Debate entre Flávio e Lula é marcado por agressividade e poucas propostas
Escândalos de corrupção foram tema central do primeiro encontro entre os presidenciáveis no segundo turno
compartilhe
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ficaram frente a frente, neste domingo (18/10), pela primeira vez nesta campanha eleitoral, em debate promovido pela TV Bandeirantes, em São Paulo. O encontro, o primeiro deste segundo turno, foi marcado por agressividade entre os candidatos à Presidência da República e pouca discussão de propostas, com os dois lados tentando vincular o adversário a escândalos recentes da política nacional, principalmente o caso do Banco Master e as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Fique por dentro das notícias que importam para você!
Flávio chamou o adversário de "corrupto", palavra que escreveu com caneta na palma da mão esquerda, com ênfase nas letras "P" e "T", ironizando o Partido dos Trabalhadores. Lula disse que o candidato do PL é "palhaço" e "miliciano" e, por isso, queria distância dele. Em resposta, Flávio comparou o presidente a um ladrão: "Pensando bem, é melhor você ficar longe mesmo, que minha carteira pode ser roubada."
O momento de maior enfrentamento ocorreu no primeiro bloco, quando os candidatos tiveram 15 minutos cada para um durante um debate de tema livre. Lula começou com a palavra e questionou por que Flávio foi o único a votar contra a ampliação da licença-maternidade em 2009, quando era deputado estadual pelo Rio de Janeiro.
Flávio Bolsonaro não respondeu sobre o tema e partiu com outra provocação: "Você conhece Roberta Luchsinger?". A pergunta cita a lobista investigada pela Polícia Federal (PF) que é apontada como amiga e sócia de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Em entrevista recente à CNN Brasil, ela chamou Lula de "mentiroso" por ter dito que não a conhecia e relatou que Lulinha se reuniu com ministros do governo "inúmeras vezes".
A discussão no confronto na TV seguiu com troca de acusações e ambos se esquivando de responder à maioria das perguntas. Em certo momento, Flávio disse que Lula teve 72,57% de votos em presídios, enquanto ele foi escolhido por 23,29%. Lula respondeu com ironia: "Eu quero que votem 100%, até o seu pai. (...) Bolsonaro, vota em mim. Você conhece teu filho, você sabe que eu sou melhor do que ele", irozinou.
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após condenação de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Como somente presos provisórios podem votar, ele não tem direito de ir à urna.
Em outro momento do debate, Lula desafiou o candidato do PL e propôs que ambos tivessem uma quebra de sigilo bancário e telefônico antes da eleição, "para saber quem é ladrão". "Abra o telefone e a sua conta bancária; eu abro da minha família inteira e você abre da sua família."
Flávio respondeu acusando o petista de levar dinheiro "por fora", expressão em que insistiu ao longo do debate e está relacionada a um áudio em que supostamente o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teria relatado que pagou R$ 30 milhões para um filme sobre Lula, e que dinheiro foi direcionado ao presidente "por fora". Não há comprovação da veracidade da declaração, e a defesa de Vorcaro negou que isso tenha sido dito em um depoimento.
Leia Mais
Em uma discussão sobre gestão de saúde, Flávio reconheceu que houve falhas do governo do pai na condução da pandemia do COVID-19, em que mais de 700 mil pessoas morreram no Brasil, segundo país com mais óbitos pela doença. "De fato, a saúde não foi uma área em que a gente teve o melhor resultado durante o governo do presidente Bolsonaro. Eu faço aqui essa mea culpa. Tivemos uma pandemia, dois anos de pandemia, uma coisa nova, que ninguém sabia direito como enfrentar, mas o Bolsonaro deu o seu melhor", disse.
Porém, negou que a vacinação foi atrapalhada na gestão e retrucou: "Inclusive, o Lula tomou vacina, né? Ele tomou vacina. Quem comprou a vacina? O presidente Bolsonaro. Tem Bolsonaro dentro do Lula!."
Nas partes do debate destinadas a perguntas e respostas com tempo limitado, houve um pouco mais de objetividade para tratar de propostas, mas ainda com as polêmicas dominando o debate. Outra marca do encontro foi a movimentação de Flávio Bolsonaro, que sempre tentava se posicionar no fundo do quadro enquanto Lula estava com a palavra. Ele fazia expressões com o rosto e com as mãos, repetidamente ironizando o adversário, e chegou a ser advertido pela apresentadora Adriana Araújo, que mediou o debate. Ela, aliás, entrou em cena algumas vezes para controlar os ânimos dos candidatos e impedir falas atravessadas.
Companhias e torcida
Na arquibancada montada dentro do estúdio, as equipes levadas pelos presidenciáveis fizeram barulho e reagiram em diferentes momentos, sendo alvo de advertências da apresentadora. No momento das considerações finais, o tumulto escalou, com uma gritaria tomando conta do estúdio, o que levou a uma rápida interrupção do debate.
Flávio chegou acompanhado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG); do governador eleito do Paraná Sérgio Moro (PL); do senador eleito (dependendo de julgamento do TSE) Deltan Dallagnol (Novo-PR); do influenciador Pablo Marçal; da economista Daniella Marques; do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (PL); do senador eleito André do Prado (PL-SP); do senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP); e do marqueteiro Duda Lima.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Já o presidente Lula estava junto à primeira-dama, Janja da Silva; e foi acompanhado do ex-ministro Fernando Haddad (PT); da ex-ministra Simone Tebet (PSB); do senador eleito Rui Costa (PT-BA); do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT); do ministro-chefe de Comunicação Social, Sidônio Palmeira; o deputado federal André Janones (Rede-MG); do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB); e do senador Camilo Santana (PT-CE).