Voluntários, bombeiros e cães reforçam busca por soterrados em Juiz de Fora
Quarto dia de busca por desaparecidos conta com ajuda de colaboradores, bombeiros e militares do Exército; até a manhã desta sexta (27) havia três desaparecidos
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No quarto dia de busca pelos desaparecidos em Juiz de Fora (MG), na Zona da Mata, cães treinados para encontrar pessoas soterradas ajudam nas ações. Segundo última atualização do Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG), 58 pessoas foram encontradas mortas e três ainda estão desaparecidas. Outras quatro pessoas morreram em decorrência da tragédia, depois de serem resgatadas.
Na manhã desta sexta-feira (27/2), as ações para encontrar as pessoas desaparecidas, incluindo um menino de 9 anos, foram intensificadas. Além de bombeiros, o resgate conta com voluntários, colaboradores e militares do Exército brasileiro. Cães farejadores também reforçam as buscas.
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De acordo com o condutor de cães do CBMMG de Uberaba, no Triângulo, cabo Cristiano Couto, há dois cachorros atuando no Bairro Paineiras. O tempo de atuação dos animais depende do esforço e do trabalho de cada um, mas eles ficam cerca de meia hora, sob avaliação dos condutores.
“Trouxemos o cão para reforçar os trabalhos agora. A maior dificuldade é a chuva que não pára e a lama sobre o terreno, que dificulta para sentir o odor do ser humano e o cachorro a trabalhar, mas seguimos firmes”, disse Couto.
Com ele, a cadela Flecha, de 1 ano e 9 meses, tenta rastrear o odor humano. Além da fêmea – uma pastor malinois – um pastor alemão chamado Anjo também contribui com as buscas. Quando os cães entram em cena, o silêncio precisa ser absoluto para que eles se concentrem.
Angústia das famílias
Enquanto isso, a angústia dos familiares das vítimas que ainda estão desaparecidas também cresce. De acordo com a cozinheira Josiane Aparecida Teodoro do Nascimento, prima da pequena Sophia, de apenas 6 anos, cujo corpo foi encontrado na manhã desta sexta-feira, a família vive um pesadelo.
Além de Sophia, Josiane também perdeu outros familiares, como a tia e o namorado dessa tia e outra prima, que foram soterrados no Bairro Paineiras – um dos mais atingidos pelos deslizamentos no início da semana. O primo de 9 anos, Pietro, segue desaparecido, causando ainda mais angústia à família.
Embora o momento seja de tristeza, a cozinheira relata que não encontrar o menino é ainda pior. Segundo ela, não poder proporcionar um enterro digno aos familiares impede a conclusão desse ciclo de dor.
“Uma tristeza muito grande. Parece que [a gente] tá num pesadelo. Que a gente vai acordar qualquer momento e não ser nada disso. Mas, infelizmente, não é assim. Nossa família tá acabada, destruída. Então, nossa expectativa agora é encontrar o Pietro, pra gente poder acabar esse sofrimento”, disse.
De acordo com ela, o sofrimento será para o resto da vida, pois a tragédia deixará marcas profundas nos familiares. Josiane conta que uma força-tarefa foi montada entre vizinhos e familiares para ajudar nas buscas. Além deles, bombeiros, integrantes do Exército Brasileiro e voluntários atuam em meio aos escombros para encontrar vestígios dos desaparecidos.
Na ação desta sexta-feira, baldes e caminhões-pipa estão sendo usados para amolecer o barro e escombros e facilitar a remoção. Uma calha foi criada com telhas e placas de metal para formar um extravasamento por onde descem a lama e os detritos.
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Juiz de Fora entrou em estado de calamidade na terça-feira (24/2). Até as 7h desta sexta-feira, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) divulgou que 58 pessoas morreram e três estão desaparecidas. O decreto é válido por seis meses.