ELEIÇÕES 2026

Caporezzo escanteia Nikolas e diz que Bolsonaro é quem decide

Deputado estadual afirma que apenas o ex-presidente tem autoridade para definir candidaturas e questiona articulações conduzidas por Nikolas Ferreira

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Pleiteando o posto de pré-candidato ao Senado pelo PL em Minas Gerais, o deputado estadual Cristiano Caporezzo afirmou que a definição sobre quem representará o partido na disputa depende exclusivamente do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Em entrevista ao Estado de Minas, o parlamentar minimizou declarações recentes do deputado federal Nikolas Ferreira sobre articulações eleitorais e reforçou que não reconhece qualquer autoridade interna que não seja a do próprio líder político para conduzir essas decisões.

“Quem iniciou a minha pré-candidatura para o Senado foi o presidente Bolsonaro. Quem vai retirar ou subscrever essa pré-candidatura é o presidente Bolsonaro”, afirmou Caporezzo. Segundo ele, o ex-presidente já elabora da cadeia uma lista “de próprio punho” com os nomes que deseja ver concorrendo nas eleições.

“Se eu estiver com o meu nome lá, ninguém retira o meu nome da pré-candidatura. Agora, se eu não tiver, não tem jeito”, acrescentou, embora admita outros cenários possíveis e considere concorrer à Câmara dos Deputados, caso não seja o eleito.

A declaração de Caporezzo ocorre poucos dias após Nikolas Ferreira afirmar ter recebido de Bolsonaro a “liberdade” para articular candidaturas em Minas Gerais. Após visitar o ex-presidente na Papudinha, em Brasília, onde ele cumpre pena após condenação por tentativa de golpe de Estado, Nikolas afirmou à imprensa que recebeu sinal verde para ajudar a construir o cenário eleitoral no estado.

“Ele me deu essa liberdade para poder construir em Minas Gerais, tanto o Senado quanto o governo, porque acredito que hoje nós temos uma força no estado para poder tomar algumas decisões”, declarou Nikolas na ocasião.

Perguntado sobre o assunto, Caporezzo reagiu com ceticismo à afirmação e disse não reconhecer essa delegação de poder. “Eu não ouvi o Bolsonaro falar isso, você ouviu?”, questionou. Em seguida, reforçou sua posição de forma direta: “Quem vai decidir é o Jair Bolsonaro, não é o Nikolas Ferreira”.

Embora tenha elogiado o colega, a quem classificou como “um cara brilhante”, Caporezzo apontou o que considera inconsistências no posicionamento do deputado federal. Ele mencionou declarações anteriores de Nikolas segundo as quais o senador Flávio Bolsonaro seria o porta-voz do ex-presidente.

“Até agora ele não declarou abertamente apoio ao Flávio Bolsonaro. Não sei qual é a dificuldade de fazer isso e ainda por cima agora falou que ele vai decidir e não mais o Flávio. É difícil de acreditar. Essas incoerências de postura são temerárias e, por isso, eu prefiro esperar o líder. E o líder é um só, é Jair Bolsonaro”, disse.

O deputado também levantou dúvidas sobre os movimentos recentes de Nikolas em Minas Gerais e possíveis alinhamentos políticos, depois de o deputado ter rodado o interior do estado ao lado do vice-governador Mateus Simões (PSD).

“Ele tem facilidade de rodar o estado com o Mateus Simões, que é uma zebra e não tem a mesma facilidade de apoiar o Flávio. O que está faltando? Será que ele vai apoiar o Zema e vai acabar indo com o Partido Novo? Não existe diálogo possível quando não existe um interesse de conversa sincera”, afirmou, ao mencionar rumores de bastidores sobre uma eventual saída de Nikolas do PL.

Divergências de liderança

Na entrevista ao EM, o parlamentar rejeitou a ideia de que lideranças partidárias possam definir candidaturas de forma unilateral, sem o respaldo ou a concordância dos demais integrantes da legenda. “Eles (Domingos Sávio, presidente estadual do PL, e Nikolas Ferreira) tomam decisões por quem? Por mim não tomam. Isso aqui não é uma ditadura. Nós temos um partido político e nós temos liberdade”, afirmou.

Apesar da crítica, ele evitou caracterizar o cenário interno da legenda como um ambiente de ruptura ou ausência de diálogo. “Eu estou falando que cada pessoa é livre para tomar a sua posição. Amanhã, se o presidente Bolsonaro falar que eu devo mudar minha posição, eu mudo. Eu respeito a hierarquia”, acrescentou, ao enfatizar sua disposição de seguir a orientação do principal líder do partido.

Segundo Caporezzo, o próprio Jair Bolsonaro manifestou, em conversa que contou com a presença de Sávio, o interesse na formação de uma “chapa pura do PL”. “Como eu sou um cara que eu respeito muito essa questão de construção partidária, o Domingos na condição de presidente estadual, eu esperei que isso partisse dele. Infelizmente não partiu”, disse. Questionado sobre a possibilidade de uma dobradinha eleitoral, ele afirmou que somente integrará uma chapa com o candidato indicado diretamente por Bolsonaro.

