Mimulus Cia. de Dança faz apresentação única de 'Chão'
O espetáculo mais recente da companhia estreou em novembro de 2025 e chega nesta sexta-feira (10/4) ao Grande Teatro do Sesc Palladium
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No espetáculo mais recente da Mimulus Cia. de Dança, “Chão”, a criação parte da série fotográfica de Diego Bresani, que registra as chamadas “linhas do desejo” em Brasília. O termo é utilizado para abordar os trajetos improvisados por pedestres que desviam dos caminhos formais da arquitetura para encurtar percursos.
Dirigido por Jomar Mesquita, que também assina a concepção, ao lado de Rodrigo de Castro, o trabalho trata essas linhas como um conceito poético. “O chão vai sendo marcado por uma linha que representa, de forma metafórica, uma oposição aos caminhos que nos são impostos”, afirma o coreógrafo.
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“Chão” terá apresentação única nesta sexta (10/4), às 21h, no Grande Teatro do Sesc Palladium. O espetáculo estreou em novembro de 2025, no Galpão da Mimulus, e passou pelo Grande Teatro do Palácio das Artes em janeiro, durante a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança.
A partir da ideia das “linhas do desejo”, a montagem investiga as trajetórias individuais e coletivas. “A gente trabalha com os traços e as rotas que a gente percorre ao longo da vida. A algumas a gente se submete e outras a gente subverte”, afirma o diretor.
Em cena, oito bailarinos desenvolvem uma coreografia baseada na dança a dois, marca da companhia. “A base do nosso repertório coreográfico sempre foi, e continua sendo, as danças a dois, mas a companhia as desconstrói. O que preservamos é a comunicação e a conexão entre os corpos. A partir disso, é imbuída a temática dos caminhos e do chão”, diz Jomar.
Traduzir a dimensão social e espacial em movimento foi um dos principais desafios do processo. Segundo o diretor, a dança opera menos pela lógica racional e mais pela experiência sensorial. “Isso abre a possibilidade para que o espectador receba, compreenda e sinta aquela obra através das suas próprias vivências, experiências e individualidade”, diz.
O cenário, assinado por Ed Andrade, reforça a leitura do espetáculo ao dialogar diretamente com a coreografia. Com materiais recicláveis, a cenografia se transforma ao longo da apresentação, sugerindo a criação de trajetos espontâneos e inesperados.
“São chãos sobrepostos que se modificam de maneira inesperada, com materiais que vão sendo dobrados e desdobrados, enquanto vão formando e deformando caminhos”, comenta o diretor.
Outro destaque do espetáculo é o figurino, que foi feito inteiramente a partir de roupas que já existiam no acervo da companhia. A criação é de Juliana Macedo, que também integra o elenco de “Chão”. Juliana foi assistente de Baby Mesquita, mãe de Jomar, e assumiu a função de figurinista depois da morte de Baby, em 2022.
A companhia também tem destinado parte de seus figurinos a grupos artísticos iniciantes. Mais do que uma prática sustentável, a reutilização das peças é uma homenagem à trajetória da Mimulus Cia. de Dança, que completou 33 anos em 2025.
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A efeméride, inclusive, dialoga diretamente com o tema do espetáculo. “A gente tem refletido sobre a nossa história e o que a gente construiu ao longo dessas mais de três décadas. Refletir sobre os caminhos percorridos, além das intercorrências, as interrupções e as mudanças ao longo dos anos foi uma maneira poética de falar sobre o grupo, seja como companhia ou na individualidade de cada participante”, ressalta Jomar.
“CHÃO”
Nesta sexta (10/4), às 21h, no Grande Teatro do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro). Ingressos: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia), à venda na plataforma Sympla.
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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes