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Vídeo: Voltar às aulas é seguro durante a pandemia de COVID-19?

No Brasil, nove estados decidiram reabrir escolas, mas muitas dúvidas ainda rondam a cabeça de pais e especialistas em saúde


08/08/2020 09:00 - atualizado 08/08/2020 12:13

Após quase cinco meses de escolas fechadas, autoridades em saúde e educação têm discutido o retorno ao ensino presencial em diferentes regiões do país. Nove estados e o Distrito Federal foram autorizados a voltar às salas de aula, de acordo o Mapa de Retorno das Atividades Educacionais presencial no Brasil, elaborado pela Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) e divulgado no fim de julho. Mas na semana em que o país ultrapassa a marca de 100 mil mortos pela COVID-19, ainda restam muitas dúvidas sobre a segurança da volta dos alunos, professores e funcionários.
 

Os especialistas acreditam que além de definir protocolos de distanciamento, higiene e readequação das unidades de ensino, é imprescindível olhar para os números. Manaus foi a primeira capital do país a iniciar esse movimento de retorno às salas de aulas. Em seis de julho, as escolas particulares retomaram o ensino presencial.
 
 

Segundo o professor da Universidade Federal do Amazonas Henrique dos Santos Pereira, os pesquisadores usam um modelo matemático baseado na curva de infectados e mortos para chegar a um nível de segurança necessários ao retorno das aulas. A data ideal da volta seria aquela em que 97% dos casos projetados sejam atingidos. O modelo, no entanto, precisa ser atualizado todos os dias, para que fique o mais coerente possível com a realidade. 
 
Falta patamar de segurança
Mesmo com dados oficiais mostrando que o Amazonas já passou pela pior parte da infecção pelo coronavírus, o patamar de segurança ainda não foi alcançado para a reabertura das escolas públicas. “Com os dados de hoje, a previsão é que os 97% dos óbitos e contaminações seja atingido no dia 28/8. Então, temos que aguardar pelo menos mais duas semanas para verificar se alcançamos o que o modelo previu”, explica o professor. Isso porque os 3% restantes indicam que a velocidade de propagação da doença está baixa e tem um risco baixo de criar um novo surto.

As boas perspectivas de Manaus, no entanto, não devem se repetir no resto do Brasil, isso porque o país ainda está em um momento de alta no número de casos de coronavírus. Ou seja, a propagação da doença não foi controlada.
 

De acordo com Flávio da Fonseca, do Departamento de Microbiologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a situação de Manaus é única. “Não há estradas que liguem o resto do Brasil a Manaus e há pouco fluxo de pessoas vindas de outras regiões, ela funciona como uma bolha. Duvido que uma situação semelhante aconteça em uma cidade como Belo Horizonte, onde tem uma troca de população muito intensa”, explica.
 
 

Aulas na Europa e na Ásia
As diferenças entre o Brasil e países da Europa e da Ásia podem ser verificadas no momento em que foi pensado o retorno. No exterior, a volta presencial só entrou em pauta quando as autoridades de saúde consideraram que a epidemia tinha sido controladaA França, por exemplo, vem fazendo a reabertura de forma progressiva. O Ministério da Saúde francês criou um calendário com datas diferentes de acordo com a idade dos alunos. Para faculdades, foi decidido que só voltaria no outro ano letivo do país, em setembro. Segundo o professor da UFMG, “os países que optaram por retornar às aulas presenciais estavam em um momento que a curva epidemiológica estava em descendência”. 
 

O Governo de Minas não definiu datas, mas garantiu retorno às aulas presenciais no estado ainda este ano. O virologista Flávio Fonseca, entretanto, acredita que aulas presenciais em Minas só devem voltar em 2021. “Acho que seria inviável no contexto epidemiológico brasileiro retornar às aulas presenciais este ano, em virtude da condição epidemiológica de ascensão da curva”, argumenta.
 
(*Estagiária sob supervisão do subeditor Rafael Alves) 


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