Com a alta hospitalar de Jair Bolsonaro prevista para a próxima sexta-feira, 25, quando deve iniciar a prisão domiciliar, Michelle terá a última chance de convencer o marido a desistir da aposta na candidatura do filho Flávio para apoiar uma ainda possível chapa presidencial encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Não é segredo que a ex-primeira-dama sempre teve mais simpatia pela composição com o governador, ao lado de quem concorreria a vice, do que o projeto do enteado.
Antes próximos, Michelle se distanciou de Flávio a ponto de, de uns tempos para cá, mencionar a amigos que descarta algum tipo de conciliação. Desde que o enteado a desautorizou após ter criticado a aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará, Michelle não se entusiasma com a pré-campanha de Flávio nem demonstra que dará algum engajamento. As poucas aparições políticas da ex-primeira-dama ocorreram em eventos da direita, sem exaltação do enteado, como na caminhada de Nikolas Ferreira, por exemplo, que ocorreu em janeiro. Por outro lado, ela se ausentou em momentos pró-Flávio, como o ato “patriótico” ocorrido no início do mês na Avenida Paulista, e na recente filiação de Sergio Moro ao PL para disputar o governo do Paraná, com as bênção do primogênito bolsonarista.
Autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes por 90 dias, a prisão domiciliar de Bolsonaro potencializa na ex-primeira-dama a possibilidade de articulação direta com o principal fiador político da direita, o que pode abrir espaço para rearranjos internos. Mesmo com o prazo curto até o dia 4 de abril, data limite para a eventual desincompatibilização do governador paulista, pessoas próximas à ex-primeira-dama não descartam a investida. Aliados acreditam que Tarcísio teria mais condições de atrair o voto do indeciso e que Michelle, na vice, garantiria a adesão do eleitor bolsonarista mais fiel.
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A tese ganha força pelo fato de Moraes ter estabelecido agendamento prévio para que os advogados possam visitar o ex-presidente, o que inclui Flávio. Por ser moradora, Michelle estará diariamente na companhia do marido e no momento das visitas dos filhos dele, o que não ocorria quando Bolsonaro estava preso na Superintendência da Polícia Federal e que anunciou o primogênito como candidato ao Planalto.
