se manter no cargo após assumir o Executivo estadual com a saída de Romeu Zema (Novo).

A mudança reconfigura a disputa pelas vagas ao Senado na chapa governista. O ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP), que deixou o cargo para concorrer, já é tratado como um dos nomes. Com a chegada de Viana, a tendência é de que ambos disputem espaço na composição, o que dificulta aliança com o PL. Nesse cenário, a direita deve ter mais de uma candidatura, incluindo a possível entrada do deputado federal Domingos Sávio (PL).


CÂMARA


Na Câmara dos Deputados, o principal destaque foi o avanço do PL, que se tornou a maior bancada mineira. Passou de 10 para 14 parlamentares após incorporar Greyce Elias e Delegada Ione, que deixaram o Avante, Dr. Frederico, ex-PRD, e Lafayette Andrada, ex- Republicanos. O crescimento permitiu ao partido ultrapassar o PT, que manteve 10 cadeiras.

O movimento em Minas acompanha tendência nacional, com o PL ampliando sua presença na Câmara e ultrapassando a marca de 100 deputados. No estado, o desempenho é impulsionado pela força eleitoral de Nikolas Ferreira, o deputado mais votado do país em 2022, que atua como “puxador de votos” e atrai novos filiados.

Em sentido oposto, o Avante foi o partido mais afetado pela janela. Sofreu uma debandada e passou a contar com apenas um representante mineiro na Câmara. Além das saídas para o PL, o deputado André Janones migrou para a Rede Sustentabilidade, fortalecendo a sigla, que não tinha representação federal em Minas. Já Bruno Farias deixou o Avante rumo ao Republicanos, ampliando a bancada do novo partido. O único deputado federal que permaneceu no Avante em Minas é o presidente nacional do partido, Luis Tibé. No entanto, ele está de licença parlamentar por 120 dias, sendo substituído temporariamente pelo suplente Heber Neiva, o Vavá.


ASSEMBLEIA

Na Assembleia Legislativa, as mudanças consolidaram o PSD como uma das principais forças da Casa. A legenda ampliou sua bancada de 11 para 14 deputados, mesmo após perder um integrante, e passou a dividir a liderança com o PT, que também chegou a 14 parlamentares. O crescimento do PSD ocorreu com a filiação de Bosco e Raul Belém, vindos do Cidadania, além de Enes Cândido, ex-Republicanos, e João Magalhães, ex-MDB.

Na oposição ao governo de Minas, o PT também cresceu. A sigla ampliou sua bancada com a entrada das deputadas Ana Paula Siqueira, eleita pela Rede, e Bella Gonçalves, que deixou o Psol e deve concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados.

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O União Brasil também ganhou força na Assembleia e passou a contar com quatro novos parlamentares: Betinho Pinto Coelho, que deixou o PV; Doutor Paulo, ex-integrante do PRD; Grego da Fundação, que saiu do Mobiliza; e Professor Wendel Mesquita, que saiu do Solidariedade.

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Em sentido oposto, algumas siglas sofreram redução de bancada. O Cidadania foi um dos mais afetados, ao perder seus dois únicos representantes, Bosco e Raul Belém, ambos agora no PSD. O PRD também registrou baixas, com a saída de Doutor Paulo e Doorgal Andrada, que se filiou ao PP.

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