Eventos que unem dois (ou mais) bartenders celebram a coquetelaria em BH
Os chamados 'guest bartender' movimentam bares, aproximam clientes e fortalecem a carreira de profissionais do setor
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Antes de chegar à mesa do cliente, um coquetel passa por escolhas que envolvem técnica, memória, ingredientes, equilíbrio e narrativa. Em uma noite de guest bartender, esse processo ganha outro elemento: a troca. O evento se caracteriza por unir dois bartenders, sendo um anfitrião e outro convidado. Enquanto o guest leva sua assinatura para a casa que o recebe, o host abre espaço para uma experiência temporária, criada para celebrar um tema, ingrediente ou marca.
O Garagem do Cab, bar de drinques do Cabernet Butiquim, no Bairro Funcionários, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, já teve duas edições de guest bartender só neste ano. O anfitrião é o mixologista do grupo, Alexandre Loureiro, o Xandão, que organiza os eventos há cerca de três anos.
“O bartender tem total liberdade de trabalhar, nós não limitamos nem ele nem o seu olhar. No briefing, equilibramos perfil de sabor, quais ingredientes, se vai ser mais alcoólico ou refrescante. A gente tem feito aqui no modelo parceria: apresento dois coquetéis e o convidado apresenta outros dois”, explica.
Xandão conta que o foco é chamar profissionais que estejam em destaque no cenário da coquetelaria, tenham relevância no meio e/ou tragam uma proposta diferente da casa anfitriã. “Basicamente, que a pessoa esteja fazendo um excelente trabalho em BH, pois o restante vai ser natural. Se a pessoa faz um bom trabalho no seu dia a dia, ela vai vir e vamos fazer um bom trabalho aqui”, diz.
Mariana Pina, bartender, mixologista e chef do bar Margô Drinkeria, no Mercado Novo, Centro da capital, foi a primeira convidada do guest bartender no Garagem do Cab este ano. Ela relembra que a conversa para realizar a parceria vinha desde o ano passado, mas sempre era interrompida pela agenda, que não batia. Até que surgiu a oportunidade em abril.
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“Foi um evento muito bacana. Fizemos em uma terça-feira, dia de menos fluxo no bar, mas a casa acabou enchendo. Tivemos um resultado de vendas muito interessante, que uniu a presença de outros bartenders e de muitos clientes”, relembra.
Carta inédita
A edição “Pina no Cab” partiu de dois eixos centrais, o bourbon e o Campari, para desenvolver uma carta inédita. Ao todo, foram quatro coquetéis autorais, sendo dois com o uísque Wild Turkey e dois com o bitter italiano, pensados para destacar tanto a identidade dos destilados quanto suas possibilidades de combinação. Segundo Xandão, a curadoria buscou equilíbrio entre intensidade e frescor, explorando contrastes sem perder a clareza de cada ingrediente.
Entre as criações, o “Tamarindo seu lindo” exemplifica essa proposta ao reunir bourbon Wild Turkey, Amaro Averna, Angostura e soda de tamarindo, resultando em um sabor agridoce e levemente efervescente.
Já o “São Gonçalo” se mostrou um coquetel de perfil equilibrado entre dulçor e frescor. Elaborado com goiabada, que aparece de forma estruturada, trazendo corpo e identidade, o drinque tem o capim-santo como contraponto, com notas herbais e leves. A base alcoólica sustenta o conjunto sem pesar, resultando em um coquetel aromático e de final limpo.
Bom para os negócios
“É uma tendência muito interessante, que segue o que já temos visto na gastronomia, que são colabs entre chefs, que cozinham juntos ou assinam menus em outros estabelecimentos. Se bem trabalhado pelo empreendedor do ponto de vista de novidade, de trazer algo autêntico e autoral para dentro do estabelecimento, e também do ponto de vista de marketing, de comunicação e de relacionamento com cliente, isso pode atrair novos públicos”, explica Simone Lopes, analista técnica do Sebrae Minas e coordenadora do Prepara Gastronomia.
