O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) tem estruturado sua pré-campanha à Presidência da República com uma estratégia centrada em três eixos: aproximação com o empresariado, exposição na mídia e ampliação de sua presença nacional. É o que revela levantamento feito pelo Estado de Minas a partir das agendas oficiais divulgadas por sua assessoria entre maio, junho e o início de julho, contabilizadas até essa quinta-feira (9/7).

Ao longo de 72 compromissos registrados, a prioridade mais evidente é o diálogo com representantes do setor produtivo. Em seguida aparecem entrevistas concedidas a veículos de comunicação tradicionais e plataformas digitais. O desenho da agenda sugere uma tentativa de ampliar o conhecimento nacional do nome de Zema em um momento em que ele ainda aparece distante dos principais concorrentes nas pesquisas de intenção de voto.

Levantamentos divulgados pela Quaest, em junho, e pela AtlasIntel/Bloomberg, em julho, mostram o ex-governador mineiro com 2% das intenções de voto nos cenários estimulados de primeiro turno, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) lideram a disputa em um cenário de polarização.

Durante visita ao tradicional Café Nice, na Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte, Zema foi questionado sobre a predominância de agendas com empresários e se pretende ampliar o diálogo com outras classes sociais, especialmente com a classe trabalhadora, durante a pré-campanha presidencial. Em resposta, afirmou que conversa com todas as categorias, mas disse não fazer questão da aprovação de quem, segundo ele, "quer continuar ganhando dinheiro sem trabalhar".

"Eu estou escutando todas as categorias. Acho que não gosta de mim é quem está querendo continuar ganhando dinheiro sem trabalhar. Com esses, eu não faço muita questão que me apreciem. Eu e o Mateus Simões gostamos é de quem trabalha, de quem faz as coisas corretas", disse ontem, em coletiva de imprensa.

Na sequência, Zema utilizou indicadores de sua administração para sustentar o argumento. Segundo ele, Minas Gerais encerrou os quase sete anos e meio de seu governo sem casos de corrupção ou escândalos administrativos e registrou crescimento econômico. "O estado avançou, ganhou participação no PIB do Brasil e teve 1 milhão de empregos a mais", disse. Para o ex-governador, "quem não gosta de emprego, de trabalhar, é que tem criticado".

Agendas

Zema tem concentrado boa parte da pré-campanha, até o momento, em ambientes empresariais, reforçando a imagem de gestor associada à sua passagem pelo governo de Minas. Dos 72 compromissos contabilizados, 28 (38,9%) tiveram como público predominante empresários ou representantes do setor produtivo.

O levantamento inclui fóruns econômicos, palestras, encontros com investidores, reuniões com associações comerciais, almoços e cafés empresariais. A aproximação com o setor econômico também esteve presente em praticamente todos os estados visitados: São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia, Ceará e Minas Gerais.

O segundo maior bloco da agenda do ex-governador vem sendo ocupado pela participação em diferentes canais de mídia. Ao longo desses meses, foram 19 entrevistas concedidas a emissoras de televisão, rádios, jornais, portais de notícias, podcasts e canais digitais, conforme apurado a partir da agenda de Zema.

O volume de entrevistas revela uma estratégia de ocupação contínua do noticiário. Entre uma viagem e outra, Zema tem buscado manter presença em veículos nacionais e regionais, numa tentativa de ampliar sua exposição ao eleitorado fora de Minas Gerais.

Expansão territorial

Outro aspecto que chama atenção é a evolução geográfica da agenda. Em maio, a maior parte dos compromissos se concentrou em São Paulo – estado em que ele lançou a sua pré-candidatura à Presidência e a sua proposta de governo –, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Brasília. Em junho, a programação passou a incorporar estados do Nordeste, com agendas em Pernambuco, Paraíba e Bahia. Já no início de julho, Zema também fugiu da rota tradicional, voltou à Bahia e visitou o Ceará.

Ao todo, foram 10 roteiros interestaduais durante pouco mais de dois meses. São Paulo lidera com folga o número de compromissos, concentrando 18 agendas, um quarto do total. Em seguida aparecem Distrito Federal, Pernambuco, Rio de Janeiro e Santa Catarina, com sete compromissos cada, além de Minas Gerais com seis. A programação também incluiu cinco compromissos durante uma viagem internacional em Nova York.

Compromissos de Zema por estado*

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Estado

%

São Paulo

18

25,0%

Distrito Federal

7

9,7%

Pernambuco

7

9,7%

Rio de Janeiro

7

9,7%

Minas Gerais

6

8,3%

Santa Catarina

7

9,7%

Bahia

5

6,9%

Ceará

5

6,9%

Paraíba

2

2,8%

Compromissos de Zema por tema*

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Tema

%

Empresariado / economia / setor produtivo

28

38,9%

Imprensa / entrevistas / podcasts

19

26,4%

Partido Novo 

10

13,9%

Eventos institucionais e políticos

8

11,1%

Nordeste entra no roteiro

A presença no Nordeste – região que representa o maior desafio, onde as pesquisas apontam o seu pior desempenho – ganhou força sobretudo ao longo de junho e início de julho. Além de capitais, a agenda contemplou cidades médias e polos econômicos regionais, como Caruaru e Santa Cruz do Capibaribe, em Pernambuco, além de Fortaleza, Salvador e outros municípios.

A estratégia do mineiro, no entanto, também difere da tradicional disputa eleitoral na região, historicamente marcada pela busca de apoio junto a lideranças políticas e movimentos populares. Nas agendas divulgadas pela assessoria, o foco predominante permaneceu direcionado ao empresariado e ao setor produtivo.

Alianças

O levantamento ainda identificou 10 compromissos diretamente ligados ao Partido Novo, incluindo encontros estaduais da legenda, reuniões com filiados e lideranças, além do lançamento de pré-candidaturas de aliados. 

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*O levantamento foi elaborado pelo Estado de Minas com base nas agendas oficiais divulgadas diariamente pela assessoria de Romeu Zema. Os compromissos foram organizados e contabilizados com o auxílio de inteligência artificial e, posteriormente, conferidos individualmente pela reportagem.

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