Renata Lo Prete sobre reclamação de Flávio: "Questionaria se tivesse vencido a eleição?"
Jornalista apontou "problema lógico" no pedido de anulação da vitória de Lula: "A campanha do derrotado também pediu extensão do horário de votação"
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A jornalista Renata Lo Prete questionou ao vivo, na Globo, a tentativa de Flávio Bolsonaro (PL) de contestar o resultado das eleições presidenciais após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste domingo (25/10). O senador afirmou que pretende pedir a anulação do pleito por causa da extensão do horário de votação, embora sua própria campanha também tenha solicitado a prorrogação em municípios atingidos por fortes chuvas.
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Durante a transmissão, ao comentar o pronunciamento de Flávio com Cesar Tralli, Lo Prete apontou a contradição entre a reclamação do candidato e a solicitação feita por sua equipe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Tem uma questão que eu acho que vai se colocar diante desse pleito do candidato derrotado, que é o fato de que a campanha dele também pediu a extensão do horário de votação, lembra disso?”, afirmou a jornalista.
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A campanha de Flávio recorreu ao TSE durante a tarde para solicitar que urnas permanecessem abertas até as 19h em municípios de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O pedido foi justificado por problemas provocados pelas chuvas, como alagamentos e falta de energia.
A equipe de Lula também solicitou a ampliação do horário de votação em determinadas localidades, alegando dificuldades de transporte público. Segundo Lo Prete, a própria iniciativa da campanha de Flávio cria um obstáculo para a contestação anunciada após a derrota.
“Então, isso cria um problema lógico para o pleito dele. Afinal de contas, se ele pediu para as urnas ficarem abertas mais tempo, por que que ele tá questionando agora? Ele questionaria se por acaso ele tivesse vencido a eleição?”, disse.
A jornalista também ponderou que a eventual continuidade da contestação pode ampliar a instabilidade política nos próximos dias. Para ela, é necessário aguardar para saber se a declaração de Flávio foi uma reação imediata à derrota ou se o senador pretende efetivamente levar o questionamento adiante.
“Se ele de fato levar isso adiante, vai ter um ingrediente a mais de instabilidade nos próximos dias”, afirmou Lo Prete durante a conversa com Tralli.
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Em outro momento da transmissão, a jornalista destacou que Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com participação direta de Flávio Bolsonaro no processo de escolha.
Lo Prete lembrou que Nunes Marques reconheceu a vitória de Lula e afirmou que o incidente relacionado à extensão do horário de votação não interferiu no resultado das urnas.
“Então, quando o atual presidente do TSE vem, cumprimenta Flávio pela sua participação no processo eleitoral, cumprimenta o presidente Lula e reconhece a vitória do presidente Lula e, mais, deixa claro que o incidente do início da apuração não teve nenhuma influência sobre o resultado das urnas, eu diria que, assim, isso está muito perto de encerrar a discussão do ponto de vista teórico e técnico, Tralli”, declarou.
Para Lo Prete, além da discussão técnica sobre a decisão judicial, há uma dimensão política na reação do candidato derrotado. A jornalista avaliou que a contestação pode prolongar o conflito em torno do resultado eleitoral.
“Não tem como você, politicamente, se recusar a aceitar o resultado de uma eleição disputada da maneira como são disputadas no Brasil”, afirmou.
Flávio Bolsonaro pede anulação das eleições
Após a derrota, Flávio Bolsonaro afirmou que não reconhece o resultado da eleição e criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que determinou a extensão do horário de votação em localidades específicas.
“As eleições deveriam ter sido anuladas. É impossível reconhecer o resultado”, declarou o senador, que também anunciou que pretende recorrer à Justiça.
“Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, afirmou.
Lula foi reeleito com 51,75% dos votos válidos, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro, uma diferença superior a 4,4 milhões de votos.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, reconheceu que a decisão tomada perto do encerramento da votação criou dificuldades operacionais, mas descartou prejuízos à integridade do processo eleitoral.
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“Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta confiança em todo o processo eleitoral”, declarou.