Para ela, o evento atrai o cliente interessado em entretenimento, principalmente no ramo de coquetéis, e na experiência que fica. Quando a proposta traz uma estratégia diferenciada, que pode variar de tempos em tempos, com assinatura, história, origem dos ingredientes ou contexto de criação daquele coquetel, o atrativo vai além do drinque. “Isso encurta a distância entre o bartender e causa ainda mais identificação com o cliente”, destaca.
O proprietário do Cabernet Butiquim, Pablo Teixeira, concorda e destaca que o projeto contribui para ampliar o repertório do próprio bar ao longo do ano. “Cada convidado provoca um novo olhar sobre o balcão, seja pela escolha dos ingredientes, pela forma de servir ou pela construção dos sabores. Isso acaba influenciando a casa como um todo e mantém o espaço sempre em evolução”, afirma.
Parceria com resultado
Outro ponto destacado por Simone é que a presença de outro bartender não exige modificações na equipe já internalizada no estabelecimento. Ou seja, a casa recebe um profissional qualificado, com visão e posicionamento, que traz algo novo sem necessariamente precisar estar fixo no restaurante. Em resumo, a dinâmica ajuda a oxigenar o ambiente e mudar a rotina da casa.
“A gente entende o bar como um espaço de criação e de circulação de ideias. Receber outros bartenders é uma forma de fortalecer essa dinâmica e, ao mesmo tempo, oferecer ao público experiências que não são replicáveis, que acontecem só naquela noite”, complementa Pablo.
A dinâmica, no entanto, deve ser feita com cautela, a começar pela escolha das parcerias, que precisam agregar à marca. Dependendo da linha de trabalho do profissional, sua identidade ficará ligada ao estabelecimento, e a ação não pode parecer forçada. “A estratégia tem que ser bem pensada para que os resultados potencializem os ganhos”, diz Simone.
“Para além da vontade de fazer um evento diferente e de trazer a confraternização entre os profissionais, um precisa conhecer o trabalho do outro. O nosso interesse, e o da casa, é que ele tenha bons resultados de vendas e que aquele dia seja produtivo financeiramente para que possa acontecer novamente. Se o evento não for bem-sucedido, a empresa vai entender que aquela dinâmica não funciona”, enfatiza Mariana.
Público diverso
Para a bartender do Margô Drinkeria, além de funcionar como uma estratégia para o próprio estabelecimento, o guest bartender abre a possibilidade de a clientela conhecer outros profissionais e se interessar pelo trabalho deles, o que pode levar esse cliente a circular por outros bares da cidade. “Promove o giro desse cliente pela cidade, entre os estabelecimentos, para consumir outros coquetéis autorais ou conhecer o trabalho desse profissional em outros lugares também”, afirma.
Mariana, que atua no Mercado Novo, ambiente marcado por um público diverso, ressalta que a proximidade entre consumidor e bartender ajuda a ampliar a percepção sobre o coquetel. Para ela, há lugares e eventos que favorecem esse contato direto e fazem com que o drinque deixe de ser visto apenas como uma segunda opção diante da cerveja ou do vinho.
“Às vezes, sentando no balcão, tendo uma experiência de guest ou a oportunidade de conversar com o bartender, o cliente consegue entender, em um pedido, que o drinque talvez seja até melhor para aquela ocasião, porque traz mais sabor, uma experiência mais complexa e um contato mais direto”, avalia.
Segundo ela, o coquetel consegue chegar a diferentes públicos, seja pela curiosidade em relação a um sabor, pela apresentação do copo, pela imagem vista no cardápio ou pelo interesse de quem já consome coquetelaria. No Mercado Novo, ela observa uma diversidade tanto de clientes quanto de perfis de paladar.
