Muito antes de alcançar reconhecimento internacional e disputar o Oscar de Melhor Ator com "O agente secreto", Wagner Moura já chamava atenção nos palcos de Salvador (BA) no fim dos anos 1990. Foi durante uma apresentação da peça “Abismo de Rosas” que o diretor João Falcão teve o primeiro contato com o ator, graças a um conselho de Vladimir Brichta.

Em entrevista ao portal Terra, ele contou que o jovem Brichta disse que o diretor precisava conhecer Moura. Falcão aceitou o convite e assistiu ao espetáculo. A atuação do jovem ator o impressionou imediatamente.

“Era muito bom mesmo. Wagner era muito bom”, relembrou o diretor, hoje com 67 anos. Ao final da apresentação, João Falcão foi cumprimentar Moura pela performance. A resposta do ator mostrou que o talento baiano não vinha sozinho. “Mas você precisa conhecer o Lazinho”, respondeu, referindo-se a Lázaro Ramos.

A curiosidade do diretor foi despertada novamente. Desta vez, ele conheceu o trabalho de Lázaro por meio de uma fita VHS com uma de suas apresentações. O resultado foi o mesmo: encantamento imediato.

Dessa sequência de indicações entre amigos surgiu a ideia de reunir os três jovens atores em um novo projeto teatral. João Falcão decidiu então criar uma adaptação do livro “A máquina”, de Adriana Falcão, transformando a história em um espetáculo inovador.

Além de Wagner Moura, Lázaro Ramos e Vladimir Brichta, o elenco contou também com Gustavo Falcão. “Eles me levaram a fazer uma peça em que um ator virava quatro atores interpretando o mesmo personagem. Eu queria trabalhar com esses meninos. Eles eram muito jovens, tinham no máximo 23 anos”, explicou o diretor.

Vladimir Brichta, Wagner Moura, Gustavo Falcão e Lázaro Ramos na peça 'A máquina', nos anos 1990

Reprodução / redes sociais

Na montagem, os quatro atores interpretavam versões do mesmo personagem, Antônio. A encenação também era inovadora: o palco tinha uma estrutura circular, com quatro plateias diferentes, e os atores alternavam as narrativas enquanto disputavam o amor da personagem Karina.

Segundo João Falcão, o formato exigia grande habilidade dos intérpretes. “Às vezes eles contavam juntos, às vezes cada um contava sua versão da história. Eram quatro atores querendo narrar a trajetória de Antônio, e cada informação completava a outra”, explicou.

A peça estreou primeiro em Recife (PE). Depois, passou por Curitiba (PR),  Rio de Janeiro e São Paulo. O sucesso foi tão grande que acabou acelerando a entrada dos atores na televisão.

“Falam que eu trouxe eles para um universo mais popular do Brasil. Eles já eram muito bons em Salvador, mas ainda estavam começando”, lembrou Falcão.

Parceria continuou na televisão

Com o crescimento da carreira do trio, João Falcão decidiu reuni-los novamente em um projeto na televisão. Assim nasceu a série “Sexo frágil”, exibida pela TV Globo. O humorístico mostrava os dilemas de quatro jovens amigos que buscam desviar um pouco do papel do homem imposto pela sociedade. 

Além dos papéis masculinos, o trio de atores também dava vida às mulheres. A produção também fez sucesso, mas a parceria não durou muito tempo. Logo os três atores foram chamados para outros trabalhos na emissora.

Vladimir Brichta, Gustavo Falcão, Lázaro Ramos e Wagner Moura em reencontro em 2025

Reprodução / redes sociais

Mais de duas décadas depois da estreia original, “A máquina” voltou aos palcos em 2025, em São Paulo. A nova montagem manteve o conceito de quatro atores interpretando Antônio, mas deu maior destaque à personagem Karina.

A protagonista desta versão foi Agnes Brichta, filha de Vladimir Brichta, uma participação simbólica que reforça a ligação histórica entre a peça e os atores que ajudaram a torná-la conhecida.  A nova temporada aconteceu apenas na capital paulista, mas há expectativa de que o espetáculo circule por outras cidades brasileiras em 2026.

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