Com estilos diferentes, boleiras de BH se encontram na busca por qualidade
Enquanto uma segue tendências, outra prefere seguir uma linha mais tradicional
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Se a narrativa sobre o bolo de aniversário é feita de tradições que atravessam séculos, a história pessoal de Luciane Otoni Milen ajuda a ilustrar como esse símbolo se manteve vivo nas mesas mineiras. Aos 67 anos, Luciane transformou um fazer doméstico em um negócio sólido e respeitado, trabalhando sempre por conta própria.
Tudo começou há 30 anos, diante de uma necessidade familiar. Com o fechamento da Minas Caixa, onde seu marido trabalhava, e a transição dele para um novo emprego, Luciane sentiu que era o momento de contribuir com a renda da casa. O talento ela já possuía: fazia bolos para os três filhos. O batismo profissional ocorreu de forma despretensiosa.
“O primeiro bolo que fiz para fora foi o que mandei para o trabalho do meu marido, no dia do aniversário dele, para cantarem o parabéns”, recorda Luciane. O que era um gesto de carinho logo se tornou oportunidade. Através da convivência na igreja, a professora da escola dominical de seu filho caçula quis saber o que ela andava produzindo. Luciane mencionou os salgadinhos, a moça encomendou uma remessa e, ali mesmo, ela viu a chance – anunciou que também fazia doces.
Para profissionalizar o que o instinto já ditava, Luciane buscou técnica. Aprendeu as bases em um curso oferecido por um supermercado de Belo Horizonte e contou com a troca de receitas de tortas e doces com uma amiga que também estudava a área.
Foco no sabor
No início, o cardápio era focado no clássico bolo de marshmallow, mas a vitrine cresceu conforme conquistava mais clientes. Hoje, as opções passam por chocolate, brigadeiro, nozes, morango, coco, prestígio, limão e combinações como choconozes e chocolate com morango.
O orgulho da casa é uma criação exclusiva. “Uma receita própria é o bolo Tropical, de abacaxi com coco. Lembrei de uma confeiteira no interior que foi minha inspiração para criá-lo”, conta.
Mesmo com a evolução das técnicas de confeitaria artística e o surgimento de modismos, Luciane mantém a essência do bolo tradicional. Seus preparos não levam personagens ou decorações industriais. O foco são o sabor e a textura, que fidelizam gerações. Entre os mais pedidos, marshmallow, morango com brigadeiro e o Tropical.
Seja para festas infantis, celebrações de adultos ou eventos corporativos, a demanda é constante e até dispensa o marketing. “É um grande prazer fazer bolo. Não preciso fazer propaganda, tenho encomenda o tempo todo. O retorno é muito bom e sempre recebo elogios”, afirma. A maior prova de sua qualidade não está nos anúncios, mas na longevidade. Luciane atende clientes fiéis que a acompanham desde o primeiro bolo.
Sucesso nas redes
A jornada de Carla Camisassa, de 59, e de sua filha, Paola Camisassa, de 26, pelo universo do açúcar começou em 2018, em um momento de transição. Carla, professora de português e funcionária do Estado, sentiu a necessidade de se reinventar diante de mudanças na profissão. O caminho escolhido foi o doce. Com o apoio de Paola – que, embora exerça a profissão de dentista, divide seu tempo cuidando da vitrine digital e das redes sociais do negócio –, Carla mergulhou em cursos e testes para dominar o ofício.
Quando a pandemia de 2020 isolou o mundo, Carla ainda estava engatinhando como boleira, mas já possuía uma base fiel de clientes. Foi no Instagram que mãe e filha encontraram a oportunidade de saltar para o próximo nível ao descobrirem uma tendência vinda da Coreia do Sul: o bentô cake.
“Fui uma das primeiras em BH a fazer o bentô cake. É um mini bolo individual em uma marmita, com desenhos e frases divertidas. Tudo mudou quando uma influenciadora com mais de um milhão de seguidores no TikTok postou um dos nossos bentôs. A clientela cresceu exponencialmente a partir dali”, recorda Carla.
Desde então, o portfólio se expandiu para acompanhar as mudanças constantes do mercado. Hoje, Carla domina técnicas que vão do clássico ao moderno, utilizando coberturas de buttercream, produzindo naked cakes e os requisitados vintage cakes (em formatos redondos ou de coração). O diferencial, entretanto, permanece no toque humano. Cada personagem ou decoração é desenhado à mão livre, reforçando o caráter artesanal da marca.
Inventando moda
A produção atende desde o público infantil até adultos, adaptando-se às ondas estéticas que definem cada temporada. Segundo a confeiteira, cada ano tem uma tendência, inventa-se uma moda. “Já passamos por fases em que o foco era apenas o boneco Flork [personagem do bentô cake] em diversas situações, depois só florais, os estilos vintages ou o uso de flores naturais. Converso com o cliente, ele me diz o que quer e chegamos a um consenso.”
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Apesar da força do Instagram como motor de novas encomendas, o trabalho ainda se sustenta no pilar mais tradicional da gastronomia: a experiência sensorial. “O que gera demanda é o boca a boca. Sempre recebemos feedbacks de pessoas que experimentaram o bolo em uma festa, pediram o contato e encomendaram para sua própria comemoração. É aí que fala mais alto a qualidade do produto”, explica Carla.
Para mãe e filha, o papel do doce na celebração é sagrado, uma lição aprendida nesses anos de trajetória. “Descobrimos um grande potencial nesse mercado. Afinal, a parte mais importante da festa, depois do aniversariante, é o bolo.”
Serviço
Luciana Otoni Milen
(31) 98393-2223
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Confeitaria Carla Camisassa
(31) 98874-2008
@confeitariacarlacamisassa