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Lexa diz sofrer queda capilar após uso de Mounjaro; entenda

Problema é conhecido como eflúvio telógeno e acontece em virtude da perda acelerada de peso e deficiências nutricionais

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A cantora Lexa, de 30 anos, comentou no Instagram que teve uma reação após usar o Mounjaro, uma das canetas conhecidas como análogos de GLP-1 usadas para o tratamento da obesidade. A cantora relatou que teve queda capilar. "Tomei uma única vez 1 ml. Minha frente do cabelo caiu (risos)", afirmou.

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Mas por que isso acontece? A Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP) esclarece que atualmente a principal evidência na literatura médica é de que medicamentos como semaglutida e tirzepatida podem influenciar indiretamente a queda de cabelo. “Embora a queda de cabelo não seja um efeito colateral direto do medicamento, o uso da semaglutida e de outras substâncias presentes nas canetas pode levar à perda de peso rápida e causar deficiências nutricionais (como falta de proteínas, vitaminas e minerais). Essas deficiências e a perda de peso rápida podem desencadear condições como eflúvio telógeno (queda temporária de cabelo). Geralmente essa queda acontece entre dois e quatro meses do início da medicação”, explica o dermatologista Gabriel Lazzeri Cortez, membro da SBD-RESP.

“Esses relatos estão mais associados à perda de peso rápida e a possíveis deficiências nutricionais do que ao medicamento em si. Quem usa doses mais altas desses medicamentos sem a devida supervisão médica e acompanhamento nutricional tem maior risco de queda de cabelo. As principais deficiências nutricionais que levam ao eflúvio telógeno são de proteínas, ferro, zinco e vitaminas, pois esses são nutrientes essenciais para a saúde e formação do fio de cabelo”, completa a dermatologista Jade Cury, presidente da SBD-RESP.

Segundo a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), um dos principais sintomas físicos de uma alimentação deficitária é a queda de cabelos. “Como o cabelo não é um órgão ou tecido vital, seu corpo nunca priorizará essas necessidades nutrológicas. Portanto, um desequilíbrio nutrológico geralmente afeta primeiro o cabelo, causando fraqueza e queda. Nesses casos, é recomendado um ajuste na dieta e, em alguns casos, o uso de suplementos e vitaminas sempre com orientação médica. Com relação à nutrição, anemia ferropriva e deficiência de zinco, Vitamina B12 e Vitamina D podem também ser causas de eflúvio telógeno”, esclarece.

Na maioria dos casos, a queda de cabelo associada ao uso de medicamentos emagrecedores como o Ozempic, Wegovy e Mounjaro é temporária e está relacionada ao eflúvio telógeno, uma condição em que o cabelo entra precocemente na fase de repouso e queda. “Geralmente, o cabelo volta a crescer após o corpo se ajustar e os níveis nutricionais serem restabelecidos”, diz a Jade Cury.

Mas, em pacientes com predisposição genética para alopecia androgenética (calvície masculina ou feminina), o eflúvio telógeno pode acelerar a progressão da doença. “Isso ocorre porque, após a queda, o cabelo que volta a crescer pode ser mais fino e fraco do que o anterior, levando a um afinamento progressivo do cabelo. Nesses casos, o uso das canetas emagrecedoras pode potencializar o processo de miniaturização dos folículos capilares, agravando a condição. Portanto, embora a queda seja temporária para a maioria, em indivíduos com alopecia androgenética, o efeito pode ser mais significativo e contribuir para uma potencial progressão da calvície”, destaca Gabriel.

Além dos medicamentos, a SBD-RESP destaca que dietas radicais ou muito restritivas também podem levar à queda de cabelo devido à falta de nutrientes essenciais. “O corpo prioriza funções vitais em detrimento do crescimento do cabelo quando há carências nutricionais, o que pode resultar em eflúvio telógeno”, completa o médico.

O tratamento requer ajuste nutricional, uso de suplementos e acompanhamento médico. “É essencial consultar um dermatologista para avaliar a causa da queda de cabelo e indicar o tratamento mais adequado. O profissional pode diagnosticar se a queda está relacionada ao uso do medicamento, a deficiências nutricionais, a condições como eflúvio telógeno ou alopecia androgenética, ou a outros fatores. Em casos específicos, o dermatologista pode recomendar medicamentos tópicos ou orais, como minoxidil ou finasterida, que são eficazes no tratamento de certos tipos de queda de cabelo”, diz o médico.

