A transição entre os governos de Mateus Simões (PSD) e Cleitinho Azevedo (Republicanos) chega a novembro com cinco reuniões realizadas e uma nova rodada de encontros prevista para discutir, entre outros assuntos, a situação financeira de Minas Gerais. Desde 23 de outubro, representantes das duas administrações se reuniram para tratar de Saúde, Infraestrutura, Educação, Desenvolvimento Econômico e Segurança Pública.

O processo ocorre em meio a embates públicos entre o atual governador e seu sucessor, que mantiveram uma relação cordial durante boa parte da campanha eleitoral, mas passaram a trocar críticas na reta final da disputa.

A próxima etapa começa nesta terça-feira (3/11), com a participação de representantes da Comunitas, organização que desenvolve projetos em parceria com o poder público. O calendário prevê outros nove encontros até 23 de novembro, incluindo reuniões específicas sobre as contas estaduais, o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e o planejamento da futura gestão. As discussões financeiras ganham relevância diante da dívida de Minas, estimada em cerca de R$ 180 bilhões, e da previsão de déficit orçamentário de R$ 10,51 bilhões para 2027.

O processo de transição começou oficialmente em 6 de outubro, dois dias após a eleição de Cleitinho no primeiro turno, com 55,4% dos votos válidos. A programação se estende até 23 de novembro e tem como objetivo apresentar à futura administração um panorama das políticas públicas em andamento, da situação fiscal do Estado e dos principais desafios para o início do mandato. As reuniões também devem subsidiar o planejamento dos primeiros meses do governo de Cleitinho, que assumirá o Executivo mineiro em janeiro de 2027.

Coordenada pelo vice-governador eleito Luís Eduardo Falcão (Republicanos), a equipe de Cleitinho participa dos encontros na Cidade Administrativa, sede do Executivo mineiro, com transmissão ao vivo pelo YouTube. Durante as reuniões, representantes da atual gestão apresentam balanços de programas e ações em andamento, além de relatórios sobre a situação das respectivas áreas, para orientar os trabalhos do futuro governo.

Próximos encontros

Depois da reunião com a Comunitas, nesta terça-feira, a agenda prevê uma apresentação da área de Meio Ambiente na quarta-feira (4/11). Na semana seguinte, estão programados encontros sobre Agropecuária (10/11), Desenvolvimento Social (11/11) e Cultura e Turismo (12/11). A etapa final começa em 16 de novembro, com a Secretaria de Governo e a Secretaria-Geral.

Em seguida, serão realizadas reuniões sobre Fazenda (17/11), Propag (18/11) e Planejamento e Gestão (19/11). O encerramento do calendário está previsto para 23 de novembro, com representantes de outros parceiros externos. Segundo o Governo de Minas, novas reuniões poderão ser marcadas, caso haja necessidade.

Divergências

Apesar do andamento das reuniões, a transição ocorre em meio a divergências entre Simões e Cleitinho. Durante a campanha, o atual governador questionou a experiência administrativa do adversário e a viabilidade de suas propostas, enquanto o senador criticou a condução da gestão estadual. Depois da eleição, os atritos passaram a envolver principalmente a situação financeira de Minas, diante da previsão de déficit orçamentário para 2027 e de possíveis dificuldades para o pagamento dos servidores no início do próximo mandato.

Após a previsão de déficit para 2027 subir de R$ 8,87 bilhões para R$ 10,51 bilhões, Cleitinho comparou a situação que deverá encontrar àquela herdada pela gestão de Romeu Zema (Novo), em 2019, após o governo de Fernando Pimentel (PT). “O governo Zema passou anos criticando o PT pela situação financeira em que recebeu Minas Gerais. Agora, está entregando o Estado com os mesmos problemas que tanto criticou”, escreveu o governador eleito nas redes sociais.

Em outra manifestação, Cleitinho questionou a responsabilidade de Simões diante da possibilidade de dificuldades para pagar os servidores em janeiro. O governador rebateu as críticas, assegurou que anteciparia os salários do mês e criticou a postura do sucessor nas redes sociais. “Não vale a pena conversar em particular se, na rede, o jogo vai continuar sendo esse, de jogar para a plateia. Vamos para a transparência total, esse é o meu convite para o senhor para a transição”, declarou Simões.

As diferenças também apareceram após Simões encaminhar à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) projetos relacionados à redução do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e à revisão da remuneração dos profissionais da segurança pública, medidas que integraram as promessas de campanha de Cleitinho. A equipe do governador eleito demonstrou incômodo com as iniciativas antes de uma avaliação detalhada das contas estaduais.

Possíveis integrantes

Paralelamente à transição, Cleitinho começa a definir os nomes de sua futura gestão. Entre os convidados que aceitaram integrar o governo estão o economista Thiago Toscano, cotado para comandar uma estrutura que reunirá áreas de gestão e desenvolvimento econômico, e Otto Levy, indicado para a presidência da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

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Outro nome é o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB), integrante da equipe de transição e apontado como possível titular da Secretaria de Estado de Educação. Já o deputado estadual Cássio Soares (PSD), que não conseguiu se eleger para a Câmara dos Deputados, é cotado nos bastidores para a Secretaria de Governo, mas ainda não houve confirmação.

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