Zendaya e Robert Pattinson, dois dos nomes mais populares de Hollywood na atualidade, dividem a tela em três filmes com estreia prevista para este ano. O primeiro a chegar aos cinemas é “O drama”, comédia romântica sombria dirigida pelo norueguês Kristoffer Borgli e produzida pela A24, estúdio conhecido por sucessos independentes, como o recente “Marty Supreme”

Desde o início da campanha de divulgação do longa, "O drama" foi apresentado como uma história centrada no período pré-nupcial de um casal de “almas gêmeas”. Fora das telas, o lançamento coincidiu com as especulações de que Zendaya e Tom Holland haviam se casado

Na trama, Emma (Zendaya) e Charlie (Pattinson) se conhecem em uma cafeteria e rapidamente se apaixonam. A relação é tão feliz que, ao preparar os votos de casamento, o casal encontra dificuldade em selecionar poucos momentos para destacar. 

A situação se transforma quando, dias antes da cerimônia, amigos os desafiam a revelar, um ao outro, a pior coisa que já fizeram. Os trailers deixam claro que o segredo revelado por Emma gera reações furiosas dos demais personagens. 

 

“O drama”, portanto, gira em torno da revelação da noiva. Em entrevistas para a divulgação do filme, diretor e elenco fizeram reiterados pedidos para o público evitar ler sobre o filme antes de ir aos cinemas, defendendo a ideia de que o conhecimento prévio do segredo da personagem comprometeria a fruição da obra. 

A estreia de "O drama" está marcarda para esta sexta-feira (3/4) nos Estados Unidos. No Brasil, o filme chegará às salas somente em 9 de abril.

“Queremos que o público passe pela mesma experiência que os personagens do filme, sendo surpreendido”, disse Kristoffer Borgli ao “The Hollywood Reporter”. “Não leiam críticas, não entrem na internet, tentem assistir sem saber nada. Acho que essa é a melhor forma de ver o filme”, ressaltou.

No entanto, após as primeiras exibições para a imprensa e convidados, a estratégia foi parcialmente comprometida. A revelação feita por Emma se tornou pública e suscitou críticas e reações indignadas.

Essa é uma situação que o comediante Jimmy Kimmel, apresentador do talk show que leva seu nome, anteviu e abordou com Zendaya, quando recebeu a atriz no programa. 

No “Jimmy Kimmel live!” do último dia 16 de março, ele afirmou para a intérprete de Emma: “Consigo ver esse filme causando muitos problemas para muitas pessoas em suas vidas pessoais”.

Zendaya respondeu secamente: “É possível. Essas conversas podem tomar muitos rumos”. E essa reação da atriz também foi alvo de críticas, da parte de quem viu na atitude "insensibilidade" com o tema abordado.

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Na trama do longa, enquanto Charlie admite já ter praticado cyberbullying, Emma revela que planejou um tiroteio na escola. Mais do que apenas idealizar o ato terrorista, ela chegou a treinar tiro e levar o rifle do pai para a aula, desistindo do crime na última hora.

Dado que o filme é produzido e ambientado nos Estados Unidos, onde tiroteios escolares são uma tragédia recorrente, a escolha perturbou pessoas que viveram essa realidade.

Uma das vozes críticas à abordagem de “O drama” foi a de Tom Mauser, pai de uma das vítimas do massacre de Columbine, em 1999. Na época, dois estudantes mataram 13 pessoas e feriram mais de 20 em uma escola no Colorado, antes de se matarem.

O episódio foi retratado pelo documentarista Michael Moore em "Tiros em Columbine" (2002). 

Em entrevista ao "TMZ", Mauser classificou como “terrível” a decisão de tratar um tema tão sensível nesse tipo de filme e criticou a participação de Zendaya no programa de Jimmy Kimmel, afirmando que a atriz não teve a sensibilidade e a noção de gravidade que o tema exige.

Entre os problemas sinalizados sobre “O drama”, está o fato de que a divulgação não envolveu alerta de gatilhos, surpreendendo espectadores que já vivenciaram tiroteios, ou conhecem alguém que passou por isso. 

O assunto é constantemente reiterado ao longo da narrativa. Há inúmeras cenas com a personagem armada e até reencenações do planejamento do massacre. Em alguns momentos, o tom chega a flertar com a sátira. 

Mauser também destacou a intenção dos personagens de relativizar o ocorrido e tornar as ações de Emma mais compreensíveis. Para ele, escolher Zendaya, uma das atrizes mais populares de Hollywood, para esse papel, tende a gerar empatia imediata.

Ele demonstra preocupação que a escalação acabe “humanizando” demais os perpetradores desse tipo de violência e contribuia para a “normalização” do tema em alguma medida. 

Segundo o "TMZ", Mauser defende que pessoas que já tiveram pensamentos violentos, mas não os concretizaram, não devem ser condenadas. Ao contrário, devem buscar ajuda psicológica. O problema, para ele, é transformar esse tipo de experiência em entretenimento.

Diretor e elenco não responderam diretamente às críticas feitas antes da estreia do filme. Será preciso ver as reações do público para saber como termina "O drama". 

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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes

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