MÚSICA

Mac Júlia investe no miami bass em ‘Segue o baile’, seu novo álbum

Artista mineira disse que o disco busca fazer ‘uma afirmação cultural do baile carioca e do poder de Belo Horizonte no cenário nacional’

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Mac Júlia quer seguir o baile e, no novo álbum, leva a proposta ao pé da letra. Após “Baile da Dona Onça” (2024), centrado no MTG, gênero tradicional do funk de Belo Horizonte, a artista de Betim mergulha no miami bass em “Segue o baile”.

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O título, além de remeter ao disco anterior e à expressão popular de continuidade, faz referência ao álbum “Baile” (2021), de FBC, responsável por divulgar o miami bass no Brasil. Foi no projeto que Mac Júlia e o rapper gravaram o sucesso “Se tá solteira”, em parceria com o beatmaker Vhoor.


“Segue o baile” foi lançado em março passado, dois dias após Mac Júlia receber a primeira indicação como Melhor Artista de Funk no Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira. O disco tem produção de Pepito e direção de FBC.


O rapper belo-horizontino também participa de duas das nove faixas do álbum: “Para não” e “Vai querer”, esta última com videoclipe que tem lançamento previsto para esta sexta-feira (10/4). Outras cinco músicas incluem parcerias com artistas como Maghaiver, Amabbi, Pluglip, Link do Zapp, MC Morena, Vinijoe e Davi Horta.


A criação do disco remonta a 2025, quando Mac Júlia entrou na produtora Xeque Mate Estúdios e conheceu o beatmaker Pepito. Da parceria surgiram os singles “Beijo na boca”, releitura da canção de MC Pelé (1965-2009), e “Ajoelhou”, com MC Maneirinho, ambos já com elementos do miami bass.


Foi a partir dessas músicas que FBC se interessou pelo projeto e sugeriu aprofundar a pesquisa em um álbum. “Quando ele ouviu, ficou bastante instigado”, lembra Mac Júlia. “Como o criador de ‘Baile’, que foi a revolução do miami bass e do funk no Brasil, ele tem propriedade musical para falar do assunto”, afirma.


Letras

Na função de diretor, o rapper interferiu em diferentes etapas. Escolheu os artistas convidados, orientou as batidas e contribuiu para a construção das letras, todas assinadas por Mac Júlia.


As faixas foram escritas, gravadas e produzidas na ordem em que aparecem no disco, sem um conceito prévio rígido. “Foi tudo no freestyle”, resume a cantora, ressaltando que todos são artistas com origem nas batalhas de rima. “Nada foi combinado, nem número de músicas, nem temática. Foi tudo à base de estudo e conversa sobre o que a gente queria fazer. Essa é a nossa forma fluida”, diz.


O disco foi finalizado entre março e maio de 2025. Chegou a ganhar uma possível extensão em junho, quando o trio voltou ao estúdio para acrescentar outras duas faixas. A tentativa, no entanto, foi abandonada após a audição do material concluído. “O Fabrício [FBC] falou que estava pronto e levantou”, conta Mac Júlia, aos risos.


“Segue o baile” fala sobre seguir em movimento mesmo diante das adversidades. Logo na abertura, a música “Para não” sintetiza essa ideia e Mac Júlia canta: “Faz dinheiro / Corre das onça' / Trem bala mineiro / Para não”.


“O ‘corre das onça’ é o corre das mulheres, mas também é o corre da grana”, explica. “É a minha história nas rimas, uma narrativa de superação, sobre não parar e não desistir”, comenta.


Realidade

A partir da realidade da artista, criada na Grande BH, conciliando hoje a carreira, o empreendedorismo e a maternidade, que o título se consolida. “É exatamente a vontade de seguir o baile independentemente da opressão ao funk, da opressão às mulheres, da dificuldade de ser mãe e de ser uma artista independente nesse meio onde muitos empresários complicam nossas vidas. A gente segue e a gente mete marcha”, diz.


O álbum também abre espaço para músicas de amor inspiradas no viés romântico do miami bass dos anos 1990, quando, segundo Mac Júlia, o gênero ainda era ouvido como rap. Originado na Flórida, nos Estados Unidos, o miami bass é uma vertente do hip hop marcada por graves intensos, batidas aceleradas e letras de apelo sensual.


Durante o surgimento da cultura do funk carioca, na periferia do Rio de Janeiro, os bailes começaram a ser dominados por canções do miami bass. A partir dos anos 1990, o estilo norte-americano já havia sido reinterpretado no Brasil e se consolidou nos anos 2000, com o impulso da gravadora carioca Furacão 2000, que apostou no gênero e apresentou artistas como MC Marcinho (1977-2023), Valesca Popozuda, Deize Tigrona e MC Carol.


Ao retomar essa matriz em “Segue o baile”, Mac Júlia propõe um diálogo entre tempos e territórios do funk. “Quis explorar o funk como um todo, entendendo que não é só putaria, ou que não sou só eu, ou só o funk de BH”, diz.


“Todo funk advém do funk do Rio de Janeiro. Ele tem fundamento e passou por mais opressão do que existe hoje. O resgate do que foi com essa união do que é hoje é para mostrar que o funk tem coragem, tem entrega emocional e também provoca a conquista das mulheres”, diz a artista. “O álbum é uma afirmação cultural do baile carioca e do poder de BH no cenário nacional”, resume Mac Júlia.


“SEGUE O BAILE”
• De: Mac Júlia
• Produção: Pepito; Direção: FBC
• 9 músicas
• Gravadora: Xeque Mate Estúdios
• Disponível nas plataformas digitais

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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes

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