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Estado de Minas CORONAVÍRUS

CDL-BH estima queda de até 70% no faturamento e cobra prazo para reabertura de lojas

Em entrevista ao Estado de Minas, presidente da entidade disse que prioridade é salvar vidas, mas pediu ações mais concretas dos governos e de bancos para preservar empregos e empresas


postado em 15/04/2020 15:00 / atualizado em 15/04/2020 19:35

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) prevê uma redução de até 70% no faturamento de abril das empresas associadas, como consequência do fechamento do comércio para combater a propagação do novo coronavírus. Em março - mês em que as medidas restritivas começaram a ser aplicadas na capital mineira -, a queda foi de 50%.

“No nosso meio, segundo as enquetes que fazemos com os nossos associados, o faturamento no mês de março caiu 50%. A expectativa de o faturamento é cair agora em abril é de 65% a 70%”, disse o presidente da CDL-BH, Marcelo de Souza e Silva, em entrevista exclusiva ao Estado de Minas na tarde desta quarta-feira.

Presidente da CDL/BH concedeu entrevista ao Estado de Minas nesta quarta-feira(foto: Estado de Minas)
Presidente da CDL/BH concedeu entrevista ao Estado de Minas nesta quarta-feira (foto: Estado de Minas)
Na última semana, as medidas restritivas para o funcionamento do comércio foram endurecidas pela prefeitura. Apenas lojas de setores considerados essenciais (supermercados, farmácias e padarias, por exemplo) podem abrir em Belo Horizonte. De acordo com o presidente da CDL-BH, ainda não há como quantificar as demissões e suspensões de contrato de empresas associadas que tiveram o funcionamento modificado.

“A gente não consegue esses números, até porque não está se fazendo isso de maneira formal. Muita gente já deu férias, demitiu. Os setores, por exemplo, de turismo, a rede hoteleira e o setor de eventos estão sofrendo muito. A projeção para voltar o setor de eventos é no segundo semestre do ano que vem, para se organizar e as pessoas poderem se aglomerar novamente. Muita gente está demitindo nesses setores. E o próprio comércio. O comércio já começou a demitir, porque não se cria a expectativa (de quando vai poder voltar a funcionar)", disse.

Prazos


Nos últimos dias, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) tem endurecido, por meio de decretos, as medidas restritivas para conter a propagação do novo coronavírus em Belo Horizonte. De acordo com as autoridades, o isolamento social é a maneira mais efetiva para controlar a quantidade de doentes e não sobrecarregar o sistema de saúde nacional.

Marcelo Souza e Silva disse que a prioridade é salvar vidas e reforçou o posicionamento da CDL-BH: seguir as orientações do governo. "Desde o início, nós apoiamos o que as autoridades determinaram: o isolamento social, o fechamento de lojas, as regras estabelecidas para o funcionamento das lojas que podem funcionar".

O representante da CDL-BH defendeu as medidas tomadas por Kalil, mas criticou a prefeitura por uma suposta “falta de interlocução” com os lojistas no processo de tomada de decisão. “Ele (Kalil) é a autoridade máxima municipal e, com certeza, teve várias informações para tomar essa decisão. O que reclamamos é a falta de interlocução com o setor. Muitas decisões são tomadas. A gente tenta ponderar alguma coisa e muitas vezes é mal interpretado ou nem ouvido”, disse.

A principal cobrança da CDL-BH é quanto aos prazos para a reabertura do comércio. “O que precisamos saber é esse horizonte, o que vai acontecer nos próximos meses. Estamos fazendo muitas ações para que as empresas consigam ficar de pé nesse período. Mas qual o período? O que precisamos fazer mais do que estamos fazendo? Isso é importante”, prosseguiu.

No entendimento da CDL-BH, dois setores do comércio já podem reabrir, ainda que paulatinamente: lojas de animais e armarinhos. “O pet tem todo um tratamento especial, porque tem animais que precisam até de medicamento com receita controlada. E outro setor é um que está ajudando muito a fazer as máscaras”.

Enfrentamento da crise


Enquanto não há prazos estabelecidos para a reabertura do comércio em Belo Horizonte, a CDL-BH faz campanhas para ajudar os lojistas no enfrentamento da crise. Além de cobrar setores governamentais, a entidade, na última semana, lançou a campanha “Juro Zero”, em apelo para que bancos públicos e privados abram linhas de crédito sem juros aos comerciantes.

“A gente pensou em fazer essa campanha para sensibilizar os bancos. Os bancos mudaram totalmente o relacionamento com os clientes quando começou. E a gente já está vendo grandes bancos tomarem atitudes de retornar para a sociedade o que eles conseguiram ao longo dos anos. Tem banco anunciando que está colocando R$ 1 bilhão à disposição. São duas semanas de lucro dele. Se colocarem R$ 2 bilhões, é um mês de lucro que ele abriu mão para ajudar a sociedade”, defendeu Marcelo Souza e Silva.

O presidente da CDL-BH pediu ações mais efetivas para reduzir os reflexos da pandemia nas empresas e nos empregos enquanto o comércio fica fechado. "Governos estadual e federal estão anunciando linhas de crédito facilitadas, com juros baixo. Mas ninguém está conseguindo acessar", reclamou. No entendimento dele, a própria prefeitura pode facilitar o acesso.

"A prefeitura precisa entrar nessa briga também. A prefeitura da terceira maior capital do Brasil, com o potencial que tem e o relacionamento que tem politicamente, pode ajudar essas linhas de financiamento que tem, que são baratas e vêm do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais), chegarem de maneira fácil", finalizou.

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