A Defesa Civil de Minas Gerais registrou a 11° morte causada pela chuva no atual período, conforme a última atualização do boletim do órgão estadual, divulgado nesta segunda-feira (23/2). A vítima é o belo-horizontino, de 35 anos, que morreu enquanto fazia rapel em uma cachoeira na Serra do Cipó, em Santana do Riacho (MG), no sábado (21/2).

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG), o homem praticava o esporte com um grupo na Cachoeira do Batista quando foi surpreendido pelo aumento do fluxo de água da queda da cachoeira. Segundo os bombeiros, o fenômeno é semelhante a uma cabeça d'água, que consiste no aumento rápido e violento do nível de água em rios e cachoeiras provocado por chuvas de cabeceira.

Por conta da força da água, a vítima caiu da rota de rapel entre as pedras da cachoeira. Um popular conduziu os bombeiros até a equipe da Polícia Militar (PM), que já registrava a ocorrência. Em atuação conjunta, os militares percorreram a trilha de acesso até encontrar o homem sem vida.

O homem estava no meio de algumas pedras e trajava roupa neoprene, além de portar equipamentos de escalada. Por causa da inviabilidade de acesso ao local por parte da perícia técnica e do veículo de remoção, os bombeiros realizaram o deslocamento do corpo até a Unidade Básica de Saúde (UBS) de Teobaldo Inácio da Silva.

O corpo ficou sob responsabilidade do médico plantonista, aguardando a chegada da perícia técnica para os procedimentos legais. Nesta segunda-feira, a Defesa Civil confirmou a relação da morte com o período chuvoso.

O número de mortes é bem menor do que o registrado no último período chuvoso no estado. No dia 1° de janeiro de 2025, Minas já contabilizava 11 mortes no período chuvoso anterior. Há um ano atrás, no dia 23 de fevereiro, 26 pessoas já haviam morrido em decorrência das chuvas.

Primeiras vítimas

De acordo com a Defesa Civil de Minas Gerais, outras cinco mortes foram registradas nas cidades de Sabará, São Thomé das Letras, Pouso Alegre, Santa Rita de Caldas e João Pinheiro.

A primeira morte do período chuvoso de 2025-2026 foi de Luigi de Jesus Aurichio de 5 anos, soterrado após um muro desabar sobre a casa onde morava, em Sabará, na Grande BH. Já Ana Paula Oliveira, de 30 anos, morreu após ser atingida por um raio enquanto usava uma tirolesa em São Thomé das Letras, no Sul de Minas.

Em Pouso Alegre, também no Sul do estado, João Miguel, de 7 anos, foi arrastado pela enxurrada enquanto brincava durante um temporal. A quarta vítima, um homem de 50 anos, foi levada pela correnteza de uma enchente registrada no dia 26 de janeiro, em Pião, distrito de Santa Rita de Caldas.

A quinta vítima foi um idoso não identificado, de 63 anos, levado pela correnteza de um rio depois de tentar atravessar o curso d'água a cavalo. O corpo do idoso ficou desaparecido por uma semana.

Na Comunidade do Prata, no município de Eugenópolis, quatro pessoas da mesma família morreram devido a uma movimentação de terra no dia 10 de fevereiro.

O imóvel em que as quatro pessoas estavam foi atingido por um deslizamento proveniente da lateral de um açude, que não chegou a se romper, segundo a Defesa Civil de Eugenópolis. As vítimas foram identificadas como Wesley Carvalho Valentim Rocha, de 17 anos; Weverton Alves Mendes, de 21; Ana Maria de Carvalho Alves, de 42; e Henrique Moreira de Araújo, de 33.

Em Muriaé, também na Zona da Mata, outro deslizamento de terra atingiu uma casa e matou um homem no dia 10 de fevereiro. A Defesa Civil do município estima que o volume pluviométrico chegou a 92 milímetros (mm) em cerca de três horas, o que encharcou o solo, deixando-o vulnerável a movimentações.

Cidades em situação de emergência

O número de cidades afetadas pelas chuvas em Minas, segundo o boletim da Defesa Civil do estado, chega a 168. Dessas, 95 decretaram situação de emergência. Até o dia 23 de fevereiro do ano passado, o quantitativo era de 16.

Ainda de acordo com o balanço do órgão estadual, há cinco mil desalojados – pessoas que, por causa dos efeitos da chuva, precisaram desocupar suas casas e se deslocaram para casa de amigos ou parentes. Já o número de desabrigados – quando as pessoas precisam de abrigo público – é de 610. No mesmo período de 2025, havia 7.921 desalojados e 1.185 desabrigados.

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A Defesa Civil estadual também já distribuiu 477 kits dormitório (conjunto de itens essenciais de acolhimento, como travesseiro e lençol); 483 kits higiene (contendo, normalmente, sabonete, escova e pasta de dente, absorventes, fraldas e álcool em gel); 133 kits limpeza (vassouras, baldes, rodos, luvas); 473 colchões; 11 lonas; 1 mil cestas básicas e 540 telhas.

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