EFLÚVIO TELÓGENO

LEDterapia pode coibir efeito da semaglutida na queda de cabelo

Uso de canetas emagrecedoras, velocidade da perda de peso e alimentação podem afetar o ciclo capilar; especialista explica como funciona tratamento alternativo

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Além de atuarem no tratamento da obesidade, as chamadas canetas emagrecedoras podem mexer com o ciclo capilar. A informação de prescrição da tirzepatida para controle de peso nos Estados Unidos descreve os eventos de queda de cabelo observados nos estudos como associados à redução de peso.

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Uma revisão sistemática publicada em 2026 reuniu pesquisas sobre medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 e identificou mais relatos de queda de cabelo principalmente com a utilização de semaglutida e da tirzepatida. Muitas pessoas que fizeram ou fazem uso destas substâncias perceberam, algumas semanas ou meses depois, mais cabelo no chão do box, na escova, no travesseiro e uma sensação de que o volume diminuiu.

“Quando a pessoa emagrece e depois percebe uma queda importante, precisamos olhar para o que aconteceu com o organismo como um todo. A velocidade da perda de peso, a alimentação, as possíveis deficiências nutricionais e uma condição capilar que já existia podem estar acontecendo ao mesmo tempo”, explica o angiologista Álvaro Pereira, diretor clínico da Capellux.

Segundo o especialista, o cabelo também responde às mudanças que acontecem no corpo e quando há uma perda de peso importante em pouco tempo, o organismo passa por uma adaptação. “Em algumas pessoas, isso pode fazer com que uma quantidade maior de fios entre ao mesmo tempo na fase de queda. Esse processo é conhecido como eflúvio telógeno.”

“E existe um detalhe que costuma confundir: o cabelo não começa, necessariamente, a cair no momento em que a pessoa está perdendo peso. A queda pode aparecer semanas ou alguns meses depois, quando o paciente já acredita que aquela fase passou”, adverte.

Também pode acontecer de o eflúvio tornar mais visível uma alopecia androgenética, a calvície hereditária, que já estava começando de forma discreta.

Como tratar?

Entre as formas de tratamento alternativas, Álvaro cita a fotobiomodulação, que utiliza luz em comprimentos de onda específicos aplicada sobre o couro cabeludo. “Em vez de aquecer ou queimar a região, a proposta é desencadear respostas biológicas nas células por meio da luz. Entre os mecanismos estudados estão a atividade das mitocôndrias, a produção de ATP, a microcirculação e a modulação de processos inflamatórios. No cabelo, o objetivo é atuar sobre o ambiente dos folículos que continuam viáveis”, sinaliza.

Pesquisas já avaliaram o uso de LED vermelho em diferentes tipos de queda. Em um estudo com 140 pacientes que apresentavam eflúvio telógeno após a COVID-19, os grupos que receberam LED tiveram, após 12 semanas, maior frequência de interrupção da queda e de teste de tração negativo do que os grupos que não receberam a terapia. Os resultados também mostraram melhora em parâmetros relacionados à espessura e à quantidade de fios por unidade folicular.

Revisões de estudos com laser e LED de baixa intensidade mostram melhora de densidade capilar em comparação com grupos-controle. Assim, após o diagnóstico, o capacete de LED pode integrar uma estratégia para dar suporte aos folículos ainda ativos e ajudar a preservar a densidade dos cabelos ao longo do acompanhamento.

“A LEDterapia não substitui proteína, ferro ou qualquer nutriente que esteja em falta. Ela atua em outra frente, diretamente no couro cabeludo e no ambiente folicular. Por isso, pode fazer sentido associar diferentes cuidados quando o diagnóstico mostra essa necessidade”, comenta o médico.

Na prática, a proposta não é tratar “a queda do Ozempic” ou “a queda do Mounjaro” como se fossem diagnósticos. O foco é identificar o que está acontecendo com aquele cabelo e, a partir disso, construir um cuidado que pode combinar alimentação adequada, acompanhamento médico, tratamentos específicos para a causa encontrada e recursos como a fotobiomodulação.

“Para quem está vendo o cabelo cair depois de emagrecer, a principal mensagem é: não ignore, mas também não entre em pânico. Na maioria das vezes, existe uma história por trás desse processo. Quando entendemos a causa, conseguimos organizar melhor as estratégias de cuidado”, reforça o especialista.

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