“Mas é fundamental que nunca se inicie o uso de suplementos ou tratamentos sem orientação médica. O excesso de certos nutrientes, como zinco ou vitamina A, pode piorar a queda de cabelo. O dermatologista é o profissional mais indicado para avaliar a saúde capilar, identificar a causa da queda e prescrever o tratamento adequado, evitando procedimentos desnecessários ou potencialmente prejudiciais”, destaca a presidente da SBD-RESP.

Como evitar?

Aproximadamente 85% do cabelo é formado de queratina, uma proteína formada de aminoácidos sobressalentes para essa função. “Se não houver sobra de aminoácidos, não há boa síntese de queratina. A principal recomendação é seguir uma dieta adequada, equilibrada, variada e colorida, rica em proteínas magras, carboidratos complexos integrais e gorduras boas, além de vegetais folhosos, legumes coloridos, frutas e bom consumo de água. Além disso, minerais metálicos como ferro e cobre, além de vitaminas do complexo B, como a biotina, participam da manutenção da saúde capilar”, diz a médica nutróloga.

“O consumo diário de proteínas deve ser individualizado e específico, levando em consideração: a idade da pessoa, o gênero, a atividade física, a profissão, o estado de saúde e os objetivos pessoais. As necessidades diárias podem ir de 0,6 a 2g por quilograma ao dia. Geralmente, quem faz dietas de emagrecimento e pratica musculação deve consumir 2g/kg ao dia. Carnes, peixes, aves e laticínios são as principais fontes de proteína e contam com aminoácidos essenciais, ou seja, aqueles que o corpo não consegue produzir”, explica Marcella.

As proteínas das fontes animais têm alto valor biológico, ou seja, contam com os nove aminoácidos essenciais (triptofano, fenilalanina, leucina, valina, isoleucina, lisina, treonina, metionina e histidina). No caso das fontes vegetais, elas precisam ser combinadas para garantir os aminoácidos essenciais. “Quando pensamos em construção do fio de cabelo, dois aminoácidos essenciais são mais relevantes: a metionina e a lisina. Por isso, no caso de uma dieta vegana, por exemplo, ela precisa contar com alimentos fontes desses aminoácidos, como feijão, lentilha, brotos, soja, grão de bico, quinoa, amêndoa, nozes e castanha-do-Pará. A tradicional combinação brasileira de feijão com arroz é eficiente porque garante os dois: o arroz é rico em metionina e deficiente em lisina, enquanto o feijão é rico em lisina e deficiente em metionina”, completa a médica.

Além das proteínas, outro ponto a considerar é o consumo de ferro e zinco. “O ferro é o mineral que é mais associado à queda de cabelos, principalmente em mulheres, que têm maior perda desse nutriente por conta do fluxo menstrual. O baixo consumo de carnes e vegetais, que são fontes de ferro, em dietas com escolhas equivocadas pode favorecer a queda de cabelo. O ferro está presente em muitos alimentos vegetais, no entanto sua absorção é muito menor quando proveniente dessas fontes. Um motivo para a dificuldade de absorção do ferro vegetal, presente no feijão, lentilha, feijão preto e grão de bico, por exemplo, é a presença de antinutrientes como os fitatos, mas deixar esses alimentos de molho entre 8 e 24 horas e o cozimento são estratégias que diminuem a presença de fitatos. Evitar o consumo de café, chá preto e verde próximo às refeições também otimiza a absorção de ferro. O paciente também pode associar alimentos ricos em Vitamina C, que aumenta a absorção desse mineral. No caso do zinco, que desempenha um papel fundamental na produção de proteínas para o cabelo, as principais fontes vegetais são: feijão, amendoim, semente de abóbora e grão de bico”, destaca.

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“O consumo de vitamina B12 também é importante, já que sua deficiência também é uma das causas de queda capilar. Carnes, leites e ovos contam com essa vitamina, que também pode ser suplementada. A biotina (vitamina B7) é encontrada nas gemas de ovo e nos grãos inteiros e ela é importante para o crescimento dos fios. Níveis baixos podem causar perda de cabelo”, enfatiza Marcella. “Estudos apontam que a carência de Vitamina D pode interferir no ciclo de crescimento do folículo capilar, justamente porque ela age na fase de crescimento e manter um ciclo de cabelo saudável é vital para cabelos mais grossos, saudáveis e cheios. Em caso de carência, um médico deve orientar a suplementação”, reforça.

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