De olho na eleição, Simões e Nikolas dividem agenda no interior de Minas
Vice-governador acompanha deputado do PL em anúncios de obras enquanto negocia apoio para sua candidatura ao governo de Minas
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Em meio às articulações para a sucessão estadual, o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) cumprem, nesta quinta-feira (19/2) e sexta (20/2), agendas conjuntas no interior do estado, que combinam anúncios administrativos e forte sinalização eleitoral. A presença lado a lado ocorre em um momento em que o sucessor do governador Romeu Zema (Novo) tenta consolidar o apoio do PL à sua pré-candidatura ao Palácio Tiradentes.
Os dois estarão juntos em cidades da Zona da Mata e do Campo das Vertentes para anunciar investimentos na casa dos R$ 100 milhões em infraestrutura viária e urbana, com recursos estaduais. A agenda começa por Juiz de Fora, onde Simões participa, a convite do deputado, de um anúncio de recursos para obras de drenagem, pavimentação e iluminação no distrito industrial. A agenda também serve como vitrine para lideranças locais, como a vereadora Roberta Lopes (PL), coordenadora da Direita Minas no município e cotada como possível candidata a deputada estadual.
Ainda no mesmo dia, Simões e Nikolas anunciam investimentos para o Anel Viário de Ponte Nova, também na Zona da Mata, e, na sexta-feira, apresentam em São João del Rei, no Campo das Vertentes, um projeto de ligação entre a BR-265 e a MG-383. Embora os recursos sejam provenientes do governo estadual, a assessoria do parlamentar afirma que os investimentos foram destinados às regiões a partir de demandas apresentadas por ele. A própria agenda partiu de Nikolas, que convidou o vice-governador para acompanhá-lo.
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O encontro também cumpre a função de projetar uma aliança costurada há meses por meio de gestos públicos reiterados de ambos os lados e reforçar, junto às bases locais, a convergência entre o sucessor de Zema e o parlamentar mais votado do país em 2022. Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas no início de fevereiro, Simões afirmou que mantém reservada ao PL uma das vagas ao Senado Federal, a pedido do ex-presidente Bolsonaro.
Ele acrescentou que o compromisso, firmado cerca de quatro meses antes da prisão de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, segue em vigor e faz parte de uma estratégia de unificação da direita. “Acho que eles têm o tempo deles de construção. Não tem absolutamente nada fechado, porque isso depende do caminhar da carruagem. Flávio (Bolsonaro), por exemplo, não era pré-candidato à presidência naquele momento, mas da minha parte eu mantenho a vaga absolutamente reservada para o PL, como foi o compromisso que ele me pediu”, disse.
A decisão final, no entanto, ainda não foi tomada pelo partido. O presidente estadual da legenda, Domingos Sávio, afirmou que a definição dependerá do próprio Nikolas e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido pelo ex-presidente como seu sucessor ao Planalto.
Contam a favor do PL nas negociações sua bancada de 87 deputados federais, que garante um dos maiores tempos de televisão no próximo ano, e o deputado federal Nikolas Ferreira, principal puxador de votos da legenda, que deve concorrer à reeleição.
Em outubro, ambos publicaram vídeos sobre demandas apresentadas pelo deputado, como a instalação de uma unidade neonatal intermediária no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Sete Lagoas, e a construção de uma trincheira na rotatória do Barbosa Melo, na mesma cidade. Na ocasião, Simões afirmou que as solicitações de Nikolas seriam atendidas “de imediato”.
A publicação ocorreu um dia após ganhar repercussão a informação de que Flávio Bolsonaro defendia o nome de Nikolas como possível candidato ao governo de Minas. Ao EM, Simões negou qualquer cálculo político. “Não. O Nikolas também fez a postagem. Alguém comentou: ‘Governador, está dando uma indireta?’. Eu disse: não, a postagem é conjunta, minha e do Nikolas.” Segundo ele, a aproximação é anterior. “Não foi proposital. A gente vinha construindo isso. Eu e o Nikolas temos tentado construir uma lógica de realização conjunta em pautas da direita, nas pautas que fazem sentido para ele”, declarou.
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Apesar dos avanços, a costura não é consensual dentro do PL. Uma ala do partido resiste à aliança com o PSD, citando desgastes entre o governo de Romeu Zema (Novo), de quem Simões é vice, e representantes das forças de segurança, base importante do bolsonarismo. Em novembro do ano passado, Nikolas e Simões estiveram juntos na inauguração de um stand de tiros do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), viabilizado com emenda parlamentar de R$ 1 milhão. O episódio foi seguido por relatos de que o convite não partiu do deputado, como mostrou o EM, evidenciando as tensões internas que permeiam o arranjo.