“Tem gente mais jovem, gente mais velha, pessoas com paladar mais maduro e também quem gosta de um coquetel mais docinho, mais fácil de beber. No Margô, temos um cardápio que atende esse público. Os profissionais são treinados para guiar o cliente na melhor experiência possível, desde que ele esteja aberto para receber uma orientação que faça com que a experiência seja melhor”, afirma.
Proximidade com o cliente
O mixologista e consultor Albert Coelho, conhecido como Bebeto, também vê o guest bartender como uma oportunidade de aproximar o público do processo de criação. Finalista mundial da Monin Cup 2024, ele se aventura na coquetelaria desde 2016 e é reconhecido pelo trabalho com a cachaça.
Para Bebeto, a presença de uma carta diferente e do profissional no balcão desperta a curiosidade dos clientes, que passam a perguntar sobre ingredientes, modo de preparo e inspiração dos drinques. “Como é uma carta diferente, o pessoal está ali no balcão mostrando ao vivo. A gente fica muito disposto a receber um cliente diferente, a explicar algum ingrediente inusitado, o modo de preparo e qual foi a inspiração daquele coquetel”, explica.
Ele avalia que o movimento de guest bartender tem crescido em Belo Horizonte, mas ainda não acompanha o agito de outras capitais. “É um movimento mundial, que foi acontecendo de fora para dentro. A gente foi pegando referências de bares de fora, de grandes capitais e foi reproduzindo. Esse movimento também envolve aniversários e datas especiais”, observa.
Para experimentar
Para quem ficou interessado em conhecer o universo do guest bartender e da alta coquetelaria, o Baretto e o Lobby Bar do Hotel Fasano, localizados no Bairro Lourdes, Região Centro-Sul de BH, recebem, nesta quinta-feira (21/5), Vagner Carreiro, chefe de bar do Fasano Rio, com mais de 15 anos de trajetória na coquetelaria de alto padrão, e Cláudio Gomes, chefe de bar do Fasano BH.
O encontro celebra a troca de referências dentro do grupo e reúne, em uma única noite, a experiência dos dois profissionais. Das 19h às 21h, Cláudio e Vagner estarão no Lobby Bar, onde recebem os convidados para a preparação de drinques no balcão. A partir das 21h, a programação segue para o Baretto, onde os bartenders comandam juntos a noite, conduzida pelo DJ Lu Lobato, que se apresenta das 21h às 3h.
Para a ocasião, Cláudio e Vagner escolheram um cardápio com seis drinques, em uma carta que transita entre a cultura brasileira e a tradição da coquetelaria clássica. O “Macunaíma” (R$ 89) combina cachaça, bitter italiano, suco de limão e xarope de açúcar. Já o “Gisela” (R$ 67) reúne vodca, suco e xarope de melancia, sour mix e pimenta, enquanto o “Mi Amore” (R$ 85) traz tequila, vermute, licor de ervas e licor de flor de sabugueiro.
A seleção inclui, ainda, o “Cardinale” (R$ 69), feito com gim, aperitivo e vermute seco; o “Dante” (R$ 69), que combina uísque, suco de limão, soda e licor de amêndoas; e o “Port Caribbean” (R$ 96), com rum, vinho do Porto e bourbon. Clássicos como Dry Martini também serão servidos durante a noite.
Noites memoráveis
Se o guest bartender funciona como estratégia para o estabelecimento, também se caracteriza como espaço de aprendizagem, reencontros e networking entre profissionais da coquetelaria. Para quem está atrás do balcão, a experiência vai além da criação de uma carta temporária: envolve troca de técnicas, circulação de referências e até a possibilidade de dividir o balcão com nomes que muitas vezes fazem parte da formação de outros bartenders.
Diego Kruz, head bartender do Bar Chika, localizado no subsolo do premiado Nimbos, na Savassi, Região Centro-Sul de BH, atua há 30 anos na área e entende que o formato nasceu ligado à presença de profissionais relevantes na cena, mas acabou sendo adotado de forma mais ampla por bares que buscavam movimentar a casa. Por isso, ele defende que a curadoria seja feita com critério. No Chika, a regra é receber profissionais de fora de outro estado.
