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Estado de Minas CPI DA COVID

Alessandro Vieira: 'Na distopia bolsonarista, o mundo inteiro está errado'

Segundo o senador, Bolsonaro acredita que todos os governantes do mundo 'deixaram morrer seus compatriotas' por 'não aceitarem remédios milagrosos'


26/10/2021 16:44 - atualizado 26/10/2021 17:12

ALESSANDRO VIEIRA
Senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) (foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) afirmou durante leitura do parecer sobre o relatório do senador Renan Calheiros (MDB-AL) da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID-19 que o bolsonarismo vai na contramão dos governos em todo o mundo.
 
 
“É evidente que o presidente não criou o vírus, mas é evidente também que o presidente se esforçou para acelerar a propagação do vírus. O presidente, de forma ensaiada, organizada e preparada, fez com que os brasileiros se protegessem menos e acreditassem na fantasia de remédios milagrosos. Ele foi de encontro ao que o mundo fazia. Na distopia bolsonarista, no devaneio bolsonarista, o mundo inteiro está equivocado", disse. 
 
 

De acordo com Alessandro, para Bolsonaro, todos os governantes do mundo “deixaram morrer seus compatriotas” e deixaram “enfraquecer suas economias” por “não aceitarem remédios milagrosos”. 
 
 
Para Vieira, enquanto no Brasil se retardavam a compra de vacinas por pretos ideológicos, ao redor do mundo havia uma corrida de vacinas. “Isso tudo já foi mais que comprovado”, pontuou.   

Ainda de acordo com Alessandro, “não é normal” um presidente ir contra a ciência e contra a população. “Não é normal agredir prefeitos, deputados, senadores. A democracia precisa reagir”, disse. 
 

O dia da CPI

 
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID,  instalada pelo Senado, vota nesta terça-feira (26/10) o relatório final , elaborado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). O texto de mais de mil páginas - apresentado na última quarta-feira (20/10) - é  fruto de um trabalho de seis meses e pede indiciamento de 81 pessoas , incluindo o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), além de outros políticos, empresários, gestores e médicos. 
 
Bolsonaro, por exemplo, foi indiciado por nove crimes, o que gerou críticas por parte de alguns senadores. Outros, como Omar Aziz (PSD-AM) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), apesar de discordarem em alguns pontos, são favoráveis à aprovação do texto do relator Calheiros.

O relatório deve ter algumas mudanças em relação à versão apresentada na última semana. Uma  delas diz respeito a uma fala de Bolsonaro, na quinta-feira (21/10)  passada, associando vacinação contra o coronavírus com a AIDS.

Caso aprovado, o relatório segue como denúncia a órgãos competentes, como Ministério Público Federal (MPF) e, no caso do presidente, à Procuradoria-Geral da República (PGR). Eles serão responsáveis por seguir com as apurações e confirmar o indiciamento ou arquivar os casos.

A CPI da COVID, instalada em abril deste ano pelo Senado, apurou omissões do governo federal durante o período da pandemia de COVID-19 e repasse de verbas a estados no mesmo tempo. Os senadores da base de governo afirmam que governadores e outros gestores públicos saíram ilesos, tese refutada pelo relator.

 

O que é uma CPI?

As comissões parlamentares de inquérito (CPIs) são instrumentos usados por integrantes do Poder Legislativo (vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores) para investigar fato determinado de grande relevância ligado à vida econômica, social ou legal do país, de um estado ou de um município. Embora tenham poderes de Justiça e uma série de prerrogativas, comitês do tipo não podem estabelecer condenações a pessoas.

Leia também:  Entenda como funciona uma CPI


O que a CPI da COVID investiga?

  


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