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Estado de Minas PANDEMIA

Coronavírus: CDL lança campanha 'Juro Zero' para socorrer o comércio

Ação tem como objetivo incentivar os bancos públicos e privados a promoverem linhas de crédito sem juros para o setor


postado em 07/04/2020 16:44 / atualizado em 07/04/2020 18:52

Mercado Central, Belo Horizonte(foto: Gladyston Rodrigues/ EM/ D.A. Press)
Mercado Central, Belo Horizonte (foto: Gladyston Rodrigues/ EM/ D.A. Press)
Com redução drástica nas vendas por causa do isolamento social e restrições de funcionamento em meio à pandemia de coronavírus, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) apresentou nesta terça-feira (7) campanha que defende 'juro zero' para o comércio. A ação tem como objetivo incentivar bancos públicos e privados a abrirem linhas de crédito sem juros para socorrer o setor, que teme colapso e acusa a área bancária de até o momento não ter disponibilizado linhas emergenciais de financiamento, como previsto em medida incentivada pelo governo federal.
 
Em Belo Horizonte, decreto do prefeito Alexandre Kalil (PSD), de 18 de março, restringiu as atividades comerciais às chamadas áreas essenciais, como supermercados, postos de gasolina e farmácia. Flexibilização posterior permitiu outras operações, mas com serviço de delivery.
 
De acordo com o presidente da CDL, Marcelo de Souza e Silva, a campanha 'Juro zero' busca criar alternativas para evitar onda de falências no comércio e, consequentemente, demissões em massa, além de pregar a colaboração dos bancos nesse momento de crise.

“Está na hora de as nossas instituições do sistema financeiro, que no Brasil lucram como em nenhum outro lugar do mundo, darem uma real contribuição ao país neste momento de crise”, cobrou.

Até o momento, nenhuma das autoridades de saúde, sejam elas municipais, estaduais ou federais, ou até mesmo a Organização Mundial de Saúde (OMS), fez qualquer previsão para o fim da pandemia da COVID-19. Segundo o presidente da CDL, essa incerteza do fim do período de isolamento social compromete as vendas em datas importantes para o setor.

“Estamos às vésperas de datas muito importantes para o comércio. Além da Páscoa, agora em abril, temos o Dia das Mães, em maio, e o Dia dos Namorados, em junho. Certamente, estas datas serão afetadas. Por isso mesmo iniciamos a campanha Juro Zero”, projetou. 

Em algumas entrevistas concedidas desde o início da crise, Silva já vinha alertando para a necessidade de desburocratizar o acesso a linhas de crédito especiais lançadas pelo governo. 

“As micro, pequenas e médias empresas, que são as que mais estão necessitando de recursos neste momento, estão tendo enormes dificuldades na aprovação do crédito”, afirmou o presidente da CDL/BH.

Ele acrescentou ainda que há "bilhões" nos bancos para serem utilizados, mas, em sua visão, a burocracia impedirá que esse dinheiro chegue a quem realmente precisa se nada for feito para impedir.

“Já realizamos uma sondagem junto aos associados para checar se eles realmente estão sendo beneficiados com estas linhas de crédito que foram anunciadas pelos governos estadual e federal. E, até agora, não”, pontuou.

Outra reivindicação da CDL é que o BNDES discipline o comportamento dos bancos na liberação dos recursos para o pagamento da folha dos funcionários, referindo-se à linha de crédito de R$ 40 bilhões anunciada pelo governo federal na semana passada. “Alguns bancos, para oferecer o crédito, estão obrigando as empresas a migrarem suas contas. O empresário não pode ser obrigado a isso. Isso é inconstitucional, é venda casada”, afirmou.

Liberação de crédito

O governo federal anunciou na última sexta-feira (3), a liberação da linha de crédito emergencial de R$ 40 bilhões para pagamento de pequenas e médias empresas, com faturamento anual de R$ 360 mil a R$ 10 milhões. Segundo a medida, os bancos já poderiam oferecer essa forma de financiamento a partir dessa segunda-feira (6).

Para as pequenas e médias empresas que optarem por solicitar a linha de crédito emergencial para pagar o salário dos funcionários por até dois meses, a alternativa já está disponível. Até o fechamento dessa reportagem, Bradesco e Itaú Unibanco, dentre os cinco maiores bancos no Brasil consultados pelo Estado de Minas, confirmaram a oferta de financiamento. Ele será oferecido pelos bancos que processam as folhas de pagamento empresarial. Em contrapartida estabelecida pelo governo, essas empresas não poderão demitir funcionários por dois meses. 

Texto da campanha Juro Zero

O Brasil vive uma pandemia que está matando pessoas, fechando empresas e acabando com empregos.
Hoje, mais de 60% da população está isolada para se proteger e tentar parar a catástrofe do coronavírus.
O comércio está fechado e mergulha na mais dramática crise da sua história.
Para o comerciante manter a sua empresa viva e os milhares de empregos, vai precisar de recursos e empréstimos.
Para que isso aconteça, a CDL/BH conclama os bancos a realizarem uma necessária e urgente política de Juro Zero.
Uma atitude que vai fazer a economia sobreviver e os maiores geradores de emprego do Brasil funcionando. E isso não é caridade. É política econômica de reparação. Esses mesmo bancos, só em 2019, lucraram mais de R$ 100 bilhões.
Os bancos têm o compromisso de abrir mão dos lucros para salvar a economia e a vida das pessoas. É hora de juro zero para o comércio não quebrar, o emprego não acabar e a vida continuar.
 
*Estagiário sob supervisão do subeditor Eduardo Murta 

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