“Só vem gente de fora, que não atua nos balcões da capital, porque senão não faz muito sentido. Todas as pessoas que atuam por aqui eu conheço. E todos os bons a gente faz questão de recomendar.” Segundo ele, isso amplia a experiência de quem frequenta a casa e aproxima a cena mineira de outros mercados.
O bartender explica que, no Chika, a programação não segue um calendário fixo. A dinâmica acontece de forma mais orgânica, quando algum profissional vem à cidade. “A gente já tem algumas datas agendadas, mas porque alguém vai vir para fazer alguma coisa aqui. Aí a pessoa fala que comprou passagem, que vem para cá e a gente propõe fazer um guest. É uma coisa muito natural”, diz.
Para Diego, este formato evita que o guest bartender se transforme em uma obrigação mensal, o que poderia esvaziar parte do sentido do encontro. Em ocasiões especiais, no entanto, a proposta pode ganhar outra dimensão. No aniversário do Chika, por exemplo, a casa programou um “super guest” com cinco bartenders, mas, no fim, 10 profissionais participaram da noite.
Momento afetivo
A experiência, segundo ele, também carrega um componente afetivo. Diego relembra a oportunidade de dividir o balcão com Bertone Mancini, profissional que acompanhava desde o início da carreira, quando ainda assistia a vídeos em fita VHS para aprender movimentos de flair bartending.
“Foi por conta dele que comecei a trabalhar no bar. A chance de trabalhar com o Bertone era praticamente zero, já que ele não atua mais atrás do balcão. Por ser no Chika, pela história, ele topou fazer o guest e ficou a noite inteira atrás do bar”, relembra.
Além da noite em si, o bartender destaca que existe todo um processo antes e depois do evento. Há a construção das receitas, a organização da operação e depois o momento de continuar a troca fora do bar. “É um acontecimento. Tem o antes, seja produzindo juntos, fechando receita e organizando tudo; o durante; e claro, o pós. Sempre são muitas histórias”, afirma.
Para Diego, os eventos cumprem uma função importante ao atingir, primeiro, os próprios bartenders. Quando um profissional de fora vem a BH, outros bartenders têm a chance de beber um coquetel feito por ele, conversar, trocar referências e criar laços. “O guest bartender não é só para entregar um coquetel incrível, mas é muito mais um acontecimento. É uma festa e um dia para ficar registrado. É para participar desse momento e fazer parte da história daquele bar”, afirma.
Trocas benéficas
Para Filipe Brasil, bartender, mixologista, sócio e responsável pela carta de drinques do recém-inaugurado Ototoi Bar de Discos, na Savassi, o guest bartender é uma oportunidade direta de troca de conhecimento. A experiência permite que um profissional apresente técnicas que a equipe da casa talvez não utilize no dia a dia e, ao mesmo tempo, aprenda com a estrutura e os costumes do bar anfitrião.
“Às vezes, o bartender trabalha com uma técnica com a qual a gente não está acostumado, ou a gente leva uma técnica e um conhecimento que aquela casa não está acostumada a trabalhar. Essa troca é sempre benéfica. A gente consegue literalmente passar e receber conhecimento no mesmo momento.”
Filipe observa que há diferenças entre estar como convidado e atuar como anfitrião. Como guest, ele avalia que o profissional costuma ter mais liberdade para circular, brindar com clientes e interagir com outros bartenders presentes. Já quem recebe, assume uma preocupação maior com a hospitalidade. “Como host, principalmente nós, que somos bons mineiros, queremos receber bem, tratar aquela pessoa que convidamos com o máximo de hospitalidade possível”, afirma.
Essa relação, para ele, também ajuda a reforçar a cena local. Filipe reconhece que grandes eventos e convites ainda se concentram no eixo Rio-São Paulo, o que cria entre os mineiros uma vontade de mostrar a qualidade do que é produzido no estado.
