Debandada esvazia Avante em Minas, que sai de cinco para um deputado
Após a série de mudanças, partido passou a ter apenas um nome efetivo na bancada mineira da Câmara
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A poucos dias do fim da janela partidária, o Avante sofreu um esvaziamento expressivo em Minas Gerais e passou a contar com apenas um representante na Câmara dos Deputados. A debandada de parlamentares da sigla, intensificada nas últimas semanas, redesenhou o mapa da bancada mineira.
Até aqui, nove dos 53 deputados federais de Minas já oficializaram mudança de legenda, em meio à reta final da janela partidária, que se encerra nesta sexta-feira (3/4), às 23h59. No caso do Avante, as saídas foram sucessivas e atingiram praticamente toda a sua representação, que começou a atual legislatura com cinco parlamentares.
O movimento mais recente foi o do deputado Bruno Farias, que deixou a legenda pela qual foi eleito em 2022 e na qual chegou a exercer a liderança da bancada, para se filiar ao Republicanos. A mudança foi anunciada nas redes sociais e consolidou o avanço do novo partido, que passou de quatro para cinco deputados mineiros na Câmara.
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Antes dele, outras baixas já haviam fragilizado a sigla. As deputadas Delegada Ione Barbosa e Greyce Elias migraram para o PL, partido que se tornou o principal destino de parlamentares no estado, impulsionado pela expressiva votação de Nikolas Ferreira em 2022. Com as novas filiações, a bancada liberal cresceu de 10 para 13 deputados federais.
Outra saída recente foi a de André Janones, que deixou o Avante para ingressar na Rede Sustentabilidade (Rede). Segundo deputado federal mais votado em Minas em 2022, com 238.967 votos, Janones leva à nova legenda, além da densidade eleitoral, também forte presença digital. A chegada do parlamentar dá fôlego à legenda no estado, que até então não contava com representantes na Câmara e tinha atuação mais restrita ao Legislativo estadual e municipal.
Além das desfiliações, o Avante também anunciou a saída temporária de seu principal nome. O deputado federal Luis Tibé, presidente nacional da legenda, se licenciou do mandato por 120 dias. Com isso, a vaga passou a ser ocupada pelo suplente Heber Neiva, o Vavá, que tomou posse nessa quarta-feira (1/4). Embora mantenha a cadeira sob controle formal do partido, a substituição ocorre em um contexto de fragilidade política da sigla no estado.
A reportagem procurou Luis Tibé para comentar a debandada de parlamentares do partido, mas não houve resposta.
Mudanças partidárias
Enquanto o Avante perde espaço, outras legendas avançam. O PSD, por exemplo, ampliou sua bancada de cinco para seis deputados com a filiação de Weliton Prado, que deixou o Solidariedade. O PP também cresceu, passando de três para quatro cadeiras com a chegada de Pedro Aihara. Já o União Brasil seguiu o mesmo caminho, ao incorporar Zé Silva e alcançar quatro parlamentares mineiros.
Pré-candidata à reeleição, Duda Salabert oficializou nesta semana o retorno ao Psol, sete anos após a desfiliação do partido. Com isso, a legenda passou a contar com duas representantes mineiras na Câmara. Já o PDT, com a saída, ficou reduzido a apenas um deputado federal por Minas Gerais, Délio Pinheiro. Outros partidos, como PSDB, Podemos e MDB, mantiveram, por ora, o mesmo tamanho de bancada.
A eleição para a Câmara dos Deputados é considerada estratégica pelas legendas sobretudo por razões financeiras. É o número de deputados eleitos que define, pelos quatro anos seguintes, o tamanho da fatia que cada partido terá no Fundo Partidário, no Fundo Eleitoral, que deve ultrapassar R$ 6 bilhões em 2026, e no tempo de propaganda política.
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Nesse contexto, a escolha da legenda se torna uma decisão delicada para os parlamentares. Como o sistema eleitoral é proporcional, o desempenho individual depende diretamente da força coletiva da chapa. Em 2022, o quociente eleitoral em Minas foi de 210.964 votos, número mínimo para que um partido ou federação garantisse ao menos uma cadeira. A partir daí, as vagas são distribuídas entre os candidatos mais votados dentro de cada grupo.