Remédios

Remédios

Volodymyr Hryshchenko/Unsplash

Com uma rotina intensa e turbulenta, os brasileiros colocam em cheque o primordial: saúde em dia. O dado é alarmante. Metade da população se considera sedentária e 55% tendem a ignorar os primeiros sintomas ao invés de procurar médicos ou remédios com prescrição.

Esses e outros dados foram obtidos na pesquisa Saúde do Brasileiro - 2023, conduzida com mais de 1,1 mil pessoas em todo o país pela Hibou, empresa de pesquisa e insights de mercado e consumo. O estudo ainda descobriu que a internet é o pronto socorro de quase metade da população (45%), que costuma buscar respostas online ou preferem consultar amigos antes do médico. Já 92% seguem perfeitamente as orientações quando as prescrições médicas estão em mãos.

"Oito em cada 10 brasileiros se queixaram de dores nos últimos três meses. Somos um país 'doente', seja por falta de informação, ausência da cultura de prevenção, tempo e investimento com a saúde, que acaba sendo deixada em segundo plano", analisa Ligia Mello, coordenadora da pesquisa e sócia da Hibou.

O caminho mais rápido não é o mais seguro

45% dos brasileiros se tratam sem ajuda profissional, enquanto 43% vão ao médico. Fazer repouso, esperar passar e fazer alongamentos ou meditação é a opção para 28%, 25% e 18%, respectivamente. Antes de ajuda profissional, 20% da população procura informações por conta própria em sites de busca; 15% também usam receita caseira; 14% comparam com um diagnóstico anterior; 8% falam com amigos ou familiares, e 6% procuram informações em rede social.

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Internet, redes sociais e sites de buscas são alternativas para obter mais conhecimento sobre a vida saudável e 46% dos brasileiros possuem, no mínimo, um aplicativo de saúde instalado no celular.

Telemedicina ainda é tabu

O ambiente digital ganhou espaço, mas ainda existe uma divisão entre os universos online e presencial nas preferências do brasileiro. A confiabilidade na telemedicina e qualidade dos atendimento online tem vez para 15%; enquanto 48% ainda preferem ligar ou ir presencialmente nos locais quando o assunto é saúde.

Para quem tem a internet como um suporte e facilitador, 59% gostam de acessar exames digitalmente; 32% concordam que os canais digitais de atendimento agilizam os processos; 25% usam/usariam um aplicativo de uma marca que confiam para armazenar informações de saúde; e para 18% usar aplicativos de prescrições médicas é bom para manter o histórico de medicações. Já 10% têm medo de manter seus dados de saúde na Internet devido a vazamentos.

O perigo da automedicação

A automedicação é uma realidade para mais de oito em 10, ou seja, 87% dos brasileiros. O uso de comprimidos é o tipo preferido por 94% deles, seguido por administração de pomadas (31%); líquidos (11%); cremes ou compressa com medicamento (7%, cada).

Após uma consulta médica para avaliar quadros específicos, 71% seguem rapidamente as orientações médicas sobre exames laboratoriais. Entre os mais despreocupados, 17% seguem, mas sem pressa; 5% apenas a depender do problema e caso os sintomas não melhorem; e outros 5% fazem alguns exames e enrolam para marcar e fazer outros.

"Mesmo que os exames sejam o caminho para prevenir e estabelecer diagnósticos em busca de cura e melhoria de qualidade de vida, 2% ainda evitam fazer exames sempre que podem ou por pensarem que é necessário apenas em casos graves", observa Ligia. "Como já vimos, a maioria não vai ao médico e ainda temos quem vai e evita cumprir o solicitado, podendo agravar um problema existente".

Para o brasileiro praticar atividade física é....

Para 53% das pessoas o principal motivo para se exercitar é manter a saúde em dia, enquanto para 4% é essencialmente a estética corporal. 34% acham importante ter acompanhamento de especialista para praticar exercícios sem prejudicar o corpo e 21% inclui os check ups na lista essencial para quem pratica muita atividade física. Já 33% acreditam que não é preciso gastar com academias para ter uma rotina saudável de exercícios e outros 12% têm hábitos de lazer que fazem bem à saúde.

Cinco em 10 brasileiros se consideram sedentários e não fazem atividades físicas. Entre os que se exercitam, as motivações são: esporte ou lazer (31%); orientações médicas (14%) ou exigência do trabalho (2%). E a frequência da maioria dos que praticam exercícios, 32%, é de três vezes por semana e 3%, pratica apenas uma vez.

Ranking das atividades prediletas

Dentre as cinco atividades preferidas estão caminhada (43%); academia/crossfit (41%); exercícios em casa (15%); pilates (15%) e corrida (9%). Os gastos mensais com as atividades vão além de R%uFF04250 para 19%; entre R%uFF0410 e R%uFF04250, para de 49%; e 32% não gastam nada.

Desafios da alimentação saudável

Para quem quer ter uma alimentação equilibrada, os principais desafios são o custo e o preparo, sendo que 12% não veem motivos para não comer bem. 45% têm dificuldades com tempo e habilidade para preparar uma refeição saudável e 44% com o custo dos alimentos orgânicos. Para 34%, o problema é ajustar o cardápio para toda a família; 19%, ter que comer na rua durante a semana e 13% é encontrar receitas saborosas.