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Estado de Minas VOLTA ÁS AULAS

Infectologista critica volta às aulas presenciais em BH: 'risco altíssimo'

Segundo médico Carlos Starling, indicadores de BH estão dez vezes acima do limite dos EUA e cem vezes maiores que os da Coreia do Sul


18/09/2020 06:00 - atualizado 18/09/2020 07:50

'Estamos mais de 10 vezes acima do limite americano (para volta às aulas), que já não deu certo, e cem vezes acima do limite usado na Coreia' - Carlos Starling, membro das sociedades Mineirae Brasileira de Infectologia(foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)
'Estamos mais de 10 vezes acima do limite americano (para volta às aulas), que já não deu certo, e cem vezes acima do limite usado na Coreia' - Carlos Starling, membro das sociedades Mineirae Brasileira de Infectologia (foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)


O Colégio Militar de Belo Horizonte, administrado pelo Exército Brasileiro, anunciou nessa quarta-feira que seus alunos voltarão a ter aulas presenciais já na próxima segunda (21). As atividades foram interrompidas em 18 de março por causa da pandemia de COVID-19, que já causou 6.500 mortes em Minas Gerais.

Apesar de alguns pais defenderem o retorno da presença de alunos nas escolas, a medida é criticada por especialistas. Com base em indicadores da doença e comparando a situação de Belo Horizonte com a de outros lugares do mundo, o médico infectologista Carlos Starling, membro das Sociedades Mineira e Brasileira de Infectologia demonstra que o momento atual da capital mineira não permite a volta às aulas.

“Considerando o parâmetro americano do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), que não deu certo nos EUA, onde as escolas estão voltando atrás, a nossa condição atual é ainda de altíssimo risco para retorno das aulas presenciais”, declara Starling, que também é membro do Comitê de Enfrentamento à Epidemia de COVID-19 de Belo Horizonte.

Segundo os dados apresentados pelo médico, os indicadores belo-horizontinos estão muito distantes do quadro considerado ideal para retorno das atividades presenciais nas escolas.

“O parâmetro do CDC (americano) para retorno às aulas presenciais é calculado somando os casos novos dos últimos 14 dias, dividindo pela população e multiplicando por 100.000. Se o resultado estiver abaixo de 5 casos por 100.000 habitantes, há um risco muito baixo de transmissão nas escolas. De 5 a 20 casos por 100.000 habitantes, o risco para as escolas é baixo. O parâmetro da Coreia do Sul é 5 casos por um milhão de habitantes. Vem dando certo, com idas e vindas. Estamos a léguas disto!”, critica o infectologista.

Ele completa explicando que, se for feito em Belo Horizonte o mesmo cálculo utilizado pelos Estados Unidos – somando os 4.076 casos novos nos últimos 14 dias e dividir pela população (2.517.070) e multiplicando por 100.000 – o resultado é de alerta.

“Para BH isto dá, nos últimos 14 dias, de 4 a 17 de setembro, 162 casos por 100.000 habitantes! Estamos mais de dez vezes acima do limite americano, que já não deu certo, e cem vezes acima do limite usado na Coreia”, compara.

Para o médico, não é possível afirmar com precisão em que data será seguro o reabrir as escolas. Porém, ele acredita que, dentro de um mês, o assunto possa ser retomado.

“O que manda são os números. Temos que ir acompanhando. Se o número está 10 ou 15 vezes acima do que deveria estar, não é possível. Nós caímos de 200 para 162 em uma semana. Acredito que dentro de um mês a gente possa começar a pensar nisso”, diz Carlos Starling.

Sem beijos e abraços

A administração do Colégio Militar informou que adotará um rigoroso protocolo de segurança para alunos, professores e colaboradores, incluindo revezamento de turmas em dias pré-determinados.

Por meio de comunicado, a instituição de ensino declara que “o colégio adotará triagem na entrada e saída, com aferição de temperatura corporal, oferta de álcool em gel, sanitização frequente das instalações, adoção de distanciamento, redução da quantidade de alunos em sala e uso de máscaras”.

Dentro do colégio está proibido qualquer tipo de contato físico, como beijos, abraços ou aperto de mãos. Também não haverá aulas de educação física. A direção recomenda que cada estudante leve sua própria garrafa de água, que poderá ser reabastecida nos bebedouros. 

A presença dos alunos será obrigatória, exceto para aqueles do grupo de risco, devidamente comprovados por atestado médico.
O cronograma de atividades prevê aulas apenas de segunda a sexta-feira. Inicialmente, cada turma irá à escola em dois dias na semana, em caráter experimental. Terão aula os alunos do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental e 1º, 2º e 3º do Ensino Médio. Os portões ficarão abertos das 6h30 às 7h.
 

Volta às aulas no interior

As aulas em BH foram suspensas em 18 de março, por causa da pandemia de COVID-19(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
As aulas em BH foram suspensas em 18 de março, por causa da pandemia de COVID-19 (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
O Governo de Minas Gerais deve autorizar, nos próximos dias, a reabertura das escolas de ensino básico e superior tanto da rede pública, quanto da particular.

A data ainda não foi definida, mas a volta ao ensino presencial é dada como certa para este ano ainda, podendo mesmo ocorrer nas próximas semanas.

Para o infectologista Carlos Starling, a doença se comporta de maneira diferente nas várias regiões do estado. Portanto, a volta das atividades em algumas cidades do interior.

“Isso é normal. Depende dos dados. Há regiões em que, realmente, a epidemia está numa fase mais tardia. Em outras, ainda está acelerando. Como o estado é muito grande, é normal que a epidemia se comporte de maneira diferente em determinados lugares”, afirma.

O que é o coronavírus


Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Vídeo: Por que você não deve espalhar tudo que recebe no Whatsapp

Como a COVID-19 é transmitida? 

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Vídeo: Pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus?


Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.
Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal
Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus. 

Vídeo explica por que você deve 'aprender a tossir'


Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Coronavírus e atividades ao ar livre: vídeo mostra o que diz a ciência

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