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Estado de Minas SAÚDE

COVID-19 levou a aumento de transtornos mentais, alerta psicóloga

Angústia causada pela pandemia do novo coronavírus provocou aumento da procura de atendimento psicológico, sobretudo no sistema a distância


postado em 17/06/2020 16:46

Psicóloga Aldelúcia Castro afirma que as pessoas terão de se preparar para o 'novo normal'(foto: Arquivo Pessoal)
Psicóloga Aldelúcia Castro afirma que as pessoas terão de se preparar para o 'novo normal' (foto: Arquivo Pessoal)
O novo coronavirus não só tem causado milhares de mortes e impactos na economia, mas também provocado o aumento dos transtornos mentais, acarretando abalos psicológicos para muitos indivíduos. A tendência é que esses problemas persistam na vida “pós-pandemia” e as pessoas devem se preparar para encarar um “novo normal”. A avaliação é da psicóloga Aldelúcia de Castro Souza, professora do curso de psicologia das Faculdades Unidas Norte de Minas (Funorte), de Montes Claros, no Norte de Minas.

Integrante da Associação Brasileira de Neuropsicologia e pós-graduada em Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva, Aldelúcia diz que a ideia do "novo normal" ou da vida pós-COVID-19 ainda traz desconforto psíquico devido à ausência de previsão acerca do fim da pandemia e de suas consequências.

"Contudo, é necessário esforçar-se diariamente para manter o equilíbrio emocional”, afirma a especialista, destacando que as pessoas terão que aceitar uma nova maneira de viver: “Muitos acreditam que as pessoas se tornarão mais humanas, outros temem transtornos de estresse pós-traumático”.

Aldelúcia afirma que os cidadãos devem se preparar para o enfrentamento da nova situação, mudando seus hábitos. “Evitem ficar presos a esquemas habituados do modo de viver anterior à pandemia e preparem-se para enfrentar o novo com mente aberta”, recomenda.

“O momento exige exercitar a resiliência, ressignificar, saber administrar pensamentos e sentimentos de forma saudável e fortalecer a percepção de interdependência", observa a psicóloga, lembrando que “superar dificuldades é fundamental para o desenvolvimento humano”.

Aldelúcia destaca que a pandemia da COVID-19 trouxe mudança de rotina, isolamente social, adiamento de planos, prejuízos financeiros e a própria incerteza sobre a duração e as consequências das mudanças, gerando também medo, angústia e preocupação.

Diante do cenário que enfrentamos, houve aumento do número de casos de transtornos de ansiedade, depressão, crises agudas de estresse, ataques de pânico e fobias nos atendimentos psicológicos

Aldelúcia Castro, psicóloga



Segundo ela, a pandemia acabou provocando um aumento pela procura dos consultórios dos psicólogos, sobretudo no sistema a distância. “No meu caso, o atendimento on-line aumentou em cerca de 80%. Pessoas de outros estados como Bahia, São Paulo, Bahia e Santa Catarina e também brasileiros que estão na Europa e nos Estados Unidos”, relata.

Pensamentos perturbadores


Conforme explica a psicóloga, o transtorno mental é caracterizado pelo aumento de emoções ruins, de pensamentos perturbadores, catastróficos, irrealistas e alterações fisiológicas.

“Esses fatores interferem na qualidade do sono, do apetite, do ritmo cardíaco e da respiração, logo comprometem a qualidade de vida do indivíduo. Muitas pessoas anteriormente satisfeitas com seu equilíbrio mental se desequilibraram neste período de pandemia”, salienta Aldelúcia.

Ela ressalta que os transtornos mentais acabam acarretando outros problemas. No caso da ansiedade, a pessoa demonstra preocupação excessiva, sofrendo tensão muscular, dificuldade para relaxar, falta de ar, taquicardia, sudorese, tremor, boca seca, dificuldade de concentração e intolerância às incertezas.

“Esses sintomas em níveis altos predispõem ao ataque de pânico, que é o ápice da ansiedade”, explica. Nos transtornos depressivos, descreve, “as pessoas são inundadas de pensamentos catastróficos e negativistas. Sentem desânimo, falta de energia, insônia ou hipersonia, alterações do apetite, baixa esperança e pensamentos recorrentes de morte”.

Fobias nos tempos de coronavírus


Aldelúcia Castro lembra que o aumento das fobias é outro aspecto associado com a pandemia do novo coronavirus: “Nas fobias, além dos sintomas de ansiedade, as pessoas ficam em estado constante de alerta, com medo de contraírem a doença ou de que alguém próximo se contamine”.

A especialista acrescenta: “É comum desencadearem comportamento de autoconferência, checando constantemente se estão apresentando alguns dos sintomas do novo coronavírus. Evitam contato com outras pessoas ou sair de casa, mesmo que protegidas, porque exageram sobre os riscos de contaminação com pensamentos irrealistas”.

Diante desse quadro, a psicóloga orienta como deve ser o comportamento das pessoas para garantir o equilíbrio mental: “É importante reconhecer que emoções são sentimentos normais que podem ser administrados, sem deixar que os níveis se elevem a ponto de desencadear um desequilíbrio. Observe os tipos de pensamentos e confira se estão distorcidos da realidade, exagerados ou catastróficos. Procure ajustá-los com base em dados reais, se for preciso converse com alguém em quem confia ou busque ajuda profissional”.

Ela também aconselha: "Foque a sua atenção para o presente, evite pensar no passado ou ficar imaginando o futuro, para evitar inundações de pensamentos negativos, permitir a criatividade fluir e alcançar o relaxamento físico e mental”.

Outra dica da especialista para a boa saúde mental é “realizar técnicas de meditação, prestar atenção na respiração e sentir-se vivo. Manter a atenção plena no presente para desfrutar do que faz proporciona o equilíbrio entre a mente e o corpo”.

“A chave é saber identificar se o seu pensamento está lhe servindo, causando um bem estar, ou se está lhe afetando de forma negativa, para reajustá-lo”, conclui Aldelúcia.


O que é o coronavírus

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Vídeo: Por que você não deve espalhar tudo que recebe no Whatsapp

Como a COVID-19 é transmitida? 

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Vídeo: Pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus?

Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.
Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus. 

Vídeo explica por que você deve 'aprender a tossir'


Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Coronavírus e atividades ao ar livre: vídeo mostra o que diz a ciência

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