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Estado de Minas RECORDE

COVID-19: Divinópolis atinge os piores índices da pandemia

Mortes diárias tiveram aumento de 70% em relação a dezembro; médico aponta uso de máscara como essencial para reduzir propagação da doença


28/01/2021 19:15 - atualizado 28/01/2021 19:20

A taxa de ocupação hospitalar também disparou na cidade.(foto: Divulgação/PMD)
A taxa de ocupação hospitalar também disparou na cidade. (foto: Divulgação/PMD)
Os indicadores da COVID-19 dispararam em Divinópolis, Região Centro-Oeste de Minas Gerais. A cidade atingiu, em janeiro, os piores índices, em todas as medições, desde o início da pandemia. O número de mortes diárias teve aumento de 70% em relação a dezembro. Pelo menos uma pessoa morreu em decorrência da doença ao longo deste mês. O total dos últimos nove meses já chega a 135 óbitos.

 

As notificações não ficam para trás, a média/dia de casos é a maior desde março, 292. Deste total, pelo menos 57,7 são confirmadas para o novo coronavírus. O número pode ser ainda maior, já que a média de testagem é de aproximadamente 20%. De março de 2020 até janeiro deste ano, o município registrou 35.057 notificações e 5.554 confirmações, conforme boletim divulgado nesta quinta-feira (28/01). 

 

A média de ocupação hospitalar também colocou a cidade em situação de alerta. As internações em enfermaria saltaram de 55, em dezembro, quando havia registrado recorde, para 76 até esta quinta-feira (28/11), aumento de 38%. No Centro de Terapia Intensiva (CTI), passou de 45 para 57, elevação de 26%.

 

Relaxamento das normas

 

O médico Marcone Lisboa defende o uso de máscara com medida para reduzir estes indicadores.(foto: Arquivo pessoal)
O médico Marcone Lisboa defende o uso de máscara com medida para reduzir estes indicadores. (foto: Arquivo pessoal)
Os indicadores de janeiro são reflexo de uma série de afrouxamentos registrados desde novembro. “O que aconteceu? Quando começou a reduzir o número de casos, que foi mudando de onda vermelha, para onda amarela, chegando na onda verde, abriu boate, a interação social aumentou de forma significativa”, explica o diretor o CTI do Complexo de Saúde São João de Deus, Marcone Lisboa. Na sequência, vieram as festas de fim de ano.

 

“A gente sabe que boa parte da população não tem preocupação. Os casos dispararam em dezembro e as consequências vieram na sequência”, afirma.

 

Os óbitos dos últimos dias ainda são consequência do relaxamento de dezembro. O tempo médio, segundo o médico, entre o primeiro sintoma até a morte por COVID-19 pode chegar a 25 dias. A taxa de letalidade está em 2,43 na cidade.

 

Com ritmo de contágio da doença em 1,23, para Lisboa apenas uma medida pode se refletir, neste momento, na redução e consequentemente na queda dos indicadores. “Tenho certeza absoluta que é o uso de máscaras. A medida que está acessível em nosso país, e até os Estados Unidos, que tem muito mais acesso e tem transmissão alta. Tem de usar máscara. Se isso acontecer de forma responsável, tem um impacto enorme”, afirma.

Nos Estados Unidos foi iniciada uma campanha para uso de máscaras por todos por quatro semanas. Naquele país, as mortes por COVID-19 ultrapassaram a barreira dos 4 mil em 24 horas em várias ocasiões, mas o uso da máscara não é obrigatório.

 

Para o diretor do CTI, a vacinação já iniciada ainda não é suficiente para refletir nesses indicadores. “Do ponto de vista de ocupação dos hospitais, o grande impacto será a vacinação das pessoas idosas, principalmente de 65 anos ou mais (...) Abaixo de 45 anos é muito incomum a admissão desses pacientes em UTI”, explica. Em Divinópolis, cerca de 3 mil pessoas foram imunizadas até o momento, entre profissionais de saúde e idosos com mais de 60 anos institucionalizados.

 

Reabertura do comércio

 

Sobre a mudança nas diretrizes do programa Minas Consciente, permitindo a abertura da atividade econômica também na onda vermelha, Lisboa acredita que não deverá impactar negativamente. “Quando falamos nas medidas, temos que refletir no que estamos liberando e como. Existem formas de fazer algum grau de liberação, como do comércio, eventualmente de alguns restaurantes, dentro de um critério de segurança individualizado e organizado”, argumenta. 

 

Para ele, a “forma responsável” para permitir a abertura é garantindo o uso de máscaras. O médico afirma que, se a medida estivesse em prática desde o começo da pandemia, o cenário poderia ser diferente.

 

“O Contexto da pandemia foi muito equivocado. Porque as lideranças, tanto no nosso país, como nos EUA, e isso tem uma repercussão global, tiveram um comportamento inapropriado. Se fosse enfatizado que a medida mais eficaz é usar a máscara o tempo todo, talvez as coisas não tivessem caminhado desse jeito”, alerta. Para ele, mesmo com as atividades econômicas fechadas, a falta do uso de máscara não elimina o ritmo de contágio. 

 

*Amanda Quintiliano especial para o EM

 

O que é o coronavírus


Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Vídeo: Por que você não deve espalhar tudo que recebe no Whatsapp

Como a COVID-19 é transmitida? 

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Vídeo: Pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus?


Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.
Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal
Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus. 

Vídeo explica por que você deve 'aprender a tossir'


Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Coronavírus e atividades ao ar livre: vídeo mostra o que diz a ciência

Para saber mais sobre o coronavírus, leia também:

 

 

 


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