O parlamentar também interpretou a sinalização de Domingos Sávio favorável à construção de alianças como uma estratégia voltada ao fortalecimento de seu “próprio nome”. “Eu deduzo que ele esteja confiando na estrutura do estado para poder com isso se ancorar nessa dobradinha, que não vai acontecer”, afirmou.

“É uma pena que algumas pessoas, por projeto pessoal, tenham tanta dificuldade assim de seguir a liderança do presidente. Se não existisse essa dificuldade, eu não precisaria estar aqui agora falando a respeito de pré-candidatura para o Senado. Já seria uma questão pacífica”, completou.

Em que pese o tom crítico em relação aos correligionários, Caporezzo afirmou encarar as divergências internas com “naturalidade”. “O público que acredita que não vai haver discussão dentro da direita, está faltando maturidade para entender que essas discussões fazem parte”, disse .“Eu vejo isso com muita naturalidade. Perceba, eu sou pai, tenho três filhos, dentro da minha própria casa um filho às vezes discute com outro. Não existe essa união, sem briga, nem mesmo dentro da família”, acrescentou.

Nas últimas semanas têm se intensificado sinais de um racha no grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente em torno da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira demonstraram preferência pelo nome do governador Tarcísio de Freitas e não se engajaram na promoção da candidatura de Flávio, o que levou o deputado Eduardo Bolsonaro a reagir publicamente. Ele afirmou que ambos estariam com “amnésia” e “jogando o mesmo jogo”. No mesmo dia, Nikolas rebateu a crítica, dizendo discordar da afirmação e que a declaração “diz mais sobre ele”.

Zema como vice de Flávio?

O deputado também direcionou críticas a Romeu Zema (Novo), a quem atribuiu a vitória eleitoral a uma convergência com o eleitorado bolsonarista, referida por ele como um movimento “bolsozema”, e definiu a candidatura do governador à presidência como um “delírio”. “Ele acha que agora na presidência da república vai ser a mesma coisa. Ele vai chegar lá com 0% e vai ser eleito. Está delirando, mas ele vai seguindo esse delírio, porque infelizmente ele está cercado de pessoas para poder fortalecer essa ideia na mente dele”, disse.

Questionado sobre a hipótese de Zema integrar uma eventual chapa presidencial encabeçada por Flávio Bolsonaro, com o objetivo de fortalecer o palanque em Minas Gerais, Caporezzo disse respeitar as decisões do senador, mas considerou improvável esse arranjo político.

“Como alguém que acompanha o governo de Minas de perto, eu acho improvável que o Zema tenha a humildade de perceber que seria o mais sensato a se fazer, então eu acredito que ele será candidato e ponto final”, afirmou.

Caporezzo ainda estende suas críticas ao vice-governador Mateus Simões, que busca o apoio do PL para viabilizar sua candidatura à sucessão do governador Romeu Zema em Minas Gerais. “Agora o Nikolas está tentando utilizar o grande prestígio que tem para tentar fazer com que ele levante um pouco, porque ele não decola. Ele não sai do lugar. E não é à toa. Olha só, nós tivemos diversas limitações dentro da atual gestão”, disse citando aumento de impostos, altas taxas cartorárias e rusgas com as forças de segurança pública.

“Também vamos falar uma verdade aqui. Qual é o partido que o Mateus Simões vai concorrer? PSD. PSD tem declarações antigas do próprio deputado Nikolas Ferreira falando que nunca se deve votar no PSD. O que mudou de lá para cá? Eu não sei”, completou.

Na avaliação de Caporezzo, a eventual candidatura de Mateus Simões enfrentaria obstáculos para mobilizar o eleitorado e consolidar apoio político. “Como vai convencer tantas pessoas de que esse atual projeto é o melhor projeto para ser apoiado para governo? Eu acho difícil. Acredito que é melhor apoiar um nome que vai ter mais condições para o governo para fortalecer a candidatura do Flávio”, disse.

Para ele, o nome mais competitivo no cenário atual seria o do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). “Acho o Cleitinho melhor do que o Mateus. Na política muitas vezes a gente não tem o candidato ideal. Dos candidatos que estão aí postos. O Cleitinho para mim é o melhor nome, já que o Nikolas Ferreira não tem interesse. Se o Nikolas fosse candidato ao governo, eu iria votar nele”, afirmou. Caporezzo também destacou o potencial eleitoral do senador em uma eventual disputa nacional.

“Creio que se for utilizado o critério de quem tem o maior potencial de votos e de levar esses votos para o candidato à presidência da República do PL é o Cleitinho. Agora o Cleitinho já declarou abertamente apoio a Flávio Bolsonaro. Ele falou que ainda que o Flávio não apoie, ele vai apoiar o Flávio porque é o melhor projeto para o Brasil”, disse.

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Apontado como líder nas pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas, Cleitinho suspendeu temporariamente as tratativas sobre sua candidatura após o diagnóstico de câncer de seu irmão mais novo, o único da família que não atua na política. O anúncio foi feito pelo próprio senador em plenário no Congresso Nacional, e desde então ele não voltou a se manifestar publicamente sobre o tema. Antes disso, Cleitinho já havia indicado que tomaria uma decisão definitiva sobre a disputa eleitoral apenas no mês de março.

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