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Estado de Minas COVID-19

Esperança: filho de mineira nasce na Inglaterra em meio à pandemia

Menino nasceu nesta quinta-feira (26), em Peterborough na Inglaterra


postado em 26/03/2020 20:07 / atualizado em 26/03/2020 21:08

(foto: Divulgação/Camila Aguiar)
(foto: Divulgação/Camila Aguiar)
Em meio a tantas notícias alarmantes, a esperança surge no nascimento de uma criança. Essa é a história do pequeno Lucas, filho da mineira Camila Aguiar. O menino nasceu nesta quinta-feira (26), neste período de pandemia do novo coronavírus, em Peterborough, na Inglaterra, e chegou trazendo a expectativa de dias melhores.



A família, que com o passar do tempo se dividiu em três continentes, foi impedida de participar do parto. Isso porque a Europa é um dos principais epicentros da COVID-19. Até o momento, são mais de 220 mil casos do vírus relatados no continente, além de 11.987 mortes. Isso significa que, globalmente, cerca de seis em cada 10 casos e sete em cada 10 mortes foram relatados na Europa, com mais de 500 mil infecções confirmadas em todo o mundo.

Carolina Aguiar, irmã de Camila, fez questão de ressaltar que este é, sem dúvida, um momento incrível. "Fico bem triste de não poder ter ido, ainda mais pelo fato de que minha irmã está passando por tudo isso sem nosso apoio presencial. Mas, ao mesmo tempo, vejo que pela primeira vez o mundo inteiro está unido visando o bem comum e, de certa forma, estou contente que tenho a oportunidade de fazer minha parte e ficar em casa”, conta.

Carolina vive nos Estados Unidos com a esposa e foi escolhida para ser a madrinha da criança. “Ninguém dormiu. Até tentamos, mas acordamos de hora em hora para checar as mensagens e saber da Camila e do Luquinhas. Foi o Lewis (pai do Lucas) que deu a notícia  da chegada dele no grupo da família com uma foto”, diz. “Eu não sabia se ria, se chorava, se ligava pra minha irmã, para o meu pai ou minha mãe. Cada um da família em um lugar diferente. Foi uma loucura”, comenta.

Na última terça-feira, Camila teve que se isolar no Peterborough City Hospital, que fica a 137 quilômetros de Londres. A recomendação médica era para que o parto fosse realizado sem prejuízo para o bebê. Nem mesmo o marido, o britânico Lewis Lennard, pode acompanhá-la. Foi apenas na manhã de quinta-feira que Lennard recebeu o aval dos médicos para participar da cesariana, que deu à luz Lucas.

O engenheiro eletrônico conta que a experiência de ser pai em meio a uma pandemia não é fácil. “Acho que essa é a primeira vez que as pessoas são proibidas de visitar hospitais. A situação da minha esposa é grave, quatro dias dentro de um hospital, isolada em um país estrangeiro”, diz. “Eu me sinto meio assustado, porque é difícil imaginar ser pai no meio de uma pandemia. Os supermercados estão vazios e os suplementos essenciais para as crianças estão em falta, porque as pessoas entraram em desespero e compraram todos os  estoques”, explica.

Como o novo coronavírus se espalhou por todo o continente, muitos países europeus adotaram medidas severas para conter o surto, incluindo a imposição de ações de bloqueio e fechamento de empresas e fronteiras, além de limitar as reuniões públicas.

Na última segunda-feira (23), o Reino Unido proibiu reuniões de mais de duas pessoas nas ruas, fechou todas as lojas não essenciais (entre as exceções estão supermercados, lojas de comida e farmácias) e limitou exercícios físicos a uma vez por dia. Todos os eventos sociais estão proibidos, inclusive casamentos e batismos. A polícia poderá dissolver reuniões e multar quem desobedecer as regras.

A avó materna Cristina Aguiar conta que resolveu adiantar a passagem quando viu que os países estavam prestes a fechar as fronteiras. A belo-horizontina embarcou, então, no dia 16, mas não conseguiu levar o marido, Eduardo Ferreira. O advogado é diabético e por isso pertence ao grupo de risco. Ela ressalta que é muito difícil estar na Inglaterra e mesmo assim não poder sair para ver o neto. “Queria ensinar minha filha a amamentar, a trocar a primeira fralda, a ser mãe… É complicado. Ainda mais sem meu marido aqui.”

Eduardo está em isolamento social. O advogado diz que não achou que a medida seria tão difícil de ser cumprida. “Estou de quarentena aqui em Belo Horizonte desde sábado (14). É inimaginável ficar 15 dias em casa sem poder sair”, conta. “É difícil não poder estar lá para ver o nascimento do meu neto, mas sei que nosso problema é mínimo perto de tudo o que está acontecendo no mundo.”


EMOÇÃO VIA CELULAR


Como estão proibidos de viajar e entrar no hospital onde Camila e Lucas estão, a maioria dos familiares só pode ver o rosto da criança pela primeira vez pela tela do celular.

“Fiquei muito emocionado. Foi maravilhoso, mas nada se compara a estar lá. A primeira coisa que eu vou fazer quando tudo isso passar é ir ver meu neto.  Mas entendo que agora é importante ficar em casa”, conta o avô.


RESOLUÇÕES PARA O MUNDO


O nascimento de Lucas trouxe junto com ele a esperança de dias melhores. O pai, os avós e a tia enxergam um futuro melhor para a criança que nasceu em uma época tão triste.

“Quando o Lucas crescer, vamos contar para ele que o mundo estava um caos quando ele nasceu, mas que as pessoas unidas conseguiram passar por tudo isso e colocar suas prioridades no lugar certo. Ele vai aprender que cada pessoa é importante, tem voz e um papel”, afirma a madrinha Carolina.

A avó também compartilha da mesma ideia. “O coronavírus mudou nossa vida para todo o sempre. Ele nos ensinou os verdadeiros valores que estavam esquecidos há muito tempo, como, por exemplo, a importância de um abraço. O Lucas é nosso pequeno sopro de vida, que veio para nos dar esperança”, diz.

A mãe de Lucas, Camila Aguiar, não pode dar entrevista para a matéria por estar medicada e em quarentena no hospital.
 
*A estagiária está sob supervisão da sub-editora Ellen Cristie. 
 
 

O que é o coronavírus?

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.

Como a COVID-19 é transmitida?

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.


Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia


Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o coronavírus é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Para saber mais sobre o coronavírus, leia também:

Especial: Tudo sobre o coronavírus 


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