“Quando a gente é convidado para um guest fora, o que acontece com menos frequência do que quando os mineiros convidam paulistas e cariocas para cá, existe uma pressão leve de querer fazer o nosso melhor e mostrar que nós, belo-horizontinos e mineiros, também temos o molho”, brinca.
Rede de apoio
A bartender e consultora de bar Cibele Guimarães, conhecida artisticamente como Jezebel, também enxerga o guest como um encontro da própria classe. Para ela, os bartenders formam uma parte importante do público desses eventos, seja para apoiar colegas, aprender ou trocar experiências. “O guest é um encontro. Acaba virando uma festa e você consegue ter mais tempo e mais interação com o público”, afirma.
Na visão de Cibele, BH tem uma cena marcada pela proximidade entre os profissionais, o que ajuda a manter uma rede de apoio entre colegas. Para ela, a capital mineira se diferencia por uma convivência menos atravessada pela rivalidade. “Aqui em BH, a gente é bem unido. Tentamos fazer um processo em que não tenha rivalidade. Estamos na capital do boteco, então tem público para todo mundo”, diz.
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Essa troca aparece também no cotidiano. A bartender conta que é comum sair do próprio bar para beber no bar de colegas, assim como receber outros bartenders no balcão em que trabalha. Nessas visitas, surgem sugestões, testes e comentários sobre receitas. “A troca é muito grande. A gente dá dica um para o outro, experimenta e dá palpite. É muito gostoso”, afirma.
Jezebel já participou de guests ao lado de Filipe e Diego. Para ela, apesar da responsabilidade de receber outro profissional, a experiência costuma ser menos tensa do que o trabalho cotidiano. “O trabalho do dia a dia é mais tenso do que o guest. Lógico que, quando você está recebendo, tem uma tensão, porque vai receber um amigo, um convidado, outro bartender. Mas acho muito gratificante. É esse momento de troca e de experiência boa.”
O que faz um bartender?
- É a pessoa que domina a arte da coquetelaria, sendo responsável por preparar, misturar e servir bebidas alcoólicas e não alcoólicas, diretamente ao cliente ou por meio da equipe de salão.
- A profissão tem origem nos tempos das tabernas e saloons. Com o tempo, principalmente no século 19, nos Estados Unidos, o conceito de bartending ganhou mais destaque, com receitas mais elaboradas e a introdução da mixologia.
- No cotidiano, a função vai além de executar receitas. O profissional organiza a estação de trabalho, controla insumos, conhece ingredientes, orienta o cliente, adapta preparos, cria coquetéis e ajuda a conduzir a experiência no balcão.
- No Brasil, a profissão aparece na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) vinculada ao termo barman.
Serviço
Garagem do Cab
- Rua Levindo Lopes, 18, Funcionários
- (31) 98447-4102
- De quarta a sábado, das 18h às 22h;
- Domingo, das 11h30 às 16h.
- @garagemdocab
Margô Drinkeria
- Avenida Olegário Maciel, 742, 3º andar, Centro
- Terça, das 18h às 23h;
- Quarta e quinta, das 18h à 00h;
- Sexta, das 14h à 00h;
- Sábado, das 13h à 00h;
- Domingo, das 12h às 18h.
- @margodrinkeria
Baretto
- Rua São Paulo, 2320, Lourdes
- (31) 3500-8900
- De quinta a sábado, das 21h às 3h
- @fasanobelohorizonte
Chika
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
- Rua Sergipe, 629, Savassi
- De quinta a sábado, das 19h às 21h e das 21h30 às 23h30
- @barchika.jp
Ototoi Bar de Discos
- Avenida do Contorno, 5602, Savassi
- (31) 98473-0584
- De terça a quinta, das 19h às 23h;
- Sexta e sábado, das 19h à 1h.
- @ototoibardediscos