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Estado de Minas

VÍDEO: Como a desigualdade eleva os riscos de morrer por COVID-19

Pesquisa da Unifesp revela a influência de fatores socioeconômicos entre os óbitos pelo novo coronavírus. Ambulantes e domésticas, assim como o uso de transporte coletivo, elevam vulnerabilidade


14/08/2020 17:05 - atualizado 14/08/2020 18:10

(foto: Reprodução/vídeo)
(foto: Reprodução/vídeo)


Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que donas de casa, autônomos e usuários do transporte público são as principais vítimas do novo coronavírus. O estudo mostrou também que a maioria das pessoas que morreu por COVID-19 na capital paulista era pobre e morava nos bairros da periferia de São Paulo. 



Os pesquisadores cruzaram dados de mortes na capital com o perfil dos usuários do metrô. A fórmula estatística mostrou que os bairros com maior número de usuários de transporte coletivo são também os que mais registraram mortes pelo vírus Sars-CoV-2. “Os distritos onde há maior população de baixa renda, com renda familiar de até três salários mínimos, também são os distritos com maior número de óbitos por COVID-19”, afirma Kazuo Nakano, professor da Unifesp e coordenador do estudo.

A correlação com a profissão ou o meio de transporte é de no máximo 1. Quanto mais próximo disso, maior a influência dessa variável no óbito. Os autônomos, categoria na qual entram vendedores ambulantes e diaristas, o índice é de 0,79. As donas de casa aparecem em seguida, com 0,78. Profissionais liberais a correlação foi de 0,0245. Enquanto isso, empregadores tiveram uma taxa bem mais baixa, de 0,0079. 

Pobres são os mais vulneráveis

“A gente vê que muito desses óbitos são determinados por essa quantidade de pessoas que dependem do transporte coletivo, e têm um tipo de trabalho autônomo, de bico, que os obriga a circular pela cidade, se expondo ao contágio”, comenta Nakano. Para ele, o estudo evidencia outros aspectos da desigualdade social no país. “Em relação ao vínculo de trabalho e as condições de atividade, a gente percebe uma outra face das desigualdades sociais que essa pandemia está escancarando nas nossas cidades”, diz.

A pesquisa mostrou também que fatores de risco estão por toda parte. Inclusive para quem não precisa cruzar a cidade dentro de um ônibus ou metrô. Os distritos com maior quantidade de donas de casa têm uma influência grande no número de óbitos por COVID-19. “As donas de casa nos surpreendeu no estudo. E aí foi uma pergunta que apareceu: ‘Por quê?’”, recorda Kazuo.

As hipóteses que os estudiosos levantaram são que essas mulheres estejam circulando nos arredores de suas moradias e podem estar se expondo ao contágio, além de terem contato com outros familiares que usam o transporte público.

Estudantes elevam risco

Outra descoberta da pesquisa é a de que os estudantes também estão influenciando nesse grande número de óbitos por COVID-19. Com escolas fechadas, sem conforto e alternativa de lazer dentro de casa, essas crianças, adolescentes e jovens que moram na periferia estão indo para as ruas. “Eles estão empinando pipas nas ruas, nos terrenos, tudo junto, aglomerados. Os jovens estão jogando bola na rua, conversando nas calçadas, está tendo festas. Esses jovens voltam para casa e lá estão as donas de casas, as mães deles, os avós deles”, comenta Nakano.

O professor observa ainda que, embora tenha sido realizado em São Paulo, o estudo chegou a conclusões que revelam uma realidade comum a qualquer outra capital do país.  A pesquisa mostra, estatisticamente, como a desigualdade social no Brasil contribuiu para o agravamento da crise sanitária durante a pandemia, que já matou mais de 100 mil pessoas no país.

O que é o coronavírus


Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Vídeo: Por que você não deve espalhar tudo que recebe no Whatsapp

Como a COVID-19 é transmitida? 

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Vídeo: Pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus?


Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.
Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal
Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus. 

Vídeo explica por que você deve 'aprender a tossir'

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Coronavírus e atividades ao ar livre: vídeo mostra o que diz a ciência

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