Carol Biazin volta a BH com show acústico que 'é uma corda bamba'
Após o lançamento do disco "No escuro, quem é você?", com o qual alcançou o grande público, a cantora retoma o formato de show minimalista
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A cantora Carol Biazin se apresenta no Grande Teatro do Palácio das Artes nesta sexta (10/4), com a turnê acústica “Nem tão pouco assim”. Belo Horizonte é a quinta cidade que recebe o show – em seguida, ela se apresenta em Juiz de Fora, neste domingo (12/4).
Este é o terceiro ano consecutivo que a artista se apresenta na capital mineira. Em 2024, ela trouxe a primeira versão do projeto intimista no qual sobe sozinha no palco, acompanhada apenas de instrumentos e uma poltrona.
De lá para cá então, Carol Biazin lançou o álbum duplo “No escuro, quem é você?” (2025), que marcou uma virada em sua carreira. Entre os sucessos do projeto está a canção “Amor traumatizado”, que ultrapassa 25 milhões de reproduções no Spotify e ganhou uma versão piseiro em parceria com o cantor Felipe Amorim.
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O projeto também rendeu à artista sua primeira indicação ao Grammy Latino, em 2025, na categoria de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa. Na época, ela publicou um agradecimento nas redes sociais, no qual afirmou: “Quando iniciei o processo do 'No escuro, quem é você?' eu tinha muitos medos e inseguranças dentro de mim, mas a certeza de que algo muito maior me esperava".
Em 2026, Carol Biazin estreou o bloco de carnaval Te Amo Sem Culpa, que reuniu mais de 100 mil pessoas em São Paulo. O show da artista nesta sexta em BH já está com ingressos esgotados.
Na entrevista a seguir, ela fala sobre a nova fase da carreira e os caminhos que têm guiado sua música.
Você falou ao Estado de Minas no ano passado, quando veio se apresentar em BH com a turnê “No escuro, quem é você?”. Desde então, muita coisa aconteceu, inclusive sua indicação ao Grammy Latino. Como foi ter esse reconhecimento?
Quando a gente começa a sonhar alto assim, sempre acha que talvez esteja exagerando. A indicação ao Grammy foi exatamente uma resposta para isso, para saber que não era exagero no meu sonho e que as coisas realmente estavam acontecendo. Comecei a olhar mais para mim e para o meu projeto todo, depois de anos já fazendo isso, não como um projeto que vai acontecer, mas um projeto que já está acontecendo. Trouxe essa segurança não só para mim, mas para toda a minha equipe.
Quando você fez o disco, imaginou que ele se configuraria como algo diferente que te levaria a outro patamar de sucesso?
Tinha noção de que era algo diferente de tudo que já tinha feito. Foi um álbum sobre temas que estavam muito latentes para mim e sabia da sinceridade do projeto. Sabia que essa sinceridade poderia causar coisas nas pessoas, identificações e afins, mas confesso que a gente nunca está pronto, de fato.
Durante o processo, a gente está tão perto do que está sendo feito, que não consegue ter aquela visão de fora. Havia momentos de estúdio em que a gente ficava muito empolgado, mas depois tinha que ficar ouvindo a música várias vezes e pensar em estratégias de como trabalhar aquilo, entrando na questão de que já não era mais só 100% a música.
Quando lançou, fiquei aliviada e só depois de muito tempo pude olhar meu projeto de longe, com olhar mais de público e menos de criadora. Como criadora, a gente se critica muito e julga muito. Todo o processo é bem dolorido para mim nesse sentido, porque me cobrei demais. Me cobrei no sentido de ser vulnerável e ser um álbum que falasse aquilo que realmente sentia. Me preocupei com cada frase escrita naquele projeto, mas acredito que foi uma cobrança que valeu a pena.
Como você falou, a carreira artística não envolvem somente a criação musical. Agora que você está em uma fase de maior alcance, quais são as estratégias que você e a sua equipe adotam para se manter?
A música é a base e ela precisa estar ali forte. Sei que tem muita gente que fala que a música é quase que 10% da coisa toda, mas não acredito muito nisso. Ela é a base, precisa estar bem estruturada e ser muito você. Nossa primeira estratégia é ter esse ponto de verdade que, por mais que seja natural, funciona como uma estratégia também.
A segunda parte da comunicação toda, sobre principalmente o “No escuro”, foi pensar em como tocar as pessoas com aquilo que estava sendo dito no álbum e fazer as pessoas se sentirem parte daquilo também. Todas as coisas que a gente fez foram sempre pensando no fã que já se identifica com o projeto, em uma intenção de que aquele fã convertesse outros fãs. Nada melhor do que o fã para te apresentar para outra pessoa.
