Wagner Moura pensa em agradecer Bolsonaro no Oscar
Em talk show, o ator brasileiro brincou que, se ganhar a estatueta, irá imitar apresentador americano e citar o ex-presidente durante discurso
compartilhe
SIGA
Wagner Moura disse em entrevista ao talk show "Jimmy Kimmel live!", nesta quarta-feira (4/3), que o filme "O agente secreto" é uma consequência da perplexidade dele e do diretor Kleber Mendonça Filho com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Esse filme não teria acontecido se não fosse por causa dele", disse.
- Wagner Moura vai ao Oscar com Lázaro Ramos; relembre a amizade dos dois
- Polícia brasileira protege o Estado, não o cidadão, afirma Wagner Moura
Caso ganhe o Oscar de Melhor Ator, o brasileiro brincou que pensa em imitar Kimmel que, ao vencer o Critics Choice Awards de Melhor Talk Show, em janeiro, fez um agradecimento irônico a Donald Trump. "Obrigado, Sr. Presidente, por todas as muitas coisas ridículas que você faz a cada dia. Foram semanas excepcionais, e mal podemos esperar para voltar ao ar amanhã à noite para falar sobre elas", discursou o americano.
Moura achou uma boa ideia fazer esse tipo de agradecimento e definiu Bolsonaro como "o Trump brasileiro". "Mas o nosso Trump está na prisão", completou, conquistando aplausos da plateia.
Leia Mais
O apresentador perguntou qual é a sensação de ver o ex-presidente punido pela trama golpista. "É uma sensação boa", afirmou o ator.
Ele e Kimmel também falaram sobre as ameaças tarifárias de Trump contra o Brasil e abordaram a dificuldade que Moura enfrentou para lançar o filme "Marighella", dirigido por ele, nos anos de bolsonarismo.
O ator afirmou que os ecos da ditadura militar ainda são muito presentes no Brasil. Para ele, a eleição de Bolsonaro é um reflexo disso. Ao mesmo tempo, Moura disse acreditar que as punições à trama golpista ocorreram rapidamente porque o país sabe o que é viver sob uma ditadura.
- Wagner Moura: 'Temos que continuar fazendo filmes sobre a ditadura'
- Moura faz alerta nos EUA: ‘Vocês nunca viveram uma ditadura’
Em tom crítico ao momento atual dos Estados Unidos, ele mencionou as mortes de dois cidadãos americanos a tiros por agentes federais de imigração em Minneapolis. "Esse é o país que exporta para o resto do mundo a luta pelos direitos civis?", questionou. "Esse é o país de Martin Luther King?"
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Esta não foi a primeira vez que Moura conversou com o apresentador. Em 2016, ele esteve no talk show para divulgar a série "Narcos", na qual interpretou Pablo Escobar. Pelo papel, recebeu indicação ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator em Série Dramática.