Concerto 'Afrobrasilidades' leva canções populares ao Palácio das Artes
Músicas brasileiras com raízes africanas recebem arranjos orquestrais em espetáculo nesta quarta-feira (8/4), que reunirá quas 300 músicos no palco
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As raízes africanas presentes na música brasileira serão celebradas nesta quarta-feira (8/4), no palco do Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, com todos os coletivos da Escola de Música do Cefart: Orquestra de Cordas, Banda Sinfônica, Big Band, Coral Infanto-juvenil do Palácio das Artes, Coro Sinfônico, Camerata de Violões e Grupo de Percussão.
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Essa é a segunda edição do espetáculo e, sob regência de Bruno Thadeu e Gilson Silva, com o objetivo de homenagear a influência da cultura africana na produção musical brasileira. O repertório vai de “Mama África”, de Chico César a “Não deixe o samba morrer”, de Edson Conceição e Aloísio Silva, passando por “Mas que nada” e “Zumbi”, de Jorge Ben Jor.
“Utilizamos arranjos de canções populares conhecidas pelo público – Jorge Ben Jor, Cartola, Sandra de Sá, Milton Nascimento e grandes expoentes dessa afrobrasilidade na música. Mas também vamos incluir músicas do repertório de concerto, como Heitor Villa-Lobos e Carlos Alberto Pinto Fonseca, que compuseram obras homenageando elementos da cultura africana na música brasileira, sobretudo das religiões de matriz africana”, explica Bruno Thadeu.
Segundo o regente, que também é professor do Cefart, ao menos 300 pessoas estarão no palco, sendo cerca de 100 apenas do Coral infanto-juvenil e do Coro Sinfônico do Cefart. “É um desafio organizar tantos alunos no palco. As pessoas não fazem ideia do trabalho que é organizar tantas crianças, adolescentes, adultos, instrumentistas, pessoal da iluminação e tudo. Em contrapartida, quando levantamos a mão e a orquestra dá o primeiro acorde e o coro entoa, tudo faz sentido, a coisa vale a pena e você enxerga isso”, comenta.
Para ele, a proposta do espetáculo é tirar de cada pessoa a influência afro-brasileira que há dentro dela. “Porque somos brasileiros, temos essa influência desde o nascimento, da música, da cultura, da religião, da culinária. Conseguir tirar isso de cada um é o desafio.”
Arranjos musicais
Para fazer as adaptações necessárias quando uma canção popular é tocada por uma orquestra, é preciso um profissional que muitas vezes passa despercebido pelo público: o arranjador. “Normalmente, ele não é tão divulgado na mídia, mas é de extrema importância”, diz Thadeu.
Segundo o regente, o papel do arranjador é fazer uma tradução, ao pegar uma obra já consagrada no meio popular com formação vocal e instrumental diferentes e levar isso para o universo da música sinfônica, incluindo desde os instrumentos da orquestra até as vozes de um coro.
“É um trabalho de extremo requinte e precisa de uma técnica muito apurada, porque a música precisa manter sua essência, o que é conhecido pelo público, o caráter da música precisa estar ali. No entanto, ele precisa também funcionar para aquela formação, é um trabalho fundamental.” No Cefart, os arranjos são feitos por Gilson Silva, Cláudio Leite e Renato Goulart.
“Na edição passada, as pessoas adoraram, porque são músicas que elas reconhecem, mas com um sabor diferente daqueles instrumentos, da formação mais orquestral. O arranjador é uma peça-chave, toda vez que fazemos um espetáculo mais ou menos nesses moldes e precisamos adaptar canções, eles estão lá. É um músico com um trabalho muito solitário, que não tem o devido reconhecimento”, afirma Bruno Thadeu.
CONCERTO “AFROBRASILIDADES”
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Nesta quarta-feira (8/4), no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro), às 20h. Entrada gratuita mediante retirada de ingresso na plataforma Sympla e na bilheteria do Palácio das Artes.