Então, a gente fez muitas ações de audição do “No escuro, quem é você?” com fãs. Fizemos audição gratuita na Avenida Paulista e encontros com eles em bares. A gente sempre teve uma relação muito próxima pela internet, a gente brinca muito um com o outro e a gente se sente muito íntimo um do outro já. Essa aproximação faz com que eles façam cada vez mais do meu projeto e, no final das contas, são os meus maiores divulgadores. Essa é a minha estratégia final.
Você fez um bloco de carnaval neste ano. Como surgiu essa ideia?
Sempre tive a vontade absurda de fazer um bloco. Desde que fui para um carnaval em BH, em 2024. Vivi o Bloco da Lagum e amei. Fiquei completamente viciada, mas não sabia como fazer aquilo acontecer. A gente tentou fazer no ano passado, só que não deu tempo.
O ano passado inteiro, a gente ficou correndo atrás para que tivesse o bloco neste ano, até mandei mensagem para o Pedro Calais [da Lagum]. A gente trocou um papo e ele me deu várias dicas do que fazer, o que não fazer. Foi um show muito desafiador para mim. Teve aquele nervosismo de não saber como as pessoas iriam lidar com um bloco meu sendo anunciado. Não sabia se elas entenderiam que seria de fato um show de carnaval e não só mais um show que já havia feito.
Quando a gente começou a trabalhar a divulgação com as músicas já rearranjadas, a galera começou a ficar empolgada para ver como seria. Foi o meu maior público até hoje e quero muito fazer ano que vem de novo em outras praças, quem sabe BH também. A gente quis experimentar para ver e, no próximo ano, fazer mais. A gente costuma fazer muito isso de começar devagarinho, e isso funciona.
O show desta sexta em BH traz alguma mudança em relação à primeira temporada da turnê acústica, em 2024?
É uma turnê bem intimista. Sou só eu no palco, com uma guitarra, um violão e um piano. O repertório é bem completo, um show de praticamente duas horas de acústico, mas não é um show parado. Ele tem seus momentos de ápice e de calmaria também. É um formato de show que estou podendo explorar muitos lugares diferentes que nunca fui ou que fazia tempo que não voltava também.
Está sendo divertido poder fazer, além de o público ter uma interação maior neste show. Por ele não ser tão cravado, não ter aquela coisa do clique e do metrônomo, isso deixa o show mais maleável. Tem música que em uma sessão vai soar de um jeito, na outra sessão vai soar de outro. Nenhum show é igual ao outro. Isso é impressionante.
Na turnê do “No escuro”, em 2025, você apresentou 30 músicas. É o mesmo repertório?
É e não é. Dei uma adaptada no repertório, principalmente por ser um show acústico, já que tem música que não se enquadra tão bem para esse formato. Algumas mudo bastante o arranjo. Mas tem bastante coisa legal. Tem um momento em que a galera ama, que é a parte da guitarra. Faço basicamente cinco músicas seguidas, que são sensuais, e é o momento que a galera começa a pirar a cabeça. É o momento mais divertido do show para mim e ainda tem esse calor do show do “No escuro”.
Já fiz quatro formatos diferentes de shows dentro de um ano: com banda, com orquestra, carnaval e agora esse. Foram quatro shows completamente diferentes um do outro, mas com músicas que se repetiam, algumas não. Sempre me apego ao que o espetáculo precisa.
Você comentou, na entrevista anterior ao "Estado de Minas", que o show acústico te deu mais confiança, por estar sozinha no palco. Depois de experimentar esses outros formatos, como está a questão da sua confiança no palco?
É uma corda bamba. Existe essa flexibilidade do show que traz confiança de que posso errar, fazer uma piada em cima disso e todo mundo vai gostar mesmo assim. O show permite que isso aconteça. Ao mesmo tempo, não estou a fim de errar. Me cobro muito, então quero muito acertar o tempo todo.
Essa é a parte em que ganho mais casca da estrada, porque de fato não tem ninguém para quem apontar o erro. Estou sozinha, o erro é meu. É um show que de fato tenho que bancar sozinha. Não é fácil fazer um show de duas horas acústico porque o receio era fazer as pessoas quererem estar ali sem dormir sentadas. Eu que fiz os arranjos, então também só estou tendo a prova de como está soando para as pessoas tocando ao vivo. Mas é isso, nada mais do que estar completamente sozinha no